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Pelo fim da "R-word"



Você já ouviu falar na "R-word"? É assim que um movimento mundial, cada vez maior, se refere à palavra "retardado/a", buscando eliminá-la de nosso dia-a-dia. "Ai, lá vem os politicamente corretos novamente!" "Ah, mas o mundo anda muito chato!" "Mas qual o problema, gente? As pessoas se ofendem por nada!" Será?

Primeiro de tudo, você já parou para refletir sobre o que se trata o "politicamente correto", antes de criticá-lo tão veementemente? Eu até concordo que tudo que é excessivo perde o sentido, mas o que se chama de "politicamente correto" é uma tentativa de respeitar a diversidade em todas as suas formas. Respeitar o outro, da mesma forma que queremos ser respeitados. Você gostaria de ser motivo de piada, muitas vezes em rede nacional, por causa de uma característica sua? Então por que os outros têm que aceitar "numa boa"? Mesmo que não falem diretamente de você, será que uma piada sobre "loura burra" não atinge em cheio as mulheres louras (e inteligentíssimas), fazendo com que se sintam diminuídas apenas pela cor de seus cabelos? Óbvio que tem pessoas que não ligam, que até participam da brincadeira, mas tenho certeza que muitas se incomodam e fingem que não, apenas para não bancar as "chatas certinhas".

Vale para tudo, o negro (e não a pessoa "de cor", "escurinha", ou outros termos ainda mais chulos que ouvimos por aí), o gay (e não "boiola"), a pessoa com excesso de peso (e não o "balofo"), a que é ou está muito magra (não "varapau"), a que usa óculos (não "quatro-olhos"), e por aí vai. Até porquê, muitas vezes o uso destes termos serve apenas para colocar a característica à frente da pessoa. Como questionei uma vez: porque falar "bonito aquele rapaz negro" ao invés de "bonito aquele rapaz"? Alguém fala "bonito aquele rapaz BRANCO"? 

No caso das pessoas com deficiência isso se torna ainda mais grave, porque estes rótulos são, muitas vezes, mais limitantes do que as próprias deficiências. A pessoa que usa cadeira de rodas pode, de modo geral, ser identificada como "cadeirante", mas nunca como "aleijada". A que tem deficiência visual é, em alguns casos, cega (mas não "ceguinha"), a que tem deficiência auditiva pode ser surda (e não "surda-muda", na maior parte dos casos), a pessoa com deficiência intelectual tem uma deficiência ou uma síndrome, como a síndrome de Down (mas em hipótese alguma é "retardada", "doentinha", "mongolóide"). Aliás, este último é um termo que se pode, ou melhor DEVE, abolir do linguajar, né?

O termo "mongolóide" foi usado por muito tempo para se referir às pessoas com síndrome de Down, porque faziam um paralelo entre a fisionomia destas pessoas e aquelas nascidas na Mongólia. Só que, enquanto a ciência avançava e mudava a nomenclatura e a forma de ver estas pessoas, o termo passou a ser usado de forma ofensiva, pejorativa, como sinônimo de incapacidade. Hoje, as pessoas com síndrome de Down não gostam de ser chamadas desta forma. Claro! Quem gosta de ser chamado de incapaz? Então, continuar a usar este termo, mesmo que se dirigindo a outra pessoa, é ofensivo para todas as pessoas com síndrome de Down! Será que entendendo isso, você continua achando que realmente as pessoas se ofendem por nada?

Voltando ao tema principal deste texto, a tal "R-word"... eu já vinha ensaiando um texto sobre ela, mas na correria diária vai passando, passando... até que há alguns dias eu li no Facebook de uma amiga o seguinte relato: "O preconceito nunca vai acabar. Esta semana Rita, na farmácia onde trabalha, foi atender uma senhora, e a mulher afastando-se dela, disse com grosseria: 'Não quero ser atendida por uma retardada, quero ser atendida por outra pessoa'".

A Rita, a que o relato se refere, é minha querida Rita Pokk. Moça inteligente, independente, atriz, casada há 13 anos com o Ariel Goldemberg e que, por acaso, tem síndrome de Down. (Quer conhecê-la? Assista ao programa da Eliana do último domingo!) Foi por esse "cromossomo a mais" que a cliente achou que tinha direito de usar a tal "R-word" e ofender a Rita! Claro que não posso concordar com isso, e a vontade de escrever sobre essa palavrinha voltou com tudo! O uso dela é ainda mais grave do que "mongolóide", porque afeta todas as pessoas com deficiência intelectual, e não somente aquelas com síndrome de Down. 

É preciso que se entenda que a pessoa que tem deficiência intelectual pode aprender de forma mais lenta, ou precisar que se explique mais vezes o mesmo tema, o que até se entende por retardo, mas isso nada tem a ver com incapacidade. Elas podem aprender, e aprendem de fato, se lhes for dada oportunidade para isso. Esse "retardo" é uma característica apenas da deficiência intelectual, e não a forma de identificá-la. Rotular uma pessoa com deficiência intelectual de "retardada" é minimizar toda a sua capacidade, é destruir todas as suas outras características, todas as suas qualidades, nivelando-a por baixo. E, pior: nivelando-a pela expectativa mais pessimista possível. A partir do momento em que se coloca um rótulo com este peso sobre uma pessoa, tira-se dela todas as possibilidades de vitória, de conquistar seu espaço. É justo isso?

"Ah, mas eu não uso para essas pessoas, mas para aquelas que fazem alguma coisa muito sem noção!" Ok, mas o simples fato de usá-la desta forma mostra que a considera ofensiva! É essa a finalidade básica da palavra, não se trata de um elogio a ninguém, concorda? Portanto, se você faz uso desta palavra, se considera que um intelecto um pouco mais lento do que o seu é motivo de ofensa, está, por tabela, ofendendo a todos aqueles que têm deficiência intelectual! Simples assim!

Percebe agora? Acha mesmo que "tudo bem" continuar usando essa palavra por aí?

Então vou lançar aqui um desafio: que tal aproveitar hoje, Dia Internacional da Síndrome de Down (dia 21/03, em alusão à trissomia do cromossomo 21) para homenagear a Rita e todas as pessoas com síndrome de Down ou outra deficiência intelectual, abolindo de uma vez por todas a tal "R-word" do vocabulário? Mesmo que vez ou outra você ainda "escorregue", vale a tentativa! Quanto mais se policiar, menos vezes falará! Quem topa?

Mais ainda: que tal ajudar a disseminar essa ideia? Compartilhe este texto, o site "Spread the world to end the word" ou, mesmo, o vídeo para que mais e mais pessoas tomem consciência e parem de utilizar essa palavra! Quando ouvir alguém dizê-la, procure explicar os motivos para a pessoa não usar mais. Posso contar com sua ajuda?

Aos meus queridos de olhos amendoados, todo meu amor no dia de hoje, esperando que esta comemoração ajude a tirá-los, cada vez mais, da invisibilidade, trazendo a todos respeito aos seus direitos de estudar, trabalhar, namorar, ter uma vida plena, autônoma e digna. 

Eu volto!

Andréa

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Finalizando 2016



Estou bem em falta com vocês, eu sei... mas esse ano não foi nada fácil! Tiveram, claro, coisas muito boas acontecendo, como as aulas no EJA, os projetos de inclusão aqui em Itatiba e, acima de tudo, o nascimento do Gregório! Aliás, esse molequinho só nos dá alegrias! Completou 7 meses ontem, esbanjando lindeza, fofurice, sapequice por onde passa! Como resistir aos seus gritinhos e gargalhadas? Eu não consigo! Não mesmo!!!

Mas, apesar dessas coisas todas, foi um ano bem complicado. Financeiramente, então... nem se fala! Houve momentos mesmo de bater desespero, de achar que não ia dar certo, que ia "morrer na praia"! Aos "trancos e barrancos", chegamos ao fim do ano, com as coisas um pouco mais equalizadas. Um pouco, não totalmente, mas também com esperança de dias melhores. "A fé que me faz, otimista demais"... e vamos em frente! 

Não pensem que é fácil, pois não é. A reestruturação pela qual está passando o banco trouxe muita incerteza, para a minha vida e para de todos o que ali trabalham. Não falei muito do assunto, mas algumas pessoas perguntam, então vou explicar da melhor forma possível. O banco abriu um plano de aposentadoria incentivada e, ao mesmo tempo, um plano de reestruturação visando se tornar o mais digital possível. Assim, está reduzindo os cargos e, mesmo, fechando agências por todo o país. O meu cargo mesmo deixou de existir, o que me obriga a encontrar uma realocação o mais rápido possível. O problema é que, como eu, há muita gente para ser realocada, e poucas vagas disponíveis. Ou seja, ninguém sabe ao certo como isso vai ficar. O banco jura que vai realocar todo mundo, o mais próximo possível de onde está hoje, e tenho tentado confiar nisso, mas também já estou me preparando para uma eventual mudança, se for o caso. Acredito que o simples fato de estar aberta a isso já ajuda um bocado. Estou aguardando as sinalizações, que vão chegar com toda a certeza! 

Mas então imaginem... juntar finanças que já não estão bem das pernas, com essa insegurança toda... o emocional balança mesmo! Tenho buscado me manter centrada, manter acesa a Fé (tenha Fé, diria meu pai!), tenho me agarrado com força no espiritual, e assim vou seguindo em frente, da forma como é possível. 

E hoje 2016 chega ao fim, daqui a pouco já será 2017 e, como diz Drummond, "Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra adiante vai ser diferente". Que assim seja! E que 2017 traga muitas coisas boas para todo mundo! Vamos que vamos!!! 

Feliz Ano Novo! 

Eu volto... em 2017!

Andréa

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Dia dos Professores, dia de pensar sobre Educação



Há algum tempo venho ensaiando um novo texto sobre Educação. Hoje, Dia dos Professores, resolvi postar algumas ideias. Afinal, após passar alguns meses frente a uma sala de EJA, na verdade uma sala de um projeto voltado a alunos com imensas dificuldades, vejo reforçadas várias de minhas crenças, em especial a de que a Educação precisa ser reformulada por completo. E urgentemente! 

Os desafios que os professores enfrentam diariamente tem íntima ligação com esse nosso método tradicional e ultrapassado de ensinar. Ou, talvez melhor dizendo, de tentar transmitir conhecimento. Mas a cada dia que passa, mais sentido faz, para mim, o que diz José Pacheco: estamos em pleno século XXI, ensinando como no século XIX, e com fundamentos filosóficos do século XVII. Mas quanta coisa mudou neste período? Quanto avançamos? E por que a escola continua repetindo a mesma fórmula até hoje?

Num mundo globalizado, em constante movimento, com informações de todos os gêneros ao alcance de um “clique”, como temos hoje, com as crianças e jovens dominando as novas tecnologias com velocidade muito maior do que seus pais, como podemos querer alunos estáticos, sentados pacientemente, enquanto o professor todo-poderoso fica à frente da sala derramando seu conhecimento? Isso já não funcionava quando eu era garota, o que dirá agora, com crianças e jovens ainda mais conectados do que seus pais! Se antes tínhamos álbuns de figurinhas, jogos de "stop", e outras diversões para nos distrair, hoje existem os celulares! Mudou a tecnologia, mas a finalidade é a mesma: fugir da chatice de uma aula expositiva!

A Educação, como é hoje, não busca necessariamente que o aluno aprenda. Busca que o aluno "tire nota" e "passe de ano" até se formar. Os próprios professores se acostumam, muitas vezes, com este sistema, e consideram os alunos aptos ou não de acordo com as notas que tiram. Os pais, de modo geral, não perguntam aos filhos o que eles aprenderam, perguntam que nota eles tiraram! É uma inversão de valores, como se a nota determinasse realmente o quanto o aluno aprendeu! Ah tá! Então me respondam com sinceridade: quantos alunos tiram 10 “colando”? Quantos alunos tiram 0 por terem um “branco” na hora da prova? Quantos alunos no dia seguinte à prova já não lembram o que estudaram, porque só o fizeram para “tirar nota”? 

Já contei em texto anterior sobre a experiência que a escola de minha irmã fez ao perceber que ela ia “mal” em matemática, apesar de a professora achar que ela sabia a matéria. Aplicaram um exercício para a classe e corrigiram o dela para ver a nota que ela tiraria. Tiraria 9! No dia seguinte, o mesmo exercício foi dado com o nome de “prova”... ela tirou 3! Ela não sabia a matéria ou tinha pânico daquilo? O que a escola devia fazer? Aprovar porque ela sabia a matéria ou reprovar porque ela não tinha nota?

Já ouvi professores dizendo que, para ser aprovado, o importante é que o aluno atenda aos requisitos básicos da série seguinte, já que ninguém vai aprender tudo mesmo... por que não??? Óbvio! Não é culpa do professor nem do aluno, mas o sistema não permite isso! O sistema que temos determina um cronograma anual padrão para todos, com os conteúdos divididos em anos ou séries, e subdivididos por bimestres ou trimestres. O professor tem que passar todo o conteúdo previsto, quer os alunos aprendam, quer não. Consequentemente, alguns alunos aprendem mais, outros menos, não há como uniformizar. E este sistema vai permitir ao aluno avançar se conseguir atingir a média determinada pela escola, que pode ser 5, 6, 7... o critério também varia. 

Então, pais exigentes colocam seus filhos em escolas “fortes”, que empurram conteúdo atrás de conteúdo e exigem notas altas, preparando (esperam eles) os alunos para a competitividade do vestibular e do mercado de trabalho, e pouco importando se os alunos são massacrados, se estão estressados, desgastados, ou não tem tempo de serem crianças ou jovens. Estes pais, muitas vezes, ainda arrumam atividades extracurriculares para que os filhos se desenvolvam ainda mais, pensando no futuro e esquecendo do "hoje", e de forma bem comum, ainda castigam os filhos que vão “mal”. 

Enquanto isso, pais de “alunos problema”, após se estressarem com as tarefas e as notas que os filhos não atingem, com reclamações contínuas das escolas, buscam escolas “fracas”, que não exigem muito para passar de ano, e assim os filhos conseguem logo o diploma e eles se livram mais rápido deste tormento! Não importa o aprendizado que vai restar, afinal, o importante é aprender “pelo menos o básico”. 

Existem, ainda, aquelas escolas que tiveram a “progressão continuada” implementada (uma ideia interessante mas pessimamente aplicada), onde os alunos simplesmente passam de ano, sabendo ou não o conteúdo. Avançam sem saber praticamente nada, tornando-se analfabetos funcionais, sem condições de cursar uma faculdade e ingressar no mercado de trabalho “de igual para igual”. Aliás, são vítimas deste sistema que tenho em minha sala hoje. Alunos que estariam na 5ª, 6ª, até na 8ª série e que mal sabiam ler, escrever e somar! Como pode?

Está tudo errado!

E o “problema” começa lá na Educação Infantil, crescendo como “bola de neve” durante toda a sequência do Ensino Fundamental e Médio. Começa por partirem de um pressuposto absurdo que todas as crianças da mesma faixa etária estão em um mesmo ponto de aprendizado e maturidade. Oras! Se hoje é fato mais do que aceito que cada pessoa tem um ritmo e uma forma de aprender, como ainda pode ser aceito este pressuposto? Ainda mais em uma época em que a inclusão já é exigida por lei e deveria ser realidade de fato nas escolas (se nem com lei é, imagina sem lei?), como se pode nivelar os alunos? Como é possível querer padronizar o ensino? Como é possível querer que todos os alunos da mesma série atinjam os mesmos objetivos? Como é possível querer que todos aprendam da mesma forma, se sabemos, através de Gardner, da existência das inteligências múltiplas? Não se consegue! Não tem como! Ainda assim, virou “moda” falar na tal padronização do ensino e se exaltar as qualidades das benditas apostilas! 

Pensem bem: se hoje é fala recorrente que não devemos sequer comparar o desenvolvimento de BEBÊS, o que dirá de crianças e jovens! Um bebê rola antes, outro balbucia antes, outro pega coisas antes. Um bebê anda cedo, o outro fala cedo. Há, ainda, aquele que faz tudo tarde, seja por uma deficiência, seja por característica própria, ou mesmo por falta de estímulos adequados. Estes bebês, ao crescerem um pouco, ingressarão em creches ou escolinhas e, se tiverem a mesma idade, serão tratados da mesma forma, farão as mesmas atividades. Há escolinhas que já têm apostilas desde o maternal, que têm PROVAS na Educação Infantil! Mas aquele que andou cedo talvez precise ser mais estimulado na fala, na expressão oral. O que falou cedo talvez precise de mais estímulos na parte motora. O que fez tudo mais tarde talvez precise de um trabalho diferenciado, mais próximo, estimulando todas as áreas. Mas tentarão, exaustivamente, que eles sejam igualados, nivelados, para que possam, juntos, chegar ao Ensino Fundamental. 

Juntos? Será? Qualquer professor de 1º ano pode dizer se seus alunos chegam no mesmo ponto. Claro que não! São crianças diferentes, com histórias diferentes, com estímulos diferentes, com características diferentes. Dentre os alunos que ingressam no 1º ano, há desde aqueles que já chegam alfabetizados, àqueles que jamais viram uma letra na vida! Como podem ser tratados da mesma forma? Alguns, ou todos, sairão prejudicados! Ou irão frear aquele que está mais à frente, ou irão acelerar quem está mais atrás (e em determinado momento, deixarão de prestar atenção a ele, porque o que vale mesmo é o “bom aluno”), ou farão um pouco de cada. O ritmo individual de cada um não será respeitado, novamente. Buscarão, mais uma vez, o nivelamento, que se segue vida escolar afora.

Mas, como esse nivelamento é fictício, passamos a aceitar que "nenhum aluno vai aprender tudo mesmo", a perceber que temos alunos muito bons em português mas péssimos em matemática (ou vice-versa, ou qualquer outra disciplina), a rotular aqueles que não estão caminhando da forma esperada como “alunos-problema”, e a encaminhá-los para alguma terapia (o problema é dele, não da escola, afinal). E a consequência, muitas vezes, é a perda do interesse do aluno no aprendizado. O que estava mais à frente e tem de ser freado, perde o interesse porque aquilo para ele é muito fácil. O que estava mais atrás, perde o interesse porque não dá conta. No ensino público, então, temos ainda um agravante. Os tais “alunos-problema” chegam em determinado ponto e são “convidados” a ingressar no EJA (mais rápido, mais fácil, menos conteúdo e não sou eu mesmo quem vou ter que cuidar, graças a Deus!), que muitas vezes vira “depósito” destes alunos, e ainda, no caso do curso noturno, larga um monte de jovens ociosos nas ruas durante todo o dia.

Ah, mas é claro que existem exceções. Alunos que se enquadram bem neste esquema, que gostam (ou aprendem a gostar) desta forma de estudo, e que até aprendem de fato. Estes espécimes raros, os tais “CDF’s” ou “nerds”, tiram sempre boas notas em todas as disciplinas, tornam-se orgulho de suas famílias, acabam disputados pelas escolas, que fazem os tais “vestibulinhos” para poder selecionar só aqueles alunos que interessam (leia-se: bons alunos, que não dão trabalho, que vão passar em bons vestibulares e “fazer o nome” da escola). 

Aliás, que coisa mais grotesca os tais vestibulinhos! São massacrantes para as crianças, derrubam a autoestima daqueles que não são aprovados, e são, ainda, tremendamente excludentes (óbvio). Se eu já acho que a faculdade deveria ser direito de todo aluno que finaliza o Ensino Médio, sem precisar passar por seleção alguma depois (se tem o diploma do Ensino Médio, afinal, é porque já passou por todas as avaliações necessárias), que dirá para ingressar na escola, que é direito de TODOS, segundo a Constituição Federal! 

Ensina-se, desde o princípio, que a criança deve ser competitiva, deve brigar por seu lugar, e que tem sempre que ser melhor que os outros, derrotar os que são “menos”, pois quem não “vence” não tem valor. E as escolas favorecem ainda mais essa competição, mesmo que não façam uso dos vestibulinhos, mas deixam de lado o aluno com dificuldade (tenha ou não deficiência) ou supervalorizam os “bons” alunos, expondo aqueles que se “destacaram” em determinado período. Como acham que é para um aluno que tenha dificuldade de aprendizado ver os colegas sendo aplaudidos, cumprimentados, valorizados, enquanto ele luta tanto para tentar atingir os objetivos propostos? E para os tais “destaques” e seus pais? Não é uma superinflada de ego?

Ok então... mas qual seria a saída? A saída é a reformulação total do ensino. A abolição das séries, das apostilas, das padronizações. A implementação da Educação para a autonomia, que respeita o ritmo do aluno e permite que todos aprendam tudo, cada qual no seu tempo e do seu jeito, que ensina a solidariedade, quando um ajuda o outro e fica feliz com a conquista alheia, que valoriza o diálogo e análise crítica dos fatos, ao colocar os alunos para estabelecer regras e solucionar eventuais conflitos. Temos vários e vários exemplos em todo o mundo, e mesmo aqui no Brasil, de escolas agindo de outra forma e conseguindo excelentes resultados. Aliás, já há até faculdades buscando essa visão de ensino.

Na Educação para a autonomia o aluno é ensinado, desde pequeno, a ir em busca do conhecimento, não há nada pronto, “de bandeja”. Os menores, além de terem todo o lúdico disponível (afinal, criança tem que brincar, em primeiro lugar), são também ensinados a agir com autonomia. Da mesma forma, os alunos que ingressam em escolas com este formato têm que ter um período de adaptação, faz parte. Essas escolas têm espaços amplos, salas de estudo sem separação por “nível”, “série” ou coisa que o valha, ao invés das salas de aula tradicionais. Têm pátios, jardins, que também se transformam em locais de estudo. Os professores, todos, estão sempre à disposição de todos os alunos, prontos a auxiliar quem tem dúvida ou está com dificuldade para entender algo.

A cada período (semanal, quinzenal, ou qualquer outro, a critério da escola) o aluno, em conjunto com seu orientador, determina um plano de estudo com os conteúdos que ele deverá aprender no período subsequente. Ele então deverá pesquisar (na biblioteca da escola, em tantos livros quantos forem necessários, ou mesmo na internet), comparar as informações das diversas fontes, buscar entender, de fato, aquilo que lhe foi proposto para que possa, quando se sentir seguro, ser avaliado. 

Se surgir alguma dificuldade, os colegas podem auxiliá-lo, ou ele pode pedir a um professor (que não necessariamente é o seu orientador, mas um que tenha domínio do conteúdo) que o socorra. Ele pode estudar na sala ou em qualquer outro espaço da escola que lhe agradar mais. 

Quando acredita já ter aprendido o conteúdo proposto, PEDE e é avaliado da forma que for mais interessante naquele momento. Isso inclui ter que explicar o tema, ou escrever a respeito, dar exemplos, desenvolver um projeto, debater o assunto com o professor, não necessariamente realizar exercícios de repetição. Deve-se mostrar APRENDIZADO, e não mera “decoreba” ou “mecânica”. Ao final da avaliação, o professor responsável verificará se o objetivo foi mesmo atingido, e o aluno poderá seguir adiante, ou se tem algo ainda a ser reforçado, e o aluno é orientado a rever aqueles pontos antes de prosseguir. Não há sentido, a partir do momento em que se espera que os alunos aprendam TUDO, em avançar quando ainda há pontos obscuros, afinal. E isso ocorre sem problemas, sem que o aluno seja “menos” que ninguém, sem o peso de uma “nota baixa”. É dada orientação, para que o aprendizado seja consistente e persistente. 

Se, em determinado período, algum conteúdo proposto não foi estudado, não há problema, é só retomá-lo no período seguinte! Afinal, quem nunca abraçou mais do que conseguia fazer ou não deu conta do recado por algum problema pessoal? Acontece! Há tempo para se aprender. Não havendo a separação por séries nem bimestres, o aluno tem todos os anos da Educação Básica para aprender todo o conteúdo. Sem estresse, sem cobranças, sem massacre. 

Cada aluno tem seu plano de estudo individual, e avança de acordo com seu ritmo, com sua condição, podendo, até mesmo, ir mais rápido em uma do que em outra disciplina. Qual o problema disso? O importante será que ele, ao final da Educação Básica, antes de receber um diploma ou certificado de conclusão, tenha estudado todo o conteúdo determinado. E se ele terminar os conteúdos antes do tempo determinado pelo MEC? É possível, não? Não há problema! Ele pode aprofundar os temas que mais lhe agradarem, ou pode se dedicar a algum tipo de pesquisa, ou mesmo aprender algo novo, que não estava previsto inicialmente. Simples!

Os conflitos, quando acontecem, são tratados pelos próprios alunos, sob supervisão dos professores, caso seja necessário. Aliás, é comum nestas escolas as regras e eventuais punições serem estabelecidas pelos próprios alunos, através de debates, votações, de forma democrática. 

Nestas escolas, além da forma de ensino completamente diferente, além das avaliações formativas, além de se estimular a pesquisa, e até a liberdade dos alunos estudarem onde preferirem, também são comumente em período integral, permitindo que os alunos aprendam artes, esportes, música, e evitando a existência das “temidas” lições de casa, pois existe tempo de sobra para o estudo na escola. 

Não é que os pais serão menos participativos, se lhes for tirada essa “função”, ao contrário. Mas existem outras formas de se atuar junto à escola, sem precisar do estresse das lições de casa, ou dos estudos às vésperas das provas! Em diversas escolas, por exemplo, os pais são convidados a fazerem oficinas para ensinar algo aos alunos. E aí não importa o grau de conhecimento de cada um, todos têm valor. Um engenheiro pode montar um laboratório de óptica, por exemplo, enquanto um marceneiro pode ensinar a criar móveis! Todo conhecimento é bem-vindo.

Os alunos passam a QUERER aprender, pois são desafiados a cada momento. Eles têm a responsabilidade de cumprir seus planos de estudo, não vai “cair do céu” nem vai ter de quem “colar” para conseguir uma boa nota (até porquê nem existe nota!). E, muitas vezes, a curiosidade sendo instigada, acabam indo além do que lhes foi proposto, querendo saber mais. 

É fácil chegar a esse ponto? Claro que não. Toda mudança requer planejamento, vontade, e até coragem para ser concretizada! Não existe mágica, não há como apontar uma varinha de condão e pronto! Tudo mudado! Não é assim... leva tempo, mas é preciso QUERER mudar e dar o primeiro passo! 

As mudanças necessárias para uma Educação para a autonomia requerem muito diálogo, pois esta é uma proposta radicalmente diferente do que existe hoje. Os alunos estranham, a princípio, tanta liberdade de ação. Os pais se sentem perdidos, ao não poderem cobrar notas dos filhos. Os professores custam um pouco a perceber sua mudança de função, de transmissor para orientador. Mas é possível. Temos vários exemplos disso, dando certo mesmo com alunos considerados “difíceis”, recusados em outras escolas. 

E, quanto mais eu vejo a situação das escolas hoje, quanto mais ouço e leio relatos de professores, e quanto mais eu vejo estes exemplos, mais eu creio na necessidade de mudança. É tão mais lógico, é tão mais inclusivo, é tão mais tranquilo aprender desta forma... Não sei se chegarei a ver acontecer, mas gostaria muito disso, de verdade!

A todos os professores, um feliz dia! 

Eu volto!

Andréa

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Bem-vindo, Gregório!!!


Essa postarem estava esperando para ser escrita há dias, mas você, bichinho preguiça, brincou com a gente desde o começo! :D

Primeiro foi resolver vir menino numa família dominada pelas mulheres. Depois, a previsão de nascer até 24 de junho nos botou em alerta desde o mês de abril. Claro! Era a quarta tentativa de fazer uma criança nascer em maio... as três primeiras, eu, tia Samara e sua mãe não curtimos a ideia e nascemos antes. Será que você daria conta de esperar? o.O

Aí em abril começou a dar uns sinais... mas saiu do signo de áries, domínio nosso, para o de touro. Deixou terminar abril... uau! Será que vem em maio mesmo??? O mês foi passando, os sinais acentuando, mas nada de se decidir. Passou o signo de touro também e entramos em gêmeos, mas ainda assim nada de aparecer. O tal dia 24 da primeira previsão passou batido, nem quis saber. Mas os sinais foram intensificando cada dia mais... até que uma médica resolveu dizer que se não resolvesse sozinho até dia 03 (de JUNHO!) ela iria decidir por você, e nós voltamos a achar que maio não teria moral em casa... :P

Mas esse negócio de decidirem por você não rola, né? Primeiro veio o recado pela tia Cris, uma danada vê tudo antes da gente, que contou que lhe viu com seu biso e sua bisa, e que estava tudo bem. Claro, né? Numa companhia dessas, como não? ;) Aí, você fingiu que aceitava, mas resolveu escapar do quentinho por conta própria e nos brindar com sua presença hoje, 30 de maio! Mais um tabu rompido na família! Quantos mais ainda irá romper? Quantas surpresas irá nos reservar? O tempo dirá isso...

O importante, meu amor, é que chegou cheio de saúde, com 3,370kg espalhados em 49cm de imensa fofurice, deixando mamãe, titia, tia-vó, papai, vovó, todos completamente apaixonados por você! :D

Seja bem-vindo!!! Esse nosso mundinho é  um tanto quanto louco demais, mas você sempre terá a todos nós para he amparar e proteger. Pode confiar!

Que Papai do Céu abençoe sempre sua vida, dando sempre muita saúde, alegria e amor! Porque nós já amamos muito você!!!

Sua tia-vó babona,

Andréa

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Meus amigos, minha comunidade


É o tema deste ano do Dia Internacional da Síndrome de Down, que se comemora amanhã. Fui, então, atrás das fotos dos meus amigos de todos os tamanhos, onde aparecessem comigo, para preparar um scrap especialíssimo! Acabou faltando um bocado de gente, como era de se esperar. Não encontrei todas as fotos que queria... sem contar que são amigos demais! Bom... ainda bem!!! :D Tudo bem que muitos dos pequeninhos aí já nem são mais tão pequeninhos... e tem amiguinho que Papai do Céu chamou para perto Dele também. Mas são todos muito amados, e eu morro de saudades de cada um e daqueles que não aparecem no scrap! ;)

O Dia Internacional da Síndrome de Down é comemorado dia 21 de março em alusão à trissomia do cromossomo 21. É um dia não para "celebrar a síndrome", mas de comemorar as vitórias e fazer lembrar de tudo que ainda precisamos transformar na sociedade, para que estas pessoas sejam aceitas de fato e tenham oportunidade real de se desenvolver plenamente, tornando-se independentes, autônomas. Começa, claro, pela escola. E que luta ainda é conseguir incluir as crianças com Down nas escolas regulares!!! Não só com Down, claro, mas com qualquer deficiência. :/

Estes dias estava comentando com uma professora... como é possível pensar que já se passou mais de 20 anos da Declaração de Salamanca e ainda estarmos engatinhando neste sentido? Ano passado foi aprovada a Lei Brasileira da Inclusão, que entrou em vigor este ano, e existe todo um movimento das escolas particulares para poderem burlá-la! Os argumentos são tão absurdos... e é tão CRUEL pensar que alguém pode impedir uma criança de estudar! :'(

Então o dia hoje é para lembrar ao mundo que essas pessoas existem, e em grande número. São crianças, jovens, adultos, que estão aí do seu lado, querendo apenas ter os seus direitos de cidadãos garantidos. Querendo apenas serem respeitados como indivíduos únicos que são (eles não são a síndrome de Down, apenas a possuem), querendo ter direito de estudar, trabalhar, namorar, casar, como qualquer pessoa. O fato de o ritmo deles ser um pouco mais devagar não os impede de conquistar isso tudo! Temos tantos exemplos por aí para comprovar! Basta que eles tenham OPORTUNIDADE! E não é assim com qualquer pessoa? ;)

Ano passado eu contei como me apaixonei por essa turminha de olhos amendoados. Quem não leu, o link é esse aqui.

Deixo vocês com o SHOW que a Paloma deu ontem à noite no Altas Horas!


Feliz dia, meus amores!!! Que tenhamos, a cada ano, mais e mais vitórias para celebrar! Que cada um de vocês conquiste TUDO aquilo que desejar! Que seus pais não se deixem abater por atitudes preconceituosas, e sigam em frente, abrindo as portas para que vocês possam passar brilhantemente! Vocês PODEM tudo! Basta que ACREDITEM nisso e sigam em frente! Eu acredito! ;)

Eu volto.

Andréa


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20 anos sem minha Vovinha Baixinha...



Que loucura como passa o tempo... 20 anos! Você foi a última dos quatro avós a nos deixar, e para mim a mais difícil, com toda a certeza. Não porque gostasse mais de você que dos outros, mas porque era com quem tinha mesmo mais afinidade. Era com quem ficava à vontade para conversar sobre qualquer assunto. Um encontro de almas, realmente.

Quando, em 1993, vovô "abriu a fila", indo embora daquela forma tão repentina, você já estava doente. Já vinha lutando há tempos, chegou a ficar sem andar e ele lhe fez ficar de pé novamente. E, quando conseguiu... se mandou e nos deixou falando sozinhos. :( Não esqueço jamais a visão da sua chegada para a despedida dele... tão pequenina, tão frágil, que eu jurava que não chegaria nem ao dia seguinte. Mas qual! Era uma LEOA mesmo, guerreira, valente, que nos disse que ele havia lutado para lhe ver de pé e que você não iria cair! :D Lutou ainda três anos, jamais se entregou, mas a "bendita" muitas vezes é implacável. 

A sua "fase final" foi sofrida... mas nem assim você esmoreceu. Não pude estar mais perto de você nesse período, porque tínhamos a loja, que segurei para mamãe ficar ao seu lado, Alessandra estava esperando a Thabata, chegou a ter ameaças de parto prematuro, Samara era pequenina, menos de 2 anos... mas estávamos juntas, como sempre estivemos. Em alma, em coração. E continuamos assim! ;)

Samara foi um capítulo à parte. Ela amava tanto, tanto, tanto a Bisa dela... como esquecer você levantando para ir ao banheiro e ela lhe dando a mãozinha para ajudar, e esperando do lado de fora para lhe acompanhar de volta ao sofá? ;) Tinha um cuidado, uma delicadeza com você, que emocionava a quem via! Quando você foi para o hospital ela ficou super mal humorada, mexida mesmo... um dia, quando mamãe voltou para casa depois de passar a noite com você, ela mostrou uma foto sua com vovô e disse "o biso 'perando a bisa, casa dela"... :'( Como podia, tão pequena, saber tanto???

E na noite de sua partida ela sentiu... chamou muito você enquanto dormia. Depois soube por mamãe que você a chamava também. Depois da notícia da sua partida, ela parecia outra, alegre, como que aliviada por lhe ver livre da dor. Coisas que ninguém explica! ;)

Naquela fase, a música "Se todos fossem iguais a você" se tornou uma constante em minha cabeça... era como se eu a cantasse para você. Na última noite, não conseguia "desligar o som", ela ficou constante, uma despedida nossa, sei lá. Até hoje, sempre que ouço essa música, sinto como se estivesse perto de mim... bom, talvez esteja, mesmo que eu não veja, né? :)

Ah... quanta saudade eu tenho da minha "Dona Benta" nas brincadeiras do Sítio do Picapau Amarelo, que fazia "Mary Poppins" para o lanche, com quem eu passeava por Botafogo, indo até a Mena comprar roupinhas para boneca, ou até a Sears (parando para um sanduíche de sorvete no caminho). Minha "Vovinha Baixinha"... apelido cheio de carinho que lhe dei ainda menina e que você gostava tanto... que brincava comigo de bola, de "mamãe posso ir", e de tantas outras coisas, no pátio da Estácio Coimbra... quantas lembranças e quanta saudade!!!

Vovinha... hoje o dia aí é de festa, de celebração! Então receba meu amor, meu carinho imenso! Que uma chuva de beijos chegue até você hoje, tá? AMO MUITO VOCÊ!

Andréa


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E o ano que não tinha fim... chega ao fim!


Pois é... finalmente chega a hora de 2015 se despedir! Um ano difícil para muitos, tanto que era comentário meio que geral o fato de parecer não acabar nunca! :D Mas acabou, afinal! Daqui a algumas horas ele se despede de vez e abre espaço para um novo começo, para novas esperanças! Como bem escreveu o grande Drummond:
"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. 

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."
É bem isso. A cada "virada de ano" temos a sensação de recomeço, de novas oportunidades, novos sonhos... por mais que seja psicológico, a sensação de alegria, a explosão conjunta com os fogos, é real. A gente começa o ano novo de alma lavada, dando por encerrado um ciclo para iniciar outro, e sempre esperando que seja muito melhor! ;)

Então, deixo para vocês a "Receita de Ano Novo", também de Drummond:

     Para você ganhar belíssimo Ano Novo
     cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
     Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
     (mal vivido ou talvez sem sentido)
     para você ganhar um ano
     não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
     mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
     novo até no coração das coisas menos percebidas
     (a começar pelo seu interior)
     novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
     mas com ele se come, se passeia,
     se ama, se compreende, se trabalha,
     você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
     não precisa expedir nem receber mensagens
     (planta recebe mensagens?passa telegramas?).
     Não precisa fazer lista de boas intenções
     para arquivá-las na gaveta.
     Não precisa chorar de arrependido
     pelas besteiras consumadas
     nem parvamente acreditar
     que por decreto da esperança
     a partir de janeiro as coisas mudem
     e seja tudo claridade, recompensa,
     justiça entre os homens e as nações,
     liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
     direitos respeitados, começando
     pelo direito augusto de viver.
     Para ganhar um ano-novo
     que mereça este nome,
     você, meu caro, tem de merecê-lo,
     tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
     mas tente, experimente, consciente.
     É dentro de você que o Ano Novo
     cochila e espera desde sempre.


Que no próximo ano sejamos mais tolerantes, mais amorosos, menos juízes da vida alheia. Que saibamos a respeitar a opinião e a postura de nossos semelhantes, sem tantas críticas, sem nos sentirmos "donos da verdade", sem tanto "mimimi". Que aprendamos a olhar a diversidade com compreensão, aceitação, respeito. Que a inclusão deixe de ser pauta de discussão e se torne realidade. Que os direitos de todos a uma vida digna, plena, seja respeitado. :D 

Um FELIZ 2016 a você e sua família! Que seja um ano de prosperidade, de sonhos realizados, de muita saúde, muita alegria e muito, muito, muito AMOR!

FELIZ ANO NOVO!!!

Eu volto.

Andréa

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Vamos celebrar!!!


Amanhã comemoramos o aniversário de nascimento do Cristo! :D É hora de elevarmos nosso pensamento para lembrar dAquele que veio nos falar de AMOR. Amor de verdade, universal. Amor sem limites, sem preconceitos, sem escolhas. Sentimento tão em falta hoje em dia... tenho falado tanto nisso... que tal aproveitarmos a data para relembrarmos as Suas palavras, as Suas lições, e passarmos a olhar nossos irmãos com mais tolerância e com menos julgamento? 

Antes de pensarmos na ceia, nos presentes, que tal uma oração para agradecermos pelas bênçãos recebidas ao longo do ano? ;) Por mais provações que tenhamos passado (e foi um ano bem complicado para muita gente, em vários sentidos), certamente temos MUITO a agradecer! Cada prova nos traz uma lição, um aprendizado. Cada queda traz uma guinada, um impulso para crescermos ainda mais. Cabe a nós, claro, usar nosso livre-arbítrio para perceber e fazer uso daquilo que nos é mostrado. Afinal, por mais duro que pareça, tenho certeza que nada é à toa, e que jamais recebemos uma carga maior do que nossos ombros podem suportar. E olha... tenho bastante experiência nesse sentido, hein??? ;)

Vamos celebrar! Que Deus abençoe a cada um de vocês, suas famílias, seus entes queridos. Que a noite seja de festa, mas também de festejar Aquele que veio há mais de dois mil anos para nos ensinar que é o AMOR a chave de tudo.

Deixo para vocês um texto de meu pai.

FELIZ NATAL!!!

Eu volto!

Andréa

É NATAL
(R. Tikhomiroff)
É tempo de renascer...
Simbolizado pelo nascimento do Menino-Jesus -  portador da mensagem divina do Amor Universal - o renascimento das esperanças do homem se faz presente em todos os corações...
É tempo de repensar...
Afinal, de que valeu a vinda do Filho de Deus, exemplo de humildade, pureza de espírito, amor e fé, se o homem o esquece a cada dia? Será necessário fixarmos uma data para que, ao menos uma vez ao ano, nos lembremos de tão sublime Ser?
É tempo de reavaliar...
Nossos atos do dia a dia são coerentes com nossa manifestação de alegria a cada Natal? Será hipócrita esta atitude? Temos realmente devoção ao Cristo se o negamos a cada instante, lutando como verdadeiros animais pela nossa sobrevivência? Onde está a verdadeira Fé?
É tempo de arrependimento...
Aproveitemos este Natal - porque não? - para passarmos a limpo nossa consciência, dita cristã, e nos tornarmos realmente merecedores do sacrifício do Cristo. Nunca é tarde lembrar que o nascimento daquela criança, há dois mil anos, foi um ato de Amor ao homem, pois a partir de sua chegada à Terra iniciou-se seu sofrimento por nós.
É tempo de Natal...
Vamos iniciar o cultivo, em nossos corações, do amor a nossos semelhantes, às plantas, aos animais, à Terra e ao Cosmos, pois deles todos somos irmãos perante o Pai único. Que isso aconteça a cada dia, a cada instante, sem a necessidade de nos valermos de datas especiais para nos redirecionar em nossa caminhada. Foi isso e somente isso que nos ensinou o Menino-Jesus...
Tão pouco...e tão infinito!
Feliz Natal!

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Um brinde aos amigos!!!



Hoje é o Dia Internacional da Amizade e eu tenho MUITO a celebrar com cada um de vocês! :D É muito bom ter amigos, de todas as cores, de todos os credos, de todas as épocas, espalhados por todos os cantos! Amigos que surgiram do contato pessoal ou virtual, amigos virtuais que já tive o prazer de conhecer pessoalmente, amigos que permanecem virtuais, esperando uma oportunidade de dar um abraço ao vivo... AMIGOS, simplesmente! :D


Em tempos de tanta intolerância, em que as amizades são desfeitas a um simples "clique do mouse", em que vemos diariamente pessoas anunciando que estão "fazendo faxina nas amizades" por qualquer divergência de pensamento, ter tantos e tão diferentes amigos, é uma bênção ainda maior! :) Uma alegria, de fato.

Eu escrevi recentemente a respeito, e continuo me impressionando a cada dia com a facilidade com que as amizades são descartadas atualmente. Não consigo entender isso! o.O Antigamente as pessoas eram amigas, mesmo pensando diferente do outro. Havia respeito pela diferença, havia tolerância. Hoje não precisa muito para se excluir pessoas do círculo de amizades. Círculo de AMIZADES? Será isso mesmo? Claro que os níveis de amizade variam de acordo com uma série de fatores, e isso influirá no grau de intimidade com o outro, mas é o termo usado de maneira global. 

Agora, há os amigos que são e permanecerão virtuais, porque não há tanta afinidade assim. Há os que se conhece por motivos de estudo, trabalho, mas que não se estreita a amizade por um motivo qualquer. Independente disso, de alguma forma, há uma conexão. Ainda que haja alguma divergência, em algum aspecto os pensamentos coincidem, os caminhos se cruzam. São conhecidos, colegas, que de repente até podem sumir sem que a gente se dê conta de imediato, mas em algum momento sentiremos sua ausência. 

Agora, o AMIGO de verdade, para mim, é aquele que está do lado, para o que der e vier. É aquele que, mesmo que não seja sua "alma gêmea", não pense igualzinho sempre, tem afinidades, tem bom coração, tem caráter. É aquele que, ainda que não se conheça pessoalmente, se pode contar a qualquer momento, está "ali". É aquele que é boa companhia para quando você está a fim de falar besteira e dar risada, ao vivo, por whatsapp, messenger, telefone. Ou para ir ao cinema, ao teatro, ao shopping. Amigo de verdade é aquele que não some da sua vida quando você tem algum problema ou passa alguma dificuldade. Ainda que não seja bom ouvinte (nem todo mundo é), ou mesmo que não fale muito, você sabe que ele está presente, e que conta com ele, nem que seja para enviar uma energia positiva, fazer uma oração. Os outros podem até ser amigos... mas não AMIGOS! ;)

Mas o que percebo, cada dia mais forte, entretanto, é uma fragilidade dos laços tão absurda que, mesmo amizades de anos, com pessoas que já se conhecem até pessoalmente, às vezes entre parentes, são desfeitas com a maior facilidade e sem o menor critério. :( Deleta-se da lista sem o menor remorso, por qualquer motivo.


Que amizade é essa que exclui o outro porque ele gosta de jogar no Facebook e o jogo envia solicitações aos seus contatos? Nem sempre ele pode controlar isso, mas quem recebe pode, sim, bloquear o recebimento das solicitações de forma bem simples! Que amizade é essa que exclui o outro porque ele, inadvertidamente, clicou num link com vírus e acabou reenviando a mensagem para sua rede? Ao invés de avisar o amigo e tentar ajudar, simplesmente se elimina o amigo! Fácil! Que amizade é essa que exclui o outro porque vota diferente, porque tem outra religião, porque tem uma orientação sexual diferente da sua? Que amizade é essa que exclui o outro porque ele não abraça as mesmas causas? Que amizade é essa que exclui o outro porque não gosta do que ele posta na própria página? É amizade mesmo? Acho que não. É número, no máximo. E que não resiste a tanta intransigência... :/

Ao longo da vida, algumas vezes vi amigos se afastarem por motivos diversos. Também eu e meus pais nos afastamos de algumas pessoas por uma ou outra coisa. Mas é tudo detalhe... e detalhe, cada um, tão pequeno que, de coração, não lembro de nenhum! Alguns destes amigos eu pude resgatar através da internet, e foi como se tivéssemos falado há alguns dias apenas! Aquilo que aconteceu lá atrás não teve o MENOR significado! ;) Imagina, então, esses "motivos" de hoje em dia!!! Há!

E é por isso que eu brindo aos amigos! Porque tenho a sorte de ter muitos, de fato! Já tive diversas oportunidades (mais até do que gostaria) de constatar isso! Muitos ainda não tive o prazer de conhecer "ao vivo e a cores", mas hei de conseguir um dia! Muitos já tive essa sorte e foi muito bom!!! Muitos se perderam ao longo da vida mas foram reencontrados com a ajuda da internet! Muitos estão presentes desde sempre e para sempre, se Deus quiser! :D

Este ano mesmo tive algumas oportunidades de abraçar amigos de todas as épocas, de conhecer amigos virtuais, de rever amigos que havia perdido contato e que a internet trouxe de volta... é tão bom!!! 


AMIGOS! :D É por vocês e para vocês esta postagem! Obrigada, de coração, por fazerem parte de minha vida! Eu não precisaria de um dia para celebrar a amizade de vocês, mas já que ele existe, brindemos! Vocês mais que merecem!!!

Feliz Dia Internacional da Amizade para cada um de vocês!!! Tim! Tim!



Eu volto!

Andrea

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Uma saudade de quatro anos...


Hoje faz quatro anos do meu maior pesadelo... :'( Dez anos antes, quando minha mãe partiu, foi tudo muito de surpresa, um susto mesmo, até pela forma como ela foi. Eu nunca tinha, até então, pensado seriamente em ficar sem meus pais e, de repente, um enfarte fulminante a levou. Um "murro na boca do estômago", como meu pai colocou, que nos deixou sem ar, sem chão, num sentido de irrealidade absurdo. 


Eu sempre fui "unha e carne" com minha mãe, nós nos entendíamos de uma forma absurda, pensávamos da mesma maneira, gostávamos das mesmas coisas. Meu pai até me chamava de "advogada" dela, porque sempre lhe dava razão! :D Não a ter ao meu lado, de uma hora para a outra, foi um baque monstruoso! :( Mas eu tinha as meninas muito pequenas, que entendiam a situação menos do que eu, e tinha meu pai ao meu lado. Ainda que tenha ficado em depressão durante um ano e meio, ele estava lá, tentando me dar uma força que ele próprio não possuía. E eu, de minha parte, procurava lhe dar força também, ao mesmo tempo que buscava amparar as meninas.

A aproximação que resultou desta dor foi algo imensurável! Éramos os dois para segurar a barra das pequenas, para segurar a barra de casa, e a ausência de uma verdadeira matriarca. Ainda que ele tenha, durante os anos seguintes, tido relações com outras mulheres, o que existia entre nós era impenetrável, indestrutível. Não havia tabu, não havia assunto proibido. Um apoiava o outro incondicionalmente. 

Assim foi durante dez anos. Comemoramos juntos a vitória do prefeito que apoiávamos em Serra Negra. Vibramos juntos no pentacampeonato. Sofremos juntos quando o sucessor do prefeito foi derrotado. Estávamos juntos quando a Thabata começou a se envolver com drogas. Ele segurando a onda mais do que eu até, porque eu trabalhava fora da cidade e fazia faculdade à noite. Choramos juntos dançando a valsa na minha formatura. E ele me segurou, MUITO, quando aconteceu a primeira enchente em casa...

Eu confesso que, a partir do momento em que minha mãe faleceu o terror de perdê-lo me assombrava, não gostava nem de pensar no assunto. E ele, sendo homem (e bom filho de dona Glacy...), qualquer gripe parecia que estava morrendo, só piorava as coisas! :P Tive muito, muito medo dele não estar presente em minha formatura, como se algo me dissesse que estava próxima a nossa separação física. O discurso de homenagem aos pais, no dia da minha colação, feito por um rapaz que havia perdido o pai quinze dias antes me tocou profundamente, porque temi demais passar por aquilo.

Então, pouco depois do baile e da enchente, a coisa começou a desandar. Uma gripe que não passava, uma internação por causa de anemia levantando a suspeita de um tumor, cada hora uma coisinha que ia surgindo, uma nova internação... um período terrível, que durou pouco mais de um mês (mas pareceu bem mais) e que acabou por levá-lo. :'(

Jamais me rebelei... ao contrário: agradeci e agradeço a Deus diariamente por não tê-lo deixado sofrer. Aqueles poucos/tantos dias foram enfrentados com uma valentia típica daquele que me dava força com duas palavras decisivas: "tenha Fé". Ainda hoje, quando algum percalço da vida me atropela, pareço escutá-lo: "tenha Fé". :)

De uma hora para outra eu me vi no "topo da pirâmide", responsável única e exclusiva pela família. Com uma irmã meio descabeçada, uma sobrinha chegando ao fundo do poço por conta das drogas (e sentindo demais a perda do seu referencial masculino), e uma outra que se mostrou, mais uma vez, minha parceira de vida!  Foi com o apoio da Samara, ainda só uma menina, que segurei a barra da internação da Thabata, a perda da minha Milla, a segunda enchente, e a terceira também, mais todo o baque financeiro que resultou disso. Como sobrevivi a tanta coisa? Ouvindo (e seguindo à risca) as duas palavrinhas mágicas de meu pai: "tenha Fé"! ;)

Eu SEI que ele (assim como minha mãe) está sempre por perto, olhando por nós. Mas como faz falta poder FALAR, poder ABRAÇAR, poder OUVIR... sem contar que em determinados momentos parece que tudo retorna, né? Outro dia cheguei em casa e me peguei pensando: "nossa, que bom que cheguei cedo, posso ligar para o meu pai"! Oi??? Claro, ele devia estar próximo... mas o emocional balança nessas horas, viu? :/

Óbvio que a dor, a esta, altura já diminuiu e se tornou uma saudade que permite lembrar dele achando graça das suas "bobagens", rindo das suas palhaçadas, sentindo ternura pelos pequenos carinhos que ele colocava em cada gesto, cada palavra. Os emails assinados com "bjs, Papai", o jeito dele me olhar dizendo "tá bonita", o café com pão na chapa na padaria (que o "língua de amianto" bebia de uma golada!), as idas para Amparo para trabalhar, reparando nas árvores do caminho ("o velho" era a sua preferida)... tantos pequenos/grandes detalhes! 

É uma saudade que a cada 06 de maio se renova... 

Ah, mas não pensem vocês que eu estou triste ou deprimida. De forma alguma!!! Sou filha de "seu" Ronaldo e "dona" Solange, isso não me pertence! ;) Apenas hoje é dia de lembrar daquele que foi meu maior e melhor amigo. É dia, até mesmo, de deixar correr algumas lágrimas por aquele para quem "nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito, nada é maior que o meu amor, nem mais bonito". ;)


Amo MUITO você, meu pai! Um dia a gente se encontra, certeza!!!

Andrea

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Tancredo... trinta anos


Hoje faz 30 anos que perdemos um grande líder. Um líder que nos livrou da ditadura militar e que acabou falecendo sem assumir a presidência. :'(  Como teria sido se ele tivesse sido empossado? Quem pode saber? Mas a esperança por dias melhores era grande... e vendo pessoas hoje pedindo a volta da ditadura, torna-se impossível não lembrar daquela época. Da união popular em prol de um sonho de democracia. Retroceder será a solução? Aquela luta toda foi em vão?

Em janeiro, quando se comemorou os 30 anos da eleição no Colégio Eleitoral, que elegeu Tancredo Neves, tive a oportunidade de assistir um filme maravilhoso, que retrata aquela época em detalhes, e que deixo aqui para quem se interessar em relembrar ou conhecer uma fase riquíssima de nossa História. ;)



A quantidade de lembranças que este filme me trouxe, a quantidade de emoções que revivi... eu tinha apenas 13 anos quando o processo de redemocratização do Brasil se iniciou, mas lembro muito vivamente de tudo o que aconteceu. Da ditadura, propriamente dita, sei pelos comentários de meus pais, que viveram aqueles anos tão complicados, viram amigos sofrerem as sanções impostas pelo governo, pessoas desaparecerem por serem consideradas "subversivas", a censura implacável de nossos artistas... ainda assim, um fato me marcou, quando tinha 12 anos, e que representa, bem de leve, o tamanho dos absurdos vivenciados naqueles tempos.

Era final do governo Figueiredo, e a ditadura àquela época já estava bem mais "light". Ainda assim, vivenciei uma situação na escola que foi, no mínimo, surreal. Eu estava na 6ª série, e estudava a disciplina de Educação, Moral e Cívica. Quem lembra dessa "delícia"? :/ Chega final do ano descubro, surpresa, que havia pegado recuperação na bendita. Não que fosse uma excelente aluna, ficava na média, mas não esperava por aquilo, lembrava que tinha feito a prova com tranquilidade, então meu pai foi à escola e pediu vistas à prova. 

A prova era inteira de questões do tipo "qual sua opinião sobre", "o que você pensa a respeito de", como alguém poderia dizer se estava certo ou errado? :/ Obviamente, ele questionou a escola, e recebeu a resposta de que eu deveria ter respondido "como estava no livro". Ele ficou revoltado! Oras, se a escola queria a opinião do autor, que colocasse as questões de outra maneira! Ainda foi mais contundente, disse que em casa estávamos acostumados a pensar por conta própria e não por imposição dos outros. Milagrosamente, depois disso tirei uma nota bem alta na prova de recuperação... :)

Mas era essa a realidade daquela época. Só se podia "abrir a boca" para falar aquilo que os militares aprovavam. Quem fosse contra estava sujeito à prisão, tortura, exílio, a desaparecer sem deixar rastros! Então, no ano seguinte, 1984, iniciou-se uma campanha em favor das eleições diretas, para que o povo pudesse finalmente eleger seus governantes. Foram diversos comícios desde o início do ano, "explodindo" no mês de abril em manifestações gigantes na Candelária (RJ) e no Vale do Anhangabaú (SP). O povo vestindo amarelo, batendo panelas, lutava pelo direito ao voto. :D

Na véspera da votação da emenda à Constituição vigente, de autoria de Dante de Oliveira, um panelaço pedia a sua aprovação. Lembro tanto dessa votação... meu pai estava em Brasília, em alguma reunião por causa da Telesp, onde trabalhava, e não conseguia acompanhar. Eu e minha mãe assistimos juntas à transmissão, voto a voto, sentadas na cama dela e ele ligando, de tempos em tempos, querendo saber o resultado. A emenda foi recusada, claro. :(

Mas o povo não se calou, nem parte dos políticos que se uniram para lançar a candidatura de Tancredo Neves à presidência. Seu opositor? Paulo Maluf! Aquele mesmo que hoje se diz democrata, foi candidato pelo lado dos militares! Afora tudo o que pesa contra ele, só este fato já é motivo de sobra para eu jamais querer nem ouvir falar neste senhor! :/ No final de 1984 aprovou-se, ao menos, que a eleição no Colégio Eleitoral fosse aberta. O povo saberia, portanto, o voto de cada um dos deputados.

E assim foi... impossível esquecer aquele 15/01/1985... nós voltávamos de férias do Rio para São Paulo, pela Dutra, com o rádio ligado acompanhando a votação. Tínhamos receio, é fato, de que uma vitória de Maluf desencadeasse uma revolta popular, e corríamos o risco de chegar em meio à confusão. Então, cada voto para Tancredo aumentava nossa animação! Lá pelas tantas, paramos em um posto de gasolina, para um lanche, banheiro, mas faltavam apenas dois votos para que ele se sagrasse vencedor. Meu pai não nos deixou sair até que estivesse tudo certo! Entramos na lanchonete na maior festa, todo mundo comemorando!!!  :D :D :D Era o fim da ditadura militar! Yes! :D

A ansiedade pela posse de Tancredo, a ser realizada em 15/03 chegava a ser palpável! Entretanto, na véspera, fomos todos surpreendidos por sua internação para uma cirurgia de emergência. :( Assumiu em seu lugar José Sarney, o vice, mas a esperança era de que fosse algo passageiro, rápido, pois Tancredo ficaria curado e assumiria o cargo que lhe era de direito. Ledo engano... ao invés de melhorar, as pioras foram se sucedendo... novas cirurgias, transferência para São Paulo... a cada vez que tocava aquela "bendita" musiquinha do plantão da Globo o coração ia à boca! Tenho trauma desta música até hoje! :'(

Em 21 de abril, aniversário de minha tia, passamos o dia fora. Vimos o boletim antes de sair, vimos novamente quando chegamos em casa, e a situação se mostrava irreversível. O clima estava pesado, todos aguardando o desfecho que se mostrava inevitável. Lembro que fui me deitar apreensiva, e não custou muito para ouvir, mais uma vez, aquela música do plantão.   :( Do meu quarto, ouvi as palavras de Antonio Britto, que tanto temia e que jamais esqueci: "Lamento informar que o excelentíssimo senhor presidente da República, Tancredo de Almeida Neves, faleceu esta noite, no Instituto do Coração, às 10 horas e 23 minutos".

Em seguida, entrou a Fafá de Belém cantando o Hino Nacional de uma forma tão bela quanto emocionante, enquanto as lágrimas de todos em casa rolavam soltas. :'(

Eu volto.

Andrea

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