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Já são 15 anos de saudade...


15 anos... quinze longos anos em que sua ausência se faz presente em nossas vidas. Como nos faz falta até hoje! Como nos faz falta agora, que recebemos Gregório! Puxa vida... além de curtir horrores o bisnetinho, primeiro menino na família, ainda nos ajudaria tanto, com sua experiência, seu conhecimento, sua serenidade!!! :/

Mas você foi apressada, né? Resolveu "se mandar" cedo, abraçar tarefas maiores, em outros níveis... ;) a nós cabe aguentar a saudade, torcer para conseguir sonhar - e lembrar! - com você, aguardar uma notícia por algum meio. Não é fácil, sabe? Para mim, então, que sempre fui tão ligada a você (sua advogada, segundo papai! :P ), tem horas que se torna dificílimo! São tantas as lembranças... tantas "pequenas coisas" do dia-a-dia, que eram só nossas, da nossa amizade, da nossa cumplicidade, que olha... ainda hoje bate um vazio imenso certas horas! Claro que muitas vezes as lembranças vêm acompanhadas de muitas risadas, afinal, suas crises de "Solangite" davam uma enciclopédia! O seu bom humor, sua alegria, eram contagiantes! Mas tem momentos em que a falta é sentida de verdade, em momentos simples, como assistindo a um programa de TV que víamos juntas, ao ver uma notícia que certamente comentaríamos, ao ouvir uma música que gostava... ao abrir o seu caderno de poesias e encontrar sua letra (e sua inspiração) tão linda!

A cada dia que passa me percebo mais parecida com você. Fisicamente sou mesmo, óbvio... até o Facebook quer me marcar em fotos suas! :D Mas no jeito também, na personalidade... me vejo tomando atitudes, agindo, como você faria. Às vezes chego a lhe reconhecer em algum gesto meu, num sorriso. Eu só espero conseguir espelhar também o mesmo caráter, a mesma postura, a mesma hombridade com que sempre pautou sua vida. Eu tento, pelo menos, seguir seus ensinamentos, seus passos.

O meu amor por você é tão grande, mãe, que nem dá para explicar, mensurar. A saudade, então, é enooooooooooooorme de grande! Mas eu entendo, como entendi desde o princípio (ainda que não goste nem um pouco disso... humpf!), que era especial demais para esse nosso mundinho, e que Deus precisava de alguém como você por perto, nesse momento de caos que o planeta atravessa. Uma pessoa capaz de expressar em palavras como a dessa poesia, que deixo no final, toda sua sensibilidade, espiritualidade. Então... vamos nos encontrando nos sonhos, não é? ;)

Que seu caminho seja sempre de muita Luz, minha mãezinha... e que possamos nos reencontrar um dia, para matarmos toda essa saudade que machuca tanto ainda.

AMO MUITO VOCÊ!

Beijos!

Andréa

O HOMEM
(Solange Tikhomiroff - 03/04/1990)

A soberba do homem é tamanha
Que tudo que ele vê como façanha
É patético, triste e ilegal...

A matança de animais sem piedade
Para alimento ou pura vaidade
O afasta sempre mais do ideal

A ganância do homem é sem limite
Seja qual for o lugar em que habite
Traz consigo destruição e dor...

Põe fronteiras e muros onde passa
Arrasa tudo que recebeu de graça
E que Deus repartiu com puro amor

A vaidade do homem é tão incrível
Que ele cré que tudo é possível
Porque ele é "poderoso" e "inteligente"...

Não existem muitos seres evoluídos
Neste planeta de sonhos destruídos
Pela falta de amor e falsas ciências!

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Há cinco anos que a saudade só cresce...


Há cinco anos eu vivia meu maior pesadelo... aquilo que mais temia, e que de certa forma adivinhava sem querer acreditar aconteceu. Há cinco anos você seguia seu caminho e ia ao encontro de minha mãe. Há cinco anos precisei começar a me reinventar, tornando-me, de repente, a "cabeça" da família. Há cinco anos, em meio ao turbilhão causado pela enchente do início do ano, somado à dependência química da Thabata, precisei levar à risca o tal "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima".

Não havia tempo para baquear. Não havia tempo para revoltar. Não havia tempo para racionalizar. Não foi nada fácil.  A sua partida repentina me devastou. Abriu um buraco imenso em minha vida, e na vida das meninas também. Não há como negar, a ausência física dói demais, a tristeza é inevitável e imensurável.  :'(

Mas eu não seria filha de Ronaldo e Solange se me permitisse entregar a essa dor sem tamanho. Não teria aprendido a lição de Fé, que sempre me ensinaram, se não fosse à luta imediatamente. Ok... o fato de compreender as leis espirituais ajudaram um bocado, impediram que houvesse revolta, facilitaram a aceitação. Mas também este conhecimento devo a ambos. ;) 

Foi tirando força da força que me ensinaram a ter que superei a dor, que segurei a barra da internação da Thabata, que enfrentei as enchentes no outro ano, que encarei uma mudança de cidade para ser promovida no banco, que tenho pautado todas as decisões de minha vida. Só espero não os estar decepcionando! ;)

Sabe, pai? Ainda hoje me pego querendo falar com você. Querendo ligar, pedir opinião, ouvir sua voz. Querendo um abraço como este da foto. Essa falta de contato é que maltrata. A saudade, nestes cinco anos, só fez crescer. A gente "acostuma", é verdade. Conforme passa o tempo, a saudade vai ficando mais "leve". Mas determinados momentos tudo é reavivado, e a "ficha" volta a cair como se tivesse acabado de acontecer. Como há algum tempo que cheguei em casa e pensei "que bom que cheguei cedo, posso ligar para o meu pai"... :( É... nesse dia desabei legal. Mas é que a saudade é grande demais, sabe?

Só que o dia hoje não é de tristeza, porque foi o dia em que alcançou aquilo que almejou por dez anos. O dia que reencontrou seu grande amor. O dia que se libertou de uma doença, que não sabemos ao certo o que era, mas que vinha lhe maltratando e podia maltratar ainda mais. O dia do seu REnascimento, na sua verdadeira morada. E é por ter certeza de que está bem, e que está feliz, que eu agradeço diariamente por ter ido da forma como foi. Rápido, sem grandes sofrimentos, em paz. Você merecia isso. Era É um grande sujeito. E eu AMO VOCÊ, com uma intensidade absurda. A saudade? Essa permanece, claro. E cresce, diariamente. Mas eu sei que é temporário, e em algum momento iremos nos reencontrar e dar muitos abraços, ainda mais felizes do que o desta foto aí. (e depois você vai apanhar um bocado por ter me deixado aqui tão cedo, viu??? :P )

Para festejar sua data, vou finalizar com um texto seu, que faz tempo que não publico, né?

"Nunca se esqueça, nem um segundo, que eu tenho o amor maior do mundo... como é grande o meu amor por você!"

Beijos, paizinho! AMO, AMO, AMO, AMO, AMO muito você!!!

Andréa

COMO SOMOS PEQUENOS...
(Ronaldo Tikhomiroff)

Desde o dia em que o homem percebeu sua superioridade sobre os demais companheiros da Natureza, fruto de uma capacidade de raciocínio inexistente em outras espécies, começou a cavar sua própria desgraça. Ao se sentir superior aos demais, ele se intitulou o senhor da Terra e a destruiu. Trouxe o extermínio de espécimes que aqui viviam sem incomodá-lo, trouxe a devastação das matas que só lhe ofereciam as condições mínimas de sobrevivência, trouxe a demarcação das terras a nós cedidas por Vontade Superior...e com isso, as guerras.

Não satisfeito, criou o dinheiro e distorceu sua finalidade. Da praticidade da moeda, surgiram a ganância, a corrupção, a extorsão, o roubo e o domínio dos mais ricos sobre os “menos favorecidos”. Apesar de todos serem frutos de uma mesma origem, o homem inventou o “sangue azul” e, com isso, criou as “famílias reais” que passaram a ser adoradas pelos chamados plebeus, na verdade gente da mesma espécie humana daqueles sanguessugas. Esqueceu-se de tudo aquilo que compunha, na verdade, sua essência. Esqueceu-se de amar o próximo e a si mesmo. Tornou-se um ser danoso a todas as espécies vivas, a toda a Natureza e...com toda sua inteligência...danoso à sua própria sobrevivência.

Ao tomar conhecimento das conseqüências da crise no nosso sistema de saúde, com greves paralisando hospitais, com doentes implorando por assistência médica, deitados no chão frio dos corredores de hospitais, chego a me envergonhar de minha condição de ser humano, de certa forma parceiro desses que demonstram um total desprezo pela vida humana. A que ponto chegou o ser humano, principalmente aquele que, pelo menos nas aparências, abraça uma profissão para ajudar a aplacar o sofrimento de seus semelhantes. Vira-lhes as costas pelo mais vil dos motivos: o dinheiro. Aquele mesmo dinheiro que levou Cristo ao sacrifício da cruz.

Como pode dormir sossegado um médico que se recusa a atender seus irmãos que sofrem, simplesmente porque não poderá somar um pouco mais a seu patrimônio? Como pode alguém usar a vida humana, não a sua, para barganhar um aumento salarial ou melhores condições de trabalho? Mesmo que a falta deste aumento signifique provações para si e sua família, certamente não pode ser trocado pelas vidas humanas que deveriam estar sob seus cuidados. Seus motivos, em princípio justos, deixam de existir, face à barbaridade infringida a seus semelhantes, que nele depositam suas próprias vidas.

Se a estrutura governamental não consegue, ou não se propõe a resolver o problema da saúde, é justo tal conta ser paga com a vida de pessoas que sequer contribuíram para tal problema? Da mesma forma que a atitude dos governantes é deplorável, também o é a daqueles que, por obrigação moral, pelo menos, deveriam estar nas frentes de batalha, socorrendo com muito amor a todos que deles necessitam. O que está faltando é exatamente isto:  AMOR!

Quantos indivíduos, que nada fazem de útil na vida, seja por se encontrar em posição financeira elevada, seja por vagabundagem, estão tomando conhecimento da situação caótica da saúde e sequer movem um dedo para tentar aplacar o sofrimento dos mais carentes? Como pode o sistema governamental falar em telefonia celular ou casa informatizada em um país onde os cidadãos são submetidos a situações humilhantes e degradantes por falta de lençóis nos hospitais? quantos lençóis a “socialite”, que nada faz na vida senão “badalar”, costuma usar para dormir? onde está o amor ao próximo? onde está a dignidade humana? quando o homem vai acordar e se tornar grande perante seu Criador?

Após resolvida a greve irresponsável na saúde, sejam quais forem os resultados, quem será o responsável pelas mortes e lesões irreversíveis dos inocentes que ficaram perambulando, implorando um atendimento médico? será você, DOUTOR? ou será melhor você rasgar seu diploma e se dedicar a trinchar carne em um matadouro? afinal, que diferença existe? se hoje você ocupa uma posição privilegiada na sociedade, esteja certo que sua prestação de contas perante o Pai não será diferente da de todos os seus irmãos que hoje você ignora. Porém você terá uma grande surpresa: será julgado com todo o amor que hoje você negou a seus semelhantes. Isto não é uma ameaça. É uma certeza irreversível.

Este é mais um momento para refletirmos. De nada adianta nossa indignação pelos fatos que ocorrem em nossa volta se não procurarmos crescer. É no crescimento interior do ser humano que reside a cura para os males criados pelo próprio homem. De nada vale criticarmos os fracos de espírito, se viramos as costas para aqueles que precisam de nosso auxílio. Pois são os fracos de espírito os que mais necessitam de auxílio.

Na atual conjuntura mundial, onde a degradação do ser humano se evidencia a cada instante e em cada rincão da Terra, é necessário, é urgente que todos aqueles que possuam um mínimo de discernimento sobre seu papel, sobre seus deveres enquanto ser humano, reconheçam os erros e procurem minimizar a miséria humana. Aqueles que possuem o privilégio de reconhecer seus próprios erros, de tentar corrigi-los a cada queda, se tornam grandes perante os infelizes que sequer enxergam a razão de sua própria existência e que precisam de luz para, pelo menos, saberem onde estão pisando e para onde estão se dirigindo.

É essencial que o homem do final do século XX reconheça quanto é pequeno em suas atitudes e que, através do caminho interno, buscando sua essência, procure crescer e se tornar digno de seu Criador.

A tempo: mais uma criancinha morreu por falta de atendimento médico na rede pública...Que Deus perdoe os fracos de espírito!

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20 anos sem minha Vovinha Baixinha...



Que loucura como passa o tempo... 20 anos! Você foi a última dos quatro avós a nos deixar, e para mim a mais difícil, com toda a certeza. Não porque gostasse mais de você que dos outros, mas porque era com quem tinha mesmo mais afinidade. Era com quem ficava à vontade para conversar sobre qualquer assunto. Um encontro de almas, realmente.

Quando, em 1993, vovô "abriu a fila", indo embora daquela forma tão repentina, você já estava doente. Já vinha lutando há tempos, chegou a ficar sem andar e ele lhe fez ficar de pé novamente. E, quando conseguiu... se mandou e nos deixou falando sozinhos. :( Não esqueço jamais a visão da sua chegada para a despedida dele... tão pequenina, tão frágil, que eu jurava que não chegaria nem ao dia seguinte. Mas qual! Era uma LEOA mesmo, guerreira, valente, que nos disse que ele havia lutado para lhe ver de pé e que você não iria cair! :D Lutou ainda três anos, jamais se entregou, mas a "bendita" muitas vezes é implacável. 

A sua "fase final" foi sofrida... mas nem assim você esmoreceu. Não pude estar mais perto de você nesse período, porque tínhamos a loja, que segurei para mamãe ficar ao seu lado, Alessandra estava esperando a Thabata, chegou a ter ameaças de parto prematuro, Samara era pequenina, menos de 2 anos... mas estávamos juntas, como sempre estivemos. Em alma, em coração. E continuamos assim! ;)

Samara foi um capítulo à parte. Ela amava tanto, tanto, tanto a Bisa dela... como esquecer você levantando para ir ao banheiro e ela lhe dando a mãozinha para ajudar, e esperando do lado de fora para lhe acompanhar de volta ao sofá? ;) Tinha um cuidado, uma delicadeza com você, que emocionava a quem via! Quando você foi para o hospital ela ficou super mal humorada, mexida mesmo... um dia, quando mamãe voltou para casa depois de passar a noite com você, ela mostrou uma foto sua com vovô e disse "o biso 'perando a bisa, casa dela"... :'( Como podia, tão pequena, saber tanto???

E na noite de sua partida ela sentiu... chamou muito você enquanto dormia. Depois soube por mamãe que você a chamava também. Depois da notícia da sua partida, ela parecia outra, alegre, como que aliviada por lhe ver livre da dor. Coisas que ninguém explica! ;)

Naquela fase, a música "Se todos fossem iguais a você" se tornou uma constante em minha cabeça... era como se eu a cantasse para você. Na última noite, não conseguia "desligar o som", ela ficou constante, uma despedida nossa, sei lá. Até hoje, sempre que ouço essa música, sinto como se estivesse perto de mim... bom, talvez esteja, mesmo que eu não veja, né? :)

Ah... quanta saudade eu tenho da minha "Dona Benta" nas brincadeiras do Sítio do Picapau Amarelo, que fazia "Mary Poppins" para o lanche, com quem eu passeava por Botafogo, indo até a Mena comprar roupinhas para boneca, ou até a Sears (parando para um sanduíche de sorvete no caminho). Minha "Vovinha Baixinha"... apelido cheio de carinho que lhe dei ainda menina e que você gostava tanto... que brincava comigo de bola, de "mamãe posso ir", e de tantas outras coisas, no pátio da Estácio Coimbra... quantas lembranças e quanta saudade!!!

Vovinha... hoje o dia aí é de festa, de celebração! Então receba meu amor, meu carinho imenso! Que uma chuva de beijos chegue até você hoje, tá? AMO MUITO VOCÊ!

Andréa


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14 anos de saudade...


Caramba... quando penso nem acredito que já faz tanto tempo... 14 anos!!! 14 anos do maior susto da minha vida! De repente, do nada, cadê? Já tinha pegado carona na cauda do cometa, e nos deixado aqui, "falando sozinhos"! :/ 

Que loucura foi aquilo... tudo muito rápido, de uma hora para a outra me vi sem meu esteio, minha melhor amiga... e ainda tendo que segurar a onda de um pai com coração dilacerado, e duas crianças que não entendiam como que a vovó Solange podia não estar mais em casa... :( Não que eu tenha me rebelado, ao contrário. Sempre fui grata por não ter lhe visto sofrer. Sempre fui grata por saber que você teve merecimento para ir assim... como passarinho.

Aos poucos fui percebendo que você sabia... ainda que não fosse consciente, você SABIA! E tentou nos preparar, como se isso fosse possível. Foi delegando as tarefas que costumava centralizar, dividindo-as entre nós. Falou para o papai que sabia que ele não conseguiria ficar sozinho, mostrando que entendia a necessidade dele, de ter companhia. ;) Falou que se preocupava comigo, de eu precisar, de repente, cuidar das meninas, porque Alessandra não tinha cabeça... nesse dia eu senti, e desabei, mas você me tranquilizou dizendo que não pretendia ir embora tão cedo... (humpf!)

Foi sua partida que me aproximou dele. Afinal, éramos as duas tão inseparáveis, tão iguais, tão parceiras, que ele acabava ficando "de lado", Era sempre "voto vencido", já que pensávamos da mesma forma. Ele chegava a me chamar de sua "advogada"!!! :D

Mas a nossa proximidade era algo muito forte! Tanto que nunca tive dificuldade alguma de lhe comprar presente, era só eu gostar que, certamente, você gostaria! (Já meu pai... chaaaaaato...) Como esquecer as noites regadas a música, filmes, Rummikub, Trívia? Os "xingos" diferentes buscados no dicionário para implicar uma com a outra??? :D Como esquecer as "Solangites", que até hoje me divertem imensamente cada vez que lembro??? Você foi É única! Inesquecível, insuperável!

Com você aprendi a ter Fé, com os dois pés à frente. Confiar, porque "tudo vai valer a pena"! (e é bom falar aí para capricharem, porque estão abusando... ;) ) A sua espiritualidade era algo imensurável. Bom, filha de "seu" Elmo e "dona" Haydée, a leoa... nem podia ser diferente!!! Uma base que me deu uma força que eu desconhecia, que duvidava possuir. Uma base que se mostrou sólida o bastante para não me deixar desabar, nem nos piores momentos!

Eu só tenho a agradecer. Agradecer pela mãe incrível que Deus me deu. Agradecer pela mulher íntegra, exemplo de caráter, que me estruturou para a vida. Agradecer pela amiga maravilhosa que esteve junto a mim SEMPRE. Agradecer pelas risadas, pelas conversas, pelo carinho, Agradecer pelo anjo da guarda que ganhei há 14 anos.

O único problema é a saudade... que apesar de mais "tranquila", continua imensa, e cresce diariamente há 14 anos...

"Eu sei que vou te amar... por toda a minha vida eu vou te amar..." :D

AMO MUITO VOCÊ, mãezinha!!! E sonho com o dia que poderei lhe dar um SUPER abraço!!!

Andrea



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Uma saudade de quatro anos...


Hoje faz quatro anos do meu maior pesadelo... :'( Dez anos antes, quando minha mãe partiu, foi tudo muito de surpresa, um susto mesmo, até pela forma como ela foi. Eu nunca tinha, até então, pensado seriamente em ficar sem meus pais e, de repente, um enfarte fulminante a levou. Um "murro na boca do estômago", como meu pai colocou, que nos deixou sem ar, sem chão, num sentido de irrealidade absurdo. 


Eu sempre fui "unha e carne" com minha mãe, nós nos entendíamos de uma forma absurda, pensávamos da mesma maneira, gostávamos das mesmas coisas. Meu pai até me chamava de "advogada" dela, porque sempre lhe dava razão! :D Não a ter ao meu lado, de uma hora para a outra, foi um baque monstruoso! :( Mas eu tinha as meninas muito pequenas, que entendiam a situação menos do que eu, e tinha meu pai ao meu lado. Ainda que tenha ficado em depressão durante um ano e meio, ele estava lá, tentando me dar uma força que ele próprio não possuía. E eu, de minha parte, procurava lhe dar força também, ao mesmo tempo que buscava amparar as meninas.

A aproximação que resultou desta dor foi algo imensurável! Éramos os dois para segurar a barra das pequenas, para segurar a barra de casa, e a ausência de uma verdadeira matriarca. Ainda que ele tenha, durante os anos seguintes, tido relações com outras mulheres, o que existia entre nós era impenetrável, indestrutível. Não havia tabu, não havia assunto proibido. Um apoiava o outro incondicionalmente. 

Assim foi durante dez anos. Comemoramos juntos a vitória do prefeito que apoiávamos em Serra Negra. Vibramos juntos no pentacampeonato. Sofremos juntos quando o sucessor do prefeito foi derrotado. Estávamos juntos quando a Thabata começou a se envolver com drogas. Ele segurando a onda mais do que eu até, porque eu trabalhava fora da cidade e fazia faculdade à noite. Choramos juntos dançando a valsa na minha formatura. E ele me segurou, MUITO, quando aconteceu a primeira enchente em casa...

Eu confesso que, a partir do momento em que minha mãe faleceu o terror de perdê-lo me assombrava, não gostava nem de pensar no assunto. E ele, sendo homem (e bom filho de dona Glacy...), qualquer gripe parecia que estava morrendo, só piorava as coisas! :P Tive muito, muito medo dele não estar presente em minha formatura, como se algo me dissesse que estava próxima a nossa separação física. O discurso de homenagem aos pais, no dia da minha colação, feito por um rapaz que havia perdido o pai quinze dias antes me tocou profundamente, porque temi demais passar por aquilo.

Então, pouco depois do baile e da enchente, a coisa começou a desandar. Uma gripe que não passava, uma internação por causa de anemia levantando a suspeita de um tumor, cada hora uma coisinha que ia surgindo, uma nova internação... um período terrível, que durou pouco mais de um mês (mas pareceu bem mais) e que acabou por levá-lo. :'(

Jamais me rebelei... ao contrário: agradeci e agradeço a Deus diariamente por não tê-lo deixado sofrer. Aqueles poucos/tantos dias foram enfrentados com uma valentia típica daquele que me dava força com duas palavras decisivas: "tenha Fé". Ainda hoje, quando algum percalço da vida me atropela, pareço escutá-lo: "tenha Fé". :)

De uma hora para outra eu me vi no "topo da pirâmide", responsável única e exclusiva pela família. Com uma irmã meio descabeçada, uma sobrinha chegando ao fundo do poço por conta das drogas (e sentindo demais a perda do seu referencial masculino), e uma outra que se mostrou, mais uma vez, minha parceira de vida!  Foi com o apoio da Samara, ainda só uma menina, que segurei a barra da internação da Thabata, a perda da minha Milla, a segunda enchente, e a terceira também, mais todo o baque financeiro que resultou disso. Como sobrevivi a tanta coisa? Ouvindo (e seguindo à risca) as duas palavrinhas mágicas de meu pai: "tenha Fé"! ;)

Eu SEI que ele (assim como minha mãe) está sempre por perto, olhando por nós. Mas como faz falta poder FALAR, poder ABRAÇAR, poder OUVIR... sem contar que em determinados momentos parece que tudo retorna, né? Outro dia cheguei em casa e me peguei pensando: "nossa, que bom que cheguei cedo, posso ligar para o meu pai"! Oi??? Claro, ele devia estar próximo... mas o emocional balança nessas horas, viu? :/

Óbvio que a dor, a esta, altura já diminuiu e se tornou uma saudade que permite lembrar dele achando graça das suas "bobagens", rindo das suas palhaçadas, sentindo ternura pelos pequenos carinhos que ele colocava em cada gesto, cada palavra. Os emails assinados com "bjs, Papai", o jeito dele me olhar dizendo "tá bonita", o café com pão na chapa na padaria (que o "língua de amianto" bebia de uma golada!), as idas para Amparo para trabalhar, reparando nas árvores do caminho ("o velho" era a sua preferida)... tantos pequenos/grandes detalhes! 

É uma saudade que a cada 06 de maio se renova... 

Ah, mas não pensem vocês que eu estou triste ou deprimida. De forma alguma!!! Sou filha de "seu" Ronaldo e "dona" Solange, isso não me pertence! ;) Apenas hoje é dia de lembrar daquele que foi meu maior e melhor amigo. É dia, até mesmo, de deixar correr algumas lágrimas por aquele para quem "nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito, nada é maior que o meu amor, nem mais bonito". ;)


Amo MUITO você, meu pai! Um dia a gente se encontra, certeza!!!

Andrea

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20 anos sem meu radinho...



Pois é, vô... hoje faz 20 anos que resolveu ir atrás da sua Glacynha! Como passa o tempo... mas você tinha um jeito muito especial de ser, que era marcante demais!!! Impossível lhe esquecer! Quanta saudade... "puuuuuuuuuuuxa!" <3 p="">

E, mesmo tendo passado tanto tempo, ainda me emociono quando ouço alguma canção em russo! Ou não era você o meu "radinho oficial"? Quantas vezes estávamos conversando e de repente você começava a cantarolar "Ochi chernye", "Stenka razin", e tantas outras?  :)

Enrolava a gente até dizer chega quando o assunto era idade... enrolava a vovó fingindo não escutar quando ela começava a reclamar (e ainda dizia que "às vezes era melhor não ouvir!")... fazia eu assar bolos para você, porque ninguém mais acertava a receita... abusava do Geraldo, fazendo lhe levar para comer tudo que a vovó não deixava... (a não ser quando ela queria bater perna no shopping, porque aí deixava você ficar em alguma lanchonete para não reclamar! :D )

E a essa altura já deve estar balançando a cabeça e dizendo: "tudo mentira! Tuuuudo mentira!" :D

Figura você, viu? Quanta saudade!!! Para lhe homenagear, fui atrás da letra de "Ochi Chernye" e coloquei no scrap! 

Очи чёрные, очи жгучие, Очи страстные и прекрасные, Как люблю я вас, как боюсь я вас, Знать увидел вас я не в добрый час.
Очи чёрные, очи пламенны И монят они в страны дальные, Где царит любовь, где царит покой, Где страданья нет, где вражды запрет.
Очи чёрные, очи жгучие, Очи страстные и прекрасные, Как люблю я вас, как боюсь я вас, Знать увидел вас я не в добрый час.
Не встречал бы вас, не страдал бы так, Я бы прожил жизнь улыбаючись, Вы сгубили меня очи черные Унесли на век моё счастье.
Очи чёрные, очи жгучие, Очи страстные и прекрасные, Как люблю я вас, как боюсь я вас, Знать увидел вас я не в добрый час.

Vamos facilitar um pouco??? :D

Ochi chyornye, ochi strastnye,Ochi zhguchie i prekrasnye,Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas,Znat' uvidel vas ya ne v dobryy chas.
Ochi chyornye, ochi plamenny,I monyat oni v strany dal'nye,Gde tsarit lyubov', gde tsarit pokoy,Gde stradan'ya net, gde vrazhdy zapret.
Ochi chyornye, ochi strastnye,Ochi zhguchie i prekrasnye,Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas,Znat' uvidel vas ya ne v dobryy chas.
Ne vstrechal by vas, ne stradal by tak,Ya by prozhil zhizn' ulybayuchis',Vy sgubili menya ochi chernyeUnesli na vek moyo schast'e.
Ochi chyornye, ochi strastnye,Ochi zhguchie i prekrasnye,Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas,Znat' uvidel vas ya ne v dobryy chas.


Não ainda??? Ok...
Black and burning eyes, black as midnight skiesFull of passion flame, full of lovely gameI'm in love with you, I'm afraid of you.Days when I met you made me sad and blue.
Often in my dreams I can see your beams, Eyes of rivalry burning through my skin.But when I wake up, night's in black make upNobody's here, only night is dark
It's on purpose you're deeper than abyssI can see in you mourning for my blissI can see in you that triumphal flame Where my poor heart has been burnt in vain.
Black and flaming eyes, deep as midnight skiesThey are calling me to fly overseasWhere love is king, kind is everythingNo misery, no sword nor sting.
Having not met you, I would suffer less,I would live my life having happiness.You have ruined me once, black and flaming eyes And from that black date, you've changed all my fate.
But I am not sad, still alive not dead.Now my fortune is to love you in peace.And the best reward, gifted me by Lord, I will sacrifice to the burning eyes.
Ainda bem que você resolveu escrever suas memórias... porque através dela eu pude conhecer a sua história, que é minha também. E a sua escrita é tão característica que, ao ler, me sinto ouvindo você contar aquilo tudo. :D

Saudades!!!

Eu volto!

Andréa

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FELIZ 2015!!!


"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."
(Carlos Drummond de Andrade) 

E acabou 2014!!! Mas como assim??? Tinha acabado de começar!!! o.O Eita aninho acelerado esse, né não??? Passou muito rápido! Também, foi Copa, eleição, picotando o ano todo, contribuindo para essa sensação de correira. Pior que, se formos ver, nem valeu tanto assim, né? Nas eleições, o povo decidiu que continuaremos na mesma... (mas pelas últimas notícias, acho que a decisão foi por piorar o que já vinha decaindo...) na Copa... bom, melhor pular essa parte... (gol da Alemanha! Ops!!!) :/ Fala sério, vai... o que foi aquilo???

Mas, de modo geral, eu acho que o ano foi bom. Não foi nenhum "mar de rosas", se bem que eu acho que isso nem existe mais, né? ;) Começou com um susto grande, o coração de um primo mais que irmão querendo ver se os nossos corações estavam em forma, mas tudo bem. Passou, e ele está aí, firme e forte, graças a Deus!

Ainda assim, 2014 foi mais "light", pelo menos para mim. Apesar do lado financeiro continuar meio complicado, há uma luz no fim do túnel. E eu pude estar com amigos (Babu e Leila que o digam!), rever outros que há tempos tinha perdido contato, tive oportunidade de passear um pouco... vi Samara se tornar universitária, curti com ela a exposição do Castelo Rá-tim-bum, aprendi Libras (e quero continuar aprendendo), falei de inclusão em Serra Negra e Amparo, vivi a grande emoção de receber mensagens de meus pais... :D 

Também tive a tristeza de perder uma amiga querida, mas sei que ela está melhor agora, e ter esta certeza me conforta. Fica a saudade. 

Por outro lado, vi uma família muito querida vencer mais uma batalha e ter a Tatiane, uma moça linda e que (por acaso) tem síndrome de Down, passar no vestibular para gastronomia! Tão chique essa menina, que até no Fantástico apareceu!!! :D

2014 foi um bom ano... e eu tenho muito o que agradecer! Mas, tenho Fé que 2015 há de ser ainda bem melhor!!! E há de ser um ano maravilhoso para cada um de vocês e suas famílias! Eu tentarei ser um pouco mais presente por aqui, tentarei colocar em prática as ideias que este ano ficaram "engavetadas". Tentarei, perceberam, né??? :P

Para terminar, uma música do Ivan Lins "porque a gente MERECE ser feliz"! :D


E que venha 2015!!! FELIZ ANO NOVO!!!

Eu volto!

Andréa

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13 anos...


Pois é... hoje faz treze anos que essa implicante resolveu alçar voo e mudar de dimensão. Um pouco antes, já se preparando (mas sem nos contar nada) foi dividindo as tarefas da casa, coisas que ela mesma costumava fazer e que deveriam ser assumidas por outra pessoa depois que ela partisse. Chegou a conversar conosco, falando da preocupação que tinha para o caso de faltar, principalmente por me deixar a responsabilidade pelas meninas (profeta???). Lembro tanto dessa conversa... porque as coisas que ela disse me levaram às lágrimas, e eu disse (ou senti, não sei) naquele momento que até parecia que ela estava querendo ir embora. :( Lógico que ela negou, mas na verdade pouco depois nos deixou.

Ok, ok, eu sei que foi um "deixou" apenas físico. Eu entendo e aceito isso. Mas é que o físico faz uma falta danada!!! Mesmo tendo passado tanto tempo, tem hora que eu daria tudo por um colinho de mãe, um abraço daqueles que só ela podia dar! E como fico feliz, quando publico uma foto e alguém me chama de "Solanginha"! Porque tenho o maior orgulho de parecer com ela, e torço muito para chegar aos pés de ser a mulher que ela foi! 

E nos últimos dias tenho sentido que ela anda próxima... ainda que não consiga definir o que é, mas pequenos sinais têm aparecido e me feito muito bem! :D Bom, talvez seja a comemoração do "mensário festivo", como ela fazia no mês que antecedia o seu aniversário aqui. Abusada que só, queria presente todo dia!!! :P 

São tantas as lembranças, de coisinhas pequenas que permeavam nossa convivência, e que nos faziam rir tanto... tantas as coisas em comum, que ainda hoje me fazem querer contar a ela alguma novidade, notícia... a gente era muito igual! 

Mas nada de tristeza, porque isso nem combina com ela! Hoje é dia de comemorar o retorno dela ao seu Lar, e sei que o fez com grande alegria, pois estava mil anos-luz à nossa frente no que diz respeito à evolução. E, agora que está mais que bem acompanhada, é certeza que a festança vai ser boa! Só queria poder ir lá xeretar um bocadinho... ;)

Mãe, a saudade não passa nunca, e tudo que eu queria era poder UM abraço hoje... de verdade, apertado, gostoso... porque, acima de tudo, EU AMO MUITO VOCÊ!!!

Andréa
(não virou meia noite ainda, mas está valendo, que o soninho já me pegou, tá???)

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3 anos...

Pois é... esse blog está totalmente abandonado, mas a correria este ano está grande! Muito trabalho, muito cansaço, mas tudo positivo, graças a Deus! Tenho várias ideias para esse espaço, textos formados na cabeça, pedindo para serem escritos, mas os dias vão passando, as semanas voam, e acabo não fazendo é nada! :P

No mês que passou, Thabata se tornou "di maior" (medo! :) ) e parece, finalmente, estar entrando nos trilhos. Até resolveu retomar os estudos em um supletivo!!! :D Não sei se lembram que estava trabalhando em um projeto secreto... :D Pois é, ele ficou pronto, e vocês podem encontrá-lo aqui! É o fotolivro dos 18 anos dessa grande garota. Eu tinha feito o de 15 anos da Samara, e por causa de tudo o que aconteceu, acabei não fazendo o dela. Mas... 18 anos também é uma data importante, então resolvi botar a mão na massa! Acho que ficou legal, deem uma olhadinha! ;)

Samara também fez aniversário... 20 anos! Caramba, passa muito rápido! E, de uma hora para outra, decidiu fazer vestibular e encarar uma faculdade! De Ciência da Computação! Algo surpreendente, porque não é nada do que ela falava antes, mas está gostando, e isso é o que verdadeiramente importa. Sem contar que é uma profissão que tem tudo a ver com os tempos que vivemos, né? 

Ah sim, eu também fiz aniversário, tá bom... (mas podemos pular a parte dos 43?) :P Abril sempre é um mês agitado! :D Estou firme no banco, trabalhando um bocado, mas tenho conseguido dar umas scrappeadas nos intervalos! ;) Se "fuçarem" os links vão encontrar algumas novidades! Até entrei em outro time de criação, do Just Because Studio, da talentosíssima (e brasileiríssima) Dani Alencar! Estou adorando trabalhar com os kits dela, são lindos!!!


Mas hoje... eu tinha que voltar aqui... é o dia do aniversário "do lado de lá" do meu grande amigo, daquele que deixou um buraco imenso que não foi nem vai ser jamais preenchido! Ele foi e é "o cara"!!! Três anos... três longos anos sem a voz, o abraço, a risada, a "molecagem" do meu "Paiaço"! É claro que a gente acostuma, ou faz de conta que acostuma, sei lá. Mas a falta, a saudade... ah, essa continua existindo, latente, pronta a se fazer notar se a gente é pega despercebida. Basta um sabor, um cheiro, uma música, uma lembrança, e pronto! 

E nessa data, não tem como esquecer, não tem como deixar de pensar em como ele foi embora tão cedo. Claro que sei que ele está bem, feliz, do lado de minha mãe, a mulher que ele ama verdadeiramente! De vez em quando tenho pequenas notícias, e isso me alegra muito! Porque eu sei que durante os dez anos que estiveram separados fisicamente, ele viveu (e jamais desistiu da vida) planejando o reencontro. E tudo o que eu mais queria e quero é saber que os dois estão felizes!

Eu sei também que a felicidade deles depende um pouco de estarmos bem aqui, e procuro me empenhar ao máximo para viver de acordo com o que eles me ensinaram. Caráter, honestidade, lealdade, amizade, religiosidade... e todos aqueles princípios hoje tão desprezados mas que eles seguiam à risca e eu faço questão de dar sequência a todos eles!

Então... nada de tristeza! A saudade pode ser feliz também. A saudade pode trazer lembranças engraçadas (e eu não o chamava de "Paiaço" sem motivo, afinal de contas), pode fazer rir! E pode trazer a ternura de uma página, como essa que criei para homenagear a data de hoje.

Pai, é seu aniversário aí, o dia que renasceu, livre de uma doença que nem sabemos exatamente qual foi, mas que podia ter lhe maltratado muito! Que bom que tinha merecimento suficiente para partir sem que ela lhe impusesse um sofrimento muito grande. Que bom que você foi e é esse ser tão especial, que esteve cercado de pessoas iluminadas a lhe ajudar nessa transição. Que você siga seu caminho de muita Luz em paz, porque nós aqui estamos tocando em frente. Superando as dificuldade que surgem com garra, determinação, e a inabalável Fé que sempre nos ensinou a ter! EU TE AMO MUITO!

Andréa
(e vamos ver se crio vergonha na cara e começo a aparecer por aqui de novo, né? ;) )

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12 anos...


Nem tem muito o que dizer... cada ano que passa parece que aumenta mais a saudade e a falta que me faz. A gente acostuma, é verdade. Vai caminhando, tocando a vida, tendo uma ou outra nova "caída de ficha" em momentos, detalhes, cheiros específicos, que trazem à tona memórias de coisas muito boas. Mas quando a "data fatídica" se aproxima, ah... as lembranças afloram, não tem jeito! 

E você foi uma pessoa tão especial... um coração tão grande, uma alma tão incrível, uma cabeça tão fantástica... ok, tão fantástica que se atrapalhava em MUITOS momentos, né? :D A ponto de "ataque de Solangite aguda" se tornar sinônimo de distração, não era assim? Até hoje me lembro das suas "bobagens", e acabo rindo sozinha! Eram tantas que a gente dizia que ia publicar não um livro, mas uma enciclopédia com elas, vários volumes! :P

Só uma relação como a nossa poderia permitir que brincássemos nos "xingando"... chegávamos a buscar no dicionário novos sinônimos para os "xingos"! :D Mas a verdade é que o AMOR entre nós extrapolava, longe. Opa! Extrapola! Porque continua existindo! E crescendo, cada vez mais!

Vou terminar essa postagem com uma poesia sua, escrita em 07/10/1986, quase quinze anos antes de partir, e que já mostrava o tamanho da sua ligação com o Ser Superior.
DEUS
(Solange Tikhomiroff)
Deus...
Amplie, por favor, minha coragem
Restaure minha força em amplitude
Fazei com que eu prossiga a viagem
E que minha passada nunca mude
Deus...
Guie meu olhar pra natureza
Derramando em mim Tua emoção
Pra que eu possa enxergar toda a beleza
Do equilíbrio da Tua criação
Deus...
Faça a modéstia me abraçar
Em seu abraço de serenidade
Faça minha mente alcançar
Além daqui, por toda a eternidade
Deus...
Dê-me o conforto da Tua doçura
Caminhe comigo em meu calvário
Para que eu possa, então, sem amargura
Cumprir aquilo que é necessário
Deus...
Permita que eu conheça o perdão
Que vai aliviar o meu sorriso
Para que eu tenha paz no coração
E siga o caminho que preciso!
Siga seu caminho, mãezinha... um caminho pleno de luz, como você. E saiba que sua filha aqui se enche de orgulho a cada vez que alguém comenta uma foto dela dizendo: "cada vez mais parecida com sua mãe"! :D É o maior elogio que eu poderia receber! AMO MUITO VOCÊ!

Eu volto...

Andréa 

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2 anos...


Hoje faz dois anos que você foi encontrar minha mãe... tanta coisa aconteceu nesse período, passei por tantas pauladas... tive que tomar tantas decisões... em tantos momentos quis poder lhe perguntar sua opinião, pedir seu conselho... acho que tenho acertado, e que continuaria se orgulhando de mim. Bom... pelo menos tenho tentado acertar! :D

Eu tenho estado bem, mas de vez em quando a saudade bate com tudo. Como agora... ao lembrar que já faz dois anos que não posso falar com você. Já tive, sim, sensações de proximidade, ou de sonhos, que me encheram de emoção, mas estão longe de saciar a saudade, a falta da voz, do toque. Aí dói... dói fundo! Eu sei que está por perto, e que está cuidando de nós junto com a mamãe e toda a tropa aí, mas é diferente...

Mas hoje é dia de festa! Seu Botafogo até ganhou ontem... olha só isso! E você está em boa companhia aí, né? A comemoração desse aniversário vai ser boa! Então, nada de tristeza! Se tiver merecimento, gostaria de estar presente para lhe dar o abraço que está guardado há tanto tempo! Posso??? ;)

Fica com Deus, meu pai. E lembre-se sempre de nós, tá? Porque eu não esqueço! Então, como diz o Rei Roberto, e está aí no scrap: "nunca se esqueça nem um segundo, que eu tenho o amor maior do mundo... como é grande o meu amor por você"!

Andréa

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20 anos sem meu vô da bagunça...



Hoje faz 20 anos que meu "vô da bagunça" resolveu voltar à sua Morada Maior... fez isso tão de repente que foi um susto para todos nós. Afinal, há anos que minha vovinha lutava contra um câncer de mama, chegou a ficar na cama com metástase óssea e ele, com sua garra e seu amor, a colocou numa cadeira de rodas e, de lá, de pé novamente. Fez isso e se mandou... nos deixou aqui, "falando sozinhos", deixou a saudade de seu riso, de seus ensinamentos, de suas implicâncias. São tantas "pequenas grandes coisas" a lembrar...

Como esquecer que ele "batia ponto" em casa, no finalzinho do período letivo, para me carregar para o Rio logo no primeiro dia de férias?  Levava no porta-malas uma caixa de "pastilhas do vô", e não queria me dar NENHUMA!!! 

Chegando ao Rio, íamos direto ao mercado (Sendas), onde me levava para tomar um cafezinho lá no fundo, e depois deixava comprar o que quisesse, incluindo uma bola, porque em férias NENHUMA eu lembrava de levar a minha... :D E, chegando em casa, ligava para minha mãe reclamando que eu ia levá-lo a falência e que ele ia me devolver!!! Figura...

Férias no Rio era sinônimo de Discípulos de Samuel! Tantas lembranças de lá... a turminha de amigas que também só apareciam nas férias, com quem aprontava uma bagunça só, deixando-o muito bravo, porque eu tinha que "dar o exemplo", por ser neta do presidente! :P Pois sim! Depois, ao me ver, primeirona na fila do passe, vinha fingir que ia me dar uma carreira, me chamando de "papa-passe"! :)

E o que dizer dos telefonemas domingo à tarde para comentar o episódio do "Hulk"? Você, tão econômico nos telefonemas (pão-duro, só deixava minha vovinha falar TRÊS minutos, contados no relógio), nesse dia ligava e ficava um tempão lembrando tudo que o Hulk tinha feito!

Lembro das camisolas que minha mãe mandou fazer, compridonas... você não podia me ver com uma delas sem me chamar de "Menino Jesus"! :)

Quando paramos de comer carne, você ligava para tia Gisele reclamando que minha mãe lhe fazia comer "comida de mentira"... mas comia que se fartava, e ria... ria tanto, daquele seu jeito de fechar os olhos e segurar a barriga!

Tanta saudade que sinto, tanta... mas eu sei que hoje o céu está em festa, porque é aniversário de sua chegada por aí! Deve estar trabalhando MUITO, como sempre fez, em benefício daqueles que precisam. Mas imagino também a farra que está aprontando, já que está rodeado daqueles que ama! Só de saber disso já fico feliz! Com saudade, mas feliz! :D

Muitos beijos, vô!!!

Andréa

P.S: E aproveita e manda beijos para a turma toda também? Especialmente para minha vovinha, meu pai e minha mãe??? Sou abusada não... :D

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11 anos...


Caramba... 11 anos é tempo demais! Mas apesar de tanto tempo, a saudade continua imensa, não diminui! Claro que acalma, porque afinal de contas a gente vai se acostumando com tudo... mas ainda dói. E como dói!!! :(

Com o tempo, a dor vai se situando em pequenos momentos, em lembranças presentes em um cheiro, uma comida, uma música, uma frase... coisas simples, mas de grande significado, que fazem a saudade voltar com tudo, como se sua partida tivesse acabado de acontecer. A "ficha" cai de novo nestas horas...

As lembranças são, invariavelmente, boas, engraçadas... você sempre foi uma pessoa "pra cima", de um astral altíssimo, além de meio (totalmente) atrapalhada, né? :D E essas recordações, ao mesmo tempo em que trazem a saudade de volta, acabam me fazendo rir de novo!

Mas a falta que faz sua companhia... os passeios de carro ouvindo MPB nas alturas, as noites que virávamos vendo filme ou jogando, as conversas... isso não tem como apagar. E a cada dia 10 de junho, não há como não lembrar de você, e do buraco que deixou em minha vida.

Quanta saudade... quanta!

Andréa

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1 ano...


Quanta saudade, paizinho... um ano se passou, e ainda está tudo tão vivo em minha memória... aquela maluquice toda, iniciada com a tal da gripe, que virou anemia, e que virou... sei lá o quê! Só sei que em cerca de um mês você de repente adoeceu e não estava mais conosco! :( Você sabe o tamanho do medo que eu tinha, parece que já pressentia o desfecho, mas não queria acreditar. Como poderia? Você dizia para eu me acalmar, que "vaso ruim não quebra"... mas você nunca foi "vaso ruim", pai... e aí...

De repente eu me vi "cabeça" da família, tendo que segurar sozinha todas as coisas que antes dividíamos. E além de não mais dividir, ainda não podia pedir conselho, não podia mais desabafar, nada! Tinha que ser forte, para ajudar as meninas, que mais do que um avô, perderam seu pai verdadeiro também.

Tanta coisa aconteceu neste ano, pai... Samara foi uma parceirinha super presente, mas sempre falta algo, alguém... já era tão difícil viver com a ausência da mamãe, agora então... Eu acho até que tenho conseguido segurar legal, tenho mantido meu astral alto, mesmo com os baques todos que a vida tem me dado, mas esse vazio não acaba nunca, a saudade só aumenta a cada dia.

O que me acalma é saber que vocês dois estão juntos, que estão trabalhando, que estão bem e felizes... e que um dia o meu emocional vai aprender a se controlar e eu vou poder vê-los.

Mas hoje é dia de festa por aí, né? Seu primeiro aniversário de volta, então apesar das lágrimas de saudade que insistem em rolar, quero que não se preocupe. Eu continuo aqui, firme, lutando, amparando as meninas. Continue seguindo seu caminho, de muita Luz e, sempre que possível, venha fazer uma visitinha, mesmo que eu acabe me emocionando e interrompendo tudo, tá? EU AMO MUITO VOCÊ!!!

Andréa

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6 meses...

Há exatos seis meses aconteceu aquilo que eu mais temia... após um curto período meio adoentado, enfraquecido por algo que, oficialmente, nem foi diagnosticado, meu pai se foi ao encontro de minha mãe. Uma dor tão grande, um vazio tão imenso, que me deixou sem chão, sem rumo.

Seis meses se passaram e, aos poucos, a vida vai voltando ao seu ritmo normal. O apoio e o carinho dos amigos têm sido fundamentais, porque me ajudam a não arriar. Meu pai não gostaria de me ver para baixo! Pois se era ele o primeiro que, ao notar qualquer sinalzinho de preocupação, medo, tristeza ou qualquer outro sentimento assim, tudo fazia para me animar!

Seis meses... a gente vai, devagar, acostumando com a ideia, com a ausência... buscando preencher os espaços de alguma maneira. Mas a saudade... ah... essa não tem como controlar! Essa não passa, não acaba!

O que me conforta é saber (e acredito mesmo nisso) que ele está bem, junto de minha mãe. A saudade dela também é imensa, mas percebo que, diante da ausência de meu pai, a dela já está mais cicatrizada. O que não significa que não doa, é claro. Mas a saudade dele... ainda machuca demais!

Ai, pai... como eu queria poder voltar no tempo, mudar a história, poder ter você comigo outra vez! Como eu queria poder lhe abraçar de novo, ter meu companheiro de papo, meu ombro, meu colo, fosse por e-mail, telefone ou ao vivo... como eu queria meu "Severino quebra-galho", reclamando da minha exploração... como eu queria meu "paiaço", falando bobagem, fazendo eu dar risada! Como eu queria ter você aqui de novo!!! Amo tanto você, pai... tanto... fique bem, e feliz. Porque eu vou conseguir dar a volta por cima, cicatrizar essa ferida, e ser feliz também.

E, em homenagem a meu pai, vou começar aqui a postar mensalmente textos que ele deixou. Textos que escreveu para jornais de bairro na época que tínhamos a loja, e que juntou em um livro, ao qual intitulou "Vida... reflexões sobre o ser humano pelo prisma esotérico", nunca publicado. Mas são textos ainda muito atuais, que não merecem ficar esquecidos. Começarei com um de seus favoritos, "Um Pequeno Pardal". Espero que apreciem! ;)

UM PEQUENO PARDAL
Ronaldo Tikhomiroff

Existem momentos na vida em que nos sentimos desorientados, sem rumo, perdidos em uma série de fatos que nos levam a refletir sobre o que realmente está nos acontecendo e que caminho tomar. Todos nós passamos por isso.

Amigos nos aconselham, parentes nos confortam, todos procuram nos mostrar a saída, e nada...

Vasculhamos nossos sentidos, pesquisamos nossa mente, procuramos raciocinar e só vemos uma perspectiva: a mais cômoda, a mais imediata, a mais direta...o óbvio.

Eis que dia desses estive assim, como que perdido em meus pensamentos, procurando ordenar minhas idéias e traçar meus objetivos. Ansiava por uma solução imediata. E nada!

De repente, entra loja adentro um amiguinho alado: um pequeno pardal. Voou direto para o fundo da loja, cerca de vinte metros, atraído talvez pelas plantas e pelo teto de vidro, e lá pousou sobre as samambaias. Parecia perdido como eu.

Daquele local não mais saía, voando de planta em planta, sem encontrar seu rumo para a liberdade. Depois de um bom tempo, descansou sobre as plantas, de bico aberto. Parecia haver desistido de continuar tentando descobrir a saída.

Todos nós, preocupados em salvar o pequeno pássaro, procurávamos guiá-lo para a porta da loja, escancarada lá na frente, a vinte metros de distância... Mas o pardalzinho parecia não entender. Tentamos pegá-lo com as mãos para levá-lo para fora, mas ele não permitia...procurava aquietar-se como que aguardando novas forças para uma nova tentativa, ou apenas uma orientação...

Quando já estávamos desistindo de tentar ajudá-lo, ele alçou vôo em direção inesperada: direto para a janela basculante da cozinha, a apenas quatro metros de onde se encontrava, dali alcançando os ares e sua liberdade.

Não foi uma fábula nem um conto infantil. Um fato real que merece pensarmos a respeito: nem sempre a solução para nossos problemas está à nossa frente, nem sempre é o caminho mais óbvio. Ainda que amigos nos tentem ajudar, ainda que nos estendam as mãos, está dentro de nós, através de nossa própria aspiração, sem que procuremos a lógica e a razão para nos guiar, o caminho que devemos seguir.

Se deixarmos que nossa aspiração mais intima se faça sentir, por certo daremos o passo correto na vida, pois ela vem de estados sutis, onde nossa mente não tem poder de interferir. É a libertação do livre-arbítrio, tão necessária nos dias de hoje.

Estávamos a indicar um caminho para nosso querido pardal. Com todo afeto e amor. Porém estávamos sendo guiados por nosso raciocínio, mostrando o caminho que diariamente repetíamos, indo e vindo ao longo da loja. Para o pequeno pássaro, não lhe interessava percorrer a loja, pois só havia entrado para estar com as plantas. Interessava apenas SAIR daquele espaço fechado pelo caminho mais curto. Para sua aspiração, aquilo era o ÓBVIO!

E eu? Deixei de me preocupar com as soluções racionais para aquilo que me afligia. Ouvi com toda atenção e amor tudo aquilo que amigos me diziam, pois a intenção era boa. Porém deixei que minha aspiração me comandasse...e estou descobrindo meu caminho. Obrigado, amiguinho!

Eu volto...

Andréa

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