Estatuto da Família? NÃO! Mil vezes NÃO!

#emdefesadetodasasfamilias

Está em discussão um polêmico projeto (6583/2013) no Congresso Nacional, conhecido como “Estatuto da Família”. Polêmico e retrógrado. Muito. :( Segundo a visão do deputado Anderson Ferreira (PR/PE), só se pode reconhecer como “família” os núcleos formados a partir da união de um homem e de uma mulher. Ou seja, mães solteiras não têm família. Pais solteiros não têm família. Irmãos que criam irmãos não são família. Avós que criam os netos não são família. Tios e tias que criam sobrinhos não são família. Filhos adotivos não são filhos. Gays não têm família. Abre margem para impedir a adoção de crianças por solteiros ou casais homossexuais. Abre margem para impedir as uniões civis ou os casamentos entre homossexuais.

Eu nasci em uma família “padrão”, mas minha irmã engravidou ainda menor de idade e ficou morando conosco, com sua filha. Deixamos de ser família? :/ Tempos depois, engravidou novamente e, apesar de o pai das meninas ter assumido a paternidade, continuou conosco, ela e as duas crianças. Não éramos mais uma família? o.O

Depois que minha mãe faleceu, minha irmã foi morar com um rapaz (não casou, não tinha família?) e as meninas ficaram comigo e meu pai. Também não éramos família? :s

Passado algum tempo, minha irmã já com outro rapaz, com quem está até hoje, levou as meninas para morarem com eles. Mas eles não eram casados, as meninas não eram filhas dele. Não eram família?

As meninas acabaram decidindo morar comigo, onde permanecem até hoje. Não somos família? :(

Se um dia eu concretizar meu sonho de adotar uma menina com Down, não terei família por ser solteira? Bom, nem por ela ser adotiva, não terá nascido de mim... Ou, de repente, nem poderei mais pensar em adoção por ser solteira, vai saber... :'(

Percebem o tamanho do absurdo?

Alguns links sobre o assunto:

Semana passada a ANGAAD (Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção) e o IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família) promoveram um movimento no Facebook e no Twitter contra tal projeto, buscando barrar a tramitação deste, desarquivado recentemente. Pede-se a postagem de fotos como estas que ilustram o post com a hashtag #emdefesadetodasasfamilias.

Pede-se, também, o voto na enquete disponível aqui. O SIM, por incrível que pareça, está vencendo por pequena margem. Quem concordar com o que estou dizendo, por favor, vote NÃO. Divulgue. Compartilhe. Vamos fazer com que este projeto seja novamente arquivado.

Existe, ainda, uma petição online contra o Estatuto, aqui. Já tem quase 4mil assinaturas. Vamos aumentar o número? ;)

O autor deste projeto ficou conhecido por causa de um projeto anterior, aquele da “Cura Gay”, lembra? Agora sai com mais essa... um absurdo total! É homofóbico, para dizer o mínimo. Preconceituoso. Incita o ódio. Parece que ele resolveu promover uma “caça às bruxas” da era moderna.

Então é preferível virar a cara e fazer de conta que o amor entre pessoas de mesmo sexo não existe? É preferível esconder a cara num buraco a enxergar que existem inúmeras famílias hoje fora do tal “padrão”? É preferível deixar as crianças passarem a vida em orfanatos, a deixá-las serem criadas por casais homossexuais ou solteiros? É justo tirar de um sem número de crianças a possibilidade de terem uma FAMÍLIA, de serem amadas, cuidadas, amparadas? :'(

Eu entendo que cada um tenha sua convicção. Mas, ao contrário do aborto, que discuti recentemente, não se está sugerindo que ninguém cometa um crime (nem frente à justiça dos homens nem frente à justiça divina), não se está tirando a vida de ninguém, apenas se pede RESPEITO à vida de cada um, à individualidade de cada um, e à possibilidade de cada um constituir sua família da maneira como o seu coração mandar.

Eu volto.

Andréa

#emdefesadetodasasfamilias

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20 anos sem meu radinho...



Pois é, vô... hoje faz 20 anos que resolveu ir atrás da sua Glacynha! Como passa o tempo... mas você tinha um jeito muito especial de ser, que era marcante demais!!! Impossível lhe esquecer! Quanta saudade... "puuuuuuuuuuuxa!" <3 p="">

E, mesmo tendo passado tanto tempo, ainda me emociono quando ouço alguma canção em russo! Ou não era você o meu "radinho oficial"? Quantas vezes estávamos conversando e de repente você começava a cantarolar "Ochi chernye", "Stenka razin", e tantas outras?  :)

Enrolava a gente até dizer chega quando o assunto era idade... enrolava a vovó fingindo não escutar quando ela começava a reclamar (e ainda dizia que "às vezes era melhor não ouvir!")... fazia eu assar bolos para você, porque ninguém mais acertava a receita... abusava do Geraldo, fazendo lhe levar para comer tudo que a vovó não deixava... (a não ser quando ela queria bater perna no shopping, porque aí deixava você ficar em alguma lanchonete para não reclamar! :D )

E a essa altura já deve estar balançando a cabeça e dizendo: "tudo mentira! Tuuuudo mentira!" :D

Figura você, viu? Quanta saudade!!! Para lhe homenagear, fui atrás da letra de "Ochi Chernye" e coloquei no scrap! 

Очи чёрные, очи жгучие, Очи страстные и прекрасные, Как люблю я вас, как боюсь я вас, Знать увидел вас я не в добрый час.
Очи чёрные, очи пламенны И монят они в страны дальные, Где царит любовь, где царит покой, Где страданья нет, где вражды запрет.
Очи чёрные, очи жгучие, Очи страстные и прекрасные, Как люблю я вас, как боюсь я вас, Знать увидел вас я не в добрый час.
Не встречал бы вас, не страдал бы так, Я бы прожил жизнь улыбаючись, Вы сгубили меня очи черные Унесли на век моё счастье.
Очи чёрные, очи жгучие, Очи страстные и прекрасные, Как люблю я вас, как боюсь я вас, Знать увидел вас я не в добрый час.

Vamos facilitar um pouco??? :D

Ochi chyornye, ochi strastnye,Ochi zhguchie i prekrasnye,Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas,Znat' uvidel vas ya ne v dobryy chas.
Ochi chyornye, ochi plamenny,I monyat oni v strany dal'nye,Gde tsarit lyubov', gde tsarit pokoy,Gde stradan'ya net, gde vrazhdy zapret.
Ochi chyornye, ochi strastnye,Ochi zhguchie i prekrasnye,Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas,Znat' uvidel vas ya ne v dobryy chas.
Ne vstrechal by vas, ne stradal by tak,Ya by prozhil zhizn' ulybayuchis',Vy sgubili menya ochi chernyeUnesli na vek moyo schast'e.
Ochi chyornye, ochi strastnye,Ochi zhguchie i prekrasnye,Kak lyublyu ya vas, kak boyus' ya vas,Znat' uvidel vas ya ne v dobryy chas.


Não ainda??? Ok...
Black and burning eyes, black as midnight skiesFull of passion flame, full of lovely gameI'm in love with you, I'm afraid of you.Days when I met you made me sad and blue.
Often in my dreams I can see your beams, Eyes of rivalry burning through my skin.But when I wake up, night's in black make upNobody's here, only night is dark
It's on purpose you're deeper than abyssI can see in you mourning for my blissI can see in you that triumphal flame Where my poor heart has been burnt in vain.
Black and flaming eyes, deep as midnight skiesThey are calling me to fly overseasWhere love is king, kind is everythingNo misery, no sword nor sting.
Having not met you, I would suffer less,I would live my life having happiness.You have ruined me once, black and flaming eyes And from that black date, you've changed all my fate.
But I am not sad, still alive not dead.Now my fortune is to love you in peace.And the best reward, gifted me by Lord, I will sacrifice to the burning eyes.
Ainda bem que você resolveu escrever suas memórias... porque através dela eu pude conhecer a sua história, que é minha também. E a sua escrita é tão característica que, ao ler, me sinto ouvindo você contar aquilo tudo. :D

Saudades!!!

Eu volto!

Andréa

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Ainda o aborto...


Procurando uma poesia de minha mãe para trazer para vocês, abri o caderno exatamente na página em que ela escreveu sobre o aborto, há quase quarenta anos! Coincidência? Talvez, mas duvido... Como tratei do tema no post anterior, e dada a força das palavras dela, achei pertinente colocar a poesia aqui. Deliciem-se! ;)

Eu volto.

Andréa

O aborto legal
(Solange Tikhomiroff - maio/1975)
Só se leem notícias de debates:
"Legalizar ou não legalizar?"
É um tema que só traz bem mais desgaste
Ao homem incerto que não pode amar.
Será que creem mesmo em seu "poder"
Ou será por auto afirmação?
Será que creem que Deus possa "esquecer"
E vá criar alguma vida em vão?
Já não lhes basta a "legal pena de morte",
Para os que matam sem "autorização"?
Por que condenar à mesma sorte
Os pequeninos sem nenhuma proteção?
De alguma forma eles causaram o mal
Ou trouxeram consigo o sofrer?
Por que então o "assassinato legal"
Se nem ao menos chegaram a nascer?
Por que o homem não pode assumir
As consequências do próprio prazer?
Por que se recusa a admitir
Que o aborto destrói seu próprio ser?
Por que o médico faz o juramento
De salvar vidas e entregar-se inteiro,
Se tão maravilhoso ensinamento
É esquecido por "qualquer dinheiro"?
É possível que creiam realmente
Que nos primeiros meses não há vida?
Ou ignoram propositalmente
Deixando a "verdade escondida"?
São todos cegos e não podem ver
As infinitas provas da ciência?
Ou talvez, não consigam mesmo crer
Que os cientistas tenham inteligência?
Resolve mesmo a igreja frequentar
Para absolver-se dos "pecados"?
Ou será um modo de ocultar
Que são sozinhos e complexados?
É verdadeiro que todos ignorem
Que a este mundo terão que retornar?
Ou talvez saibam, que um dia implorem
Por uma chance pra poder voltar?
É muito cômodo não se lembrar
Que o Nosso Pai é só sabedoria?
Ou será que tem direito pra "matar"
Sem consultar sobre o que Deus faria?
É lamentável que a humanidade,
Com tanto orgulho e tão sem valor,
Procure a falsa felicidade,
Esquecendo a verdade do amor!

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Aborto x Vida


Ultimamente tenho visto muita discussão acerca da descriminalização do aborto e do direito da mulher ao seu corpo. Os argumentos são os mais diversos e, vistos sob o prisma material, até têm certa lógica. Mas não se vistos sob o prisma espiritual. :/

Ok, eu entendo que não se está discutindo religião, e que o estado brasileiro é laico. Não quero bancar a “dona da verdade”, respeito todos os pontos de vista, e posso até aceitar a opinião de cada um. Cada um tem sua verdade, de acordo com o seu entendimento acerca da vida e dos seus ‘mistérios”. Mas isso não significa, de forma alguma, que eu concordo com os argumentos colocados, ou que me é possível apoiá-los, mesmo que para agradar os outros. Respeitar é uma coisa, concordar é outra bem diferente. E, da mesma forma que aqueles que são favoráveis à descriminalização do aborto querem que eu respeite sua posição, também quero que respeitem a minha. ;)

Minha família tem base espírita, e o entendimento que adquiri desde pequena sobre a Lei Evolutiva, sobre a Lei do Carma, torna impossível dissociar os dois prismas. Já dizia Einstein: “A ciência sem religião é manca; a religião sem ciência é cega”. Material e espiritual se complementam, não há como separar um do outro. Ponto.

O homem, mais do que este ser material, é um ser espiritual. O corpo físico é um veículo que recebemos ao encarnar, com a finalidade de cumprirmos aquilo para o qual viemos, e que devolveremos quando nossa estada por aqui terminar. Não é “nosso”, deveríamos respeitá-lo e cuidar dele da melhor forma possível, o que na maior parte das vezes não acontece.

Por outro lado, a partir do momento em que há fecundação, há vida. Minúscula, é verdade, mas vida. É a partir deste momento que o espírito assume o zigoto, e começa a imprimir suas características para modelar o corpo físico que usará durante o período em que estiver encarnado. Vida. E ceifar uma vida, para mim, é crime. Simples assim. Sem contar que legalizar o crime afeta, ainda, o astral coletivo, que já é tão carregado.

Não cabe em minha cabeça o descarte de uma vida, seja embrionária ou não. Por isso mesmo, não sou favorável à pena de morte, não aceito o descarte de embriões em clínicas, a seleção de embriões em laboratórios, os experimentos com animais ou embriões, sequer me alimento de carne. Quem decide a hora de quem quer que seja encerrar sua vida na Terra é Deus, não eu ou qualquer outro ser humano. Ninguém tem (ou deveria ter) tal poder. E, se isso não cabe em mim, como posso ser favorável a dar esta opção a alguém? Eu estaria agindo contra os meus princípios, contra a minha Verdade, não seria EU!

“Ah sim, então se você fosse estuprada e engravidasse, acha que deveria levar a gestação adiante”? Sim. Deveria. Porque não acreditaria, em momento algum, que tivesse ocorrido um “erro de cálculo”. Deus não cochila. Não cai uma folha da árvore sem que Ele assim determine. Tem mulheres que levam anos tentando engravidar em vão. E, de repente, um único ato (violento, ok) é capaz de fecundar e gerar a vida. Acaso? Não acredito mesmo. Essa gestação ocorreu pela lei do carma, com toda a certeza algo de muito sério existe entre aqueles seres, e fugir da situação só vai adiar algo que, mais cedo ou mais tarde, terá de ser resolvido. É pesado? Sem dúvida, nem consigo imaginar como é lidar com isso, mas tem algo ali que não pode ser ignorado. E eu acredito, piamente, no ditado que diz que “Deus dá o frio conforme o cobertor”, ou seja, ninguém recebe uma carga maior do que aquela que é capaz de suportar. Mesmo que a maioria pense o contrário!

“Ah, então é melhor abandonar a criança para adoção”? Acredito que sim. Talvez até esteja negando a tarefa a que se propôs ao encarnar, mas pelo menos não ceifará uma vida. Talvez, ao contrário, seja apenas um veículo para que a vida em seu ventre possa equilibrar seu próprio carma. Quem pode saber a complexidade que envolve o caminho de cada um?

Quando minha irmã engravidou aos 15 anos, muita gente lamentou a gestação ser descoberta já tardiamente, porque minha mãe não poderia “forçá-la a tirar” a criança. Como se minha mãe sequer pensasse em fazer isso... Quando minha irmã engravidou novamente aos 17, e aí a gestação descoberta logo, houve uma enxurrada de pessoas que aconselhou minha mãe a fazê-la abortar! Meu Deus... como assim? o.O Como posso imaginar, hoje, minha vida sem a presença de Samara e Thabata? Moças lindas, já com 20 e 18 anos... mesmo com todo o trabalho que Thabata me deu por conta da dependência química, jamais trocaria sua existência por nada. Em tudo que passei nos últimos anos, agradeci e agradeço a Deus diariamente por tê-las ao meu lado. Ainda que Alessandra não tenha assumido a responsabilidade como deveria, isso é uma escolha dela, de seu livre-arbítrio. E as consequências dessa escolha é ela quem vai ter que acertar, nesta encarnação ou numa próxima.

Sim, o livre-arbítrio existe. Foi dado ao homem fazer escolhas, o que não significa que estas estejam de acordo com as Leis Espirituais. Mas ao fazer uma escolha, deve-se estar consciente de que toda ação gera uma consequência. É a Lei do Carma. Tudo que aqui passamos tem um propósito. Provas, quase sempre, surgem para equilibrar algum ato falho que cometemos anteriormente. Sabe aquela história de que a gente colhe aquilo que semeia? Pois é. :/

Conformismo? Longe disso. Apenas entendimento de que sou pequena demais para compreender o bordado que Deus está preparando para minha vida. Tudo tem uma explicação, tudo tem uma razão de ser, ainda que a nossa mente não seja capaz de captar. E isso vale para tudo, não só a gestação.

Foi essa a visão que tive quando minha mãe partiu tão cedo, quando passei pelas enchentes e perdi tudo o que tinha de material, quando meu pai adoeceu e acabou partindo de forma tão rápida. Jamais me revoltei. Tive momentos, sim, de profunda tristeza, até de desespero emocional, porque afinal de contas sou humana. Tenho fraquezas e pontos a serem melhorados, ou não estaria aqui neste nosso planetinha. Mas, imediatamente após baquear, eu lutava para me reerguer, porque sempre acreditei que tudo estava acontecendo como deveria, que tudo o que estava ocorrendo tinha motivo e, de repente, tinha até sido escolhido conscientemente por mim antes de voltar a encarnar por aqui. Porque isso acontece, é fato. :) Sempre que passava por algo difícil meu pai me falava apenas duas palavras: "Tenha Fé"! Ainda hoje sinto que o escuto falando isso... 

Claro que aqueles que desconhecem o espiritualismo, seja através da Doutrina Espírita ou qualquer outra vertente, têm dificuldade em aceitar seus preceitos. Consideram-nos falhos, e isso é natural. Chegam a considerar que o espiritismo (normalmente o mais citado, por ser mais conhecido) coloca o nascimento como castigo, quando está bem longe disso.

Entender que o bebê que está sendo gerado não caiu aqui “de paraquedas”, que tem uma história por trás, nós a serem desfeitos, laços a serem trabalhados, traços a serem melhorados, simplesmente abre uma compreensão muito maior sobre a vida dele. Permite entender os “disparates” que encontramos, de bebês que partem logo após o nascimento, ou que nascem cheios de limitações, enquanto outros chegam “perfeitos”, às vezes vivem até se tornarem centenários. Explica porque alguns têm a vida tão fácil, cheia de regalias, ao passo que outros têm uma prova após a outra. Tudo tem motivo. Tudo. E é na concepção que o desenho começa a ser traçado.

Mas não cabe a mim discutir ou, pior, impor nada a ninguém. Primeiro porque, como disse, cada um tem sua própria verdade, de acordo com suas crenças. E, também, o tema é muito complexo. Já escrevi um monte e nem comecei a elaborar direito... há tanto a ser dito ainda! Eu apenas espero que as pessoas aceitem a minha posição, da mesma forma que querem (ou exigem) que eu aceite a delas. ;)

Não posso ser favorável à descriminalização do aborto, porque isso fere o âmago de meu ser, fere todos os princípios nos quais acredito e pelos quais eu vivo. Mas nós vivemos numa democracia, aqui neste plano material, não? Todos têm direito a opinar, e a opinião da maioria vence (seja acertada ou não). Então, se a maioria decidir pela descriminalização, terei que aceitá-la como verdade, por mais que me doa, por mais que não concorde, por mais que lamente. Mas, de forma alguma, posso pactuar com tal decisão.

Eu volto.

Andréa

(A imagem que ilustra este post é muito significativa. Mostra um feto de 21 semanas sendo operado dentro do ventre para corrigir uma espinha bífida, e que em determinado momento segura a mão do médico que o opera. Vida.)

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Falando de ecologia


Quando será que o "bicho-homem" vai perceber que precisa parar de desperdiçar aquilo que recebeu tão abundante, que precisa parar de destruir a natureza, ou acabará por destruir a si mesmo? :( Vendo toda essa crise hídrica que estamos passando, fui atrás de um texto de meu pai que fala de ecologia. Ele deve ter escrito este em 1993, e é incrível como continua atual! É com ele que deixo vocês hoje!

Eu volto!

Andréa
AFINAL, O QUE É ECOLOGIA?
(Ronaldo Tikhomiroff) 
No princípio tudo era harmonia e perfeito equilíbrio. Afinal, estávamos diante de um planeta criado por algo superior, divino, perfeito. Mas, eis que surge o homem, criação também divina, portador de uma mente racional, que achou ser possível, através de seu livre-arbítrio, modificar o perfeito a seu bel-prazer.
A partir deste instante, iniciou-se a poluição da Terra, seja a que nível for, tornando- se o ser humano o grande predador do planeta. Em nome do ‘progresso’, pensando exclusivamente em seu ‘falso’ bem-estar, o homem-parasita passou a destruir seu próprio habitat, esquecendo-se de que assim agindo, estaria provocando o desequilíbrio da Natureza, da qual era parte integrante e também harmônica.
Ao verificar que o estrago causado à Terra, poderia pôr em risco sua própria existência, o homem-parasita, que antes de se ver ameaçado sequer se preocupou com o meio ambiente e com os demais habitantes da mesma Terra, passou a se preocupar com seu futuro, porém mais uma vez de modo egoísta..
O verdadeiro sentimento ecológico não pode ser despertado pelo sensação egoísta da auto-preservação, pois o homem não é o dono do Universo, mas sim, parceiro da grande sinfonia criada pelo verdadeiro Senhor do Universo.
Desta forma, a verdadeira ecologia, ou que nome tenha, deve ser exercitada visando o todo, sem a preocupação egoísta de particularizar pois o equilíbrio da Natureza só será alcançado quando o homem perceber o verdadeiro Amor e restaurar a harmonia que ele próprio destruiu. Aquela harmonia que visava o todo, jamais apenas o homem, pois afinal, nosso Criador não seria tão pequeno!

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Projeto Estrelinha


Olá!!! :D Hoje eu venho trazer uma dica MUITO legal! Você já ouviu falar do Projeto Estrelinha? É um projeto super bacana, que reúne fotógrafos de todo o Brasil (e começa a se expandir para o exterior), buscando através de ensaios fotográficos gratuitos, proporcionar a inclusão de crianças com deficiência. Idealizado pela fotógrafa Viviane Bachega, recebeu esse nome com o intuito de ver os pequenos brilharem cada vez mais. :)

O trabalho é lindo! No site é possível ver os ensaios já feitos, perceber a delicadeza e o cuidado com que as crianças são fotografadas! E os pais recebem gratuitamente um dvd com o book! ;)

Se você é fotógrafo(a), se puder dispor de um pouquinho do seu tempo e, principalmente, se curtiu o Projeto e quer participar... entre em contato com a Viviane!  ;)  

Se você é pai, mãe, tio, tia, vô, vó, dindo, dinda de uma criança de 0 a 12 anos com alguma deficiência, procure no site um contato em seu estado! E agora em fevereiro, os jovens de 13 a 18 anos também serão fotografados! Informe-se com o(a) fotógrafo(a) de sua região!

O Projeto mantém, ainda, uma página no Facebook, onde você pode acompanhar as novidades! Curte lá!!! ;)

Eu volto!

Andréa

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Cumprindo a promessa!!! ;)


Eita semaninha corrida essa!!! Ensaiei várias vezes para passar por aqui, mas o cansaço falou mais alto! :/ Mas, ainda que já no finalzinho, consegui chegar!!! :D E ainda deu tempo de colocar mais dois produtinhos na loja!!! Blusões de frio, com capuz, com e sem zíper! Por enquanto só disponibilizei os modelos femininos, mas os masculinos e infantis já existem! Falta SÓ eu ter tempo de montar layouts para colocar na loja! ;) Mas espiem só se não ficaram lindos!!! Estou apaixonada!!!



Como prometido, segue uma poesia de minha mãe. A primeira de seu caderno, ela com 14 anos! E para quem mais seria, senão para o grande amor de sua vida, já naquela época? Um amor de toda a vida e além, com toda a certeza! <3 p="">

NÓS DOIS
(Solange Tikhomiroff - outubro/1963)
Eu, procurando fingir,
Procurando a mim mesma mentir,
Maltratei nossos corações...
Você, calmo e paciente,
Provocava em minha mente,
Um turbilhão de emoções
Eu, fugindo sem querer,
Procurando lhe esquecer,
Acabei amando assim,,,
Você, tão querido e sincero,
Com esse olhar tão singelo,
Quase afastou-se de mim
Nós dois, unidos agora,
Esquecemos toda a dor,
Que maltratou-nos outrora,
Só pensando em nosso amor
Eu volto!!!

Andréa

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Novidades Scraps by Andrea


Olá!!! :) Hoje vou passar rapidinho, só para fazer um convite a todos vocês: conhecer a nova seção da Scraps by Andrea: ROUPAS!!! Sim, roupas totalmente personalizadas, com a estampa que o cliente desejar! :D Além dos modelos disponíveis, tem vários outros prestes a serem comercializados também! Fiquem de olho!!! ;)

E não são só roupas não!!! 


Um modelo novo de relógio de parede, um carregador portátil de celular, bússola, e até prato de porcelana!!! Visite a loja para ver tudo o que está disponível!!!

A loja ficou um pouquinho abandonada, porque os Correios mudaram o processamento dos produtos vindos do exterior, e algumas entregas têm demorado muito (e quando falo muito é muito de verdade) para chegar. Mas agora eles já oficializaram essa explicação no site, eu atualizei as Políticas da Loja e a sua descrição e, estando tudo às claras, os pedidos voltaram a chegar. Então, vamos agitar o pedaço! :D Agindo com transparência, o cliente estando ciente das condições, está tudo certo! ;)

Ah sim!!! O Projeto 52 de 2014 já foi para a lateral direita, junto com os anos anteriores! O link ali de cima agora direciona para o de 2015, que começou e está em dia! :D (milagres acontecem, oras!)

No próximo post trarei uma poesia de D. Solange... faz tempo que ela não aparece por aqui, né? ;)

Eu volto! 

Andréa

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De novo a pena de morte em discussão...


E olha eu aqui de novo!!! :D Falei que seria mais ativa, né? Por enquanto está funcionando!!! ;) Eu já tinha pensado em um próximo post, na verdade, colocando um texto do meu pai. Mas a polêmica em torno da execução do brasileiro Marco Archer, na Indonésia, onde foi condenado por tráfico de drogas, antecipou tudo.

Os comentários que encontrei por aí foram os mais diversos. De um lado, os que se posicionaram contra, fosse por pena, ou por convicção religiosa, ou mesmo por crença própria, de que não pode o homem decidir pela vida ou morte de seu igual. Por outro lado, os que se posicionaram a favor, afirmando que ele "mereceu" aquele destino, por ser traficante, por ter ido para um país onde a lei "funciona". O segundo grupo, aliás, em boa parte afirmou seu desejo de termos, aqui no Brasil, leis semelhantes. Complicado, polêmico... :/

Mais uma vez, a intolerância se fez presente, em especial através do grupo dos "a favor", que tomados pela raiva e pela revolta, acusam aqueles que são contra o ocorrido de defenderem um criminoso, de transformarem um criminoso em herói, de só o estarem defendendo por ser brasileiro, entre outras coisas. Mas a questão é mais profunda.

Pena de morte. Eu sou contra, sempre fui. Não acredito que haja diferença na morte infligida de um ou outro lado da lei. Se é bandido é crime, se é determinado pelo juiz é justiça. Para mim, é tudo igual. Não acho que ser humano nenhum tem direito de dispor sobre a vida de seu semelhante, seja por que motivo for. Um erro não justifica o outro. Não podemos nos "nivelar por baixo". Só Deus tem a capacidade e a sabedoria para determinar quando o ciclo da vida de cada um de nós termina. Portanto, meu lamento não é pelo Marco Archer apenas, mas por todos os que foram executados ontem, e antes deles, e que serão executados após eles. Na Indonésia ou em qualquer outro lugar.

O tráfico de drogas é um crime gravíssimo, não há dúvida. Como tal, deve ser punido, da mesma forma que qualquer outro crime. Mas não com a morte. Decidir a morte de um indivíduo não é de competência de homem nenhum. Simples assim.

Mas meu pai, há muitos anos atrás (creio que mais de vinte) escreveu um texto que já usei aqui no blog, mas que continua tremendamente atual. Um dos melhores dele, eu acho, uma obra-prima. Nunca é demais relê-lo. E é este texto que deixo aqui para a reflexão de todos.

Eu volto.

Andréa

PENA DE MORTE: O HOMEM SE DIZENDO DEUS...
Ronaldo Tikhomiroff

A cada novo crime, dito hediondo ou bárbaro, com que nos deparamos, voltamos a ouvir o clamor generalizado da instituição da pena de morte em nosso país, uma solução simplista para se tentar corrigir um mal produzido pelo próprio homem.

É triste, muito triste, se constatar que o bicho-homem está cada vez mais se tornando bicho do que homem. Como se já não bastasse a pena de morte decretada aos que morrem de fome, de frio, de doenças por total descaso ou insensibilidade do próprio homem para com seus semelhantes, vemos agora, com a justificativa de aplacar a indignação geral face aos crimes bárbaros recém perpetrados, a volta dos apologistas da pena de morte, pobres de espírito que, à falta de coisa melhor, se voltam para a animalesca solução do extermínio institucionalizado daqueles que, seja por que motivos for, praticaram um crime bárbaro ou hediondo, como virou moda falar.

Com que direito o homem se apropria da vida alheia? Se criminosos há, como de fato há, cabe a nós, pobres mortais, julgar algo que transcende nosso próprio conhecimento - pois não somos simples formas animais de vida? A cada ser humano foi dado o direito e o privilégio de viver e conviver com nossos irmãos da Natureza neste planeta, onde a harmonia e a fraternidade deveriam imperar. Através do mau uso do seu livre-arbítrio, o homem se afastou de seus princípios e se tornou, cada vez menos divino, cada vez mais animal, onde sequer respeita seus próprios semelhantes.

Através da criação de fronteiras, o homem retalhou o planeta que o recebeu, com toda a honra, como hóspede e com isso plantou a discórdia. Criou o dinheiro e colheu a ganância. Criou o progresso econômico e devastou a casa que o acolheu. Seu livre-arbítrio acabou por levá-lo a destruir seu próprio habitat, deixando-o sem perspectivas de sobrevivência. Sua sede de poder levou-o a guerras onde só conseguiu a destruição e o aniquilamento de seus semelhantes, que deveriam ser amados por ele.

Pobre bicho-homem! Agora, em um país destruído pelo famoso "jeitinho" e não menos famosa "lei de Gerson" ou "lei da vantagem a qualquer custo", que chega ao 1o.mundo com notícias de corrupção, matança de crianças, e coisas afins, renasce não o movimento neonazista, não o movimento racista, mas algo tão ou mais detestável: o movimento pela instituição da pena de morte. Em outras palavras, o atestado de incompetência e de total degradação do ser humano: seu ego tenta fazê-lo SENHOR DA VIDA, título que, ao que sabemos, pertence a alguém bem mais nobre e sábio: DEUS.

Antes de se voltar para uma reação de pura vingança, travestida de "medida preventiva" para coibir novos casos bárbaros, o homem deveria procurar entender a própria vida e a sua própria espiritualidade. Todas as seitas, religiões e movimentos espiritualistas pregam a luta do bem contra o mal. Porém, o que é o bem? QUEM definiu o que é bem e o que é mal? Existiria o conceito do bem, sem a existência do mal? Será Deus uma entidade malvada, que se utiliza de dois pesos e duas medidas? Será Ele tão pequeno assim?

Não podemos discutir, se é que cabe discussão, o problema da pena de morte sem levarmos em conta, e em primeira instância, a espiritualidade e a transcendência da vida espiritual. Afinal, todas as seitas, religiões e afins têm como verdade estes conceitos. Se no passado o homem-religioso sacrificava seus semelhantes para "aplacar a ira dos deuses", e hoje abominamos tal prática, como podemos aceitar o sacrifício de vidas humanas para "aplacar a ira dos homens"? Será o homem superior a seu próprio Criador? Será que o homem está-se intitulando DEUS? Será que chegamos a mais este absurdo?

Se tentarmos criar uma escala de valores para os males causados pelo ser humano a seus semelhantes, atribuindo a cada item uma penalidade, onde ficam classificados os crimes hediondos? Afinal o que é crime hediondo? não seria também hediondo se privar milhões de pessoas de seu único meio de sobrevivência atual, as suas economias? Quantos perderam suas esperanças, não puderam atender suas necessidades básicas de saúde, alimentação, quantos perderam a própria vida pela irresponsabilidade de uns poucos que se intitularam salvadores da pátria em um passado recente? Seriam estes passíveis de pena de morte? Aqueles que desviam os recursos arrecadados de uma população cada vez mais pobre, recursos estes destinados aos programas de saúde, aqueles que aviltam os preços de medicamentos e alimentação básica, levando seres humanos à morte, muitas vezes com muito sofrimento, seriam condenados à morte? não são estes também assassinos frios e calculistas, traidores da confiança de seus semelhantes? Tem o homem realmente a noção do CERTO e do ERRADO?

Estamos neste planeta, hoje encarnados, por algum motivo. Isto nos parece óbvio, sob qualquer prisma espiritualista. Se aqui estamos, devemos HONRAR a vida que nos foi dada pelo amor de nosso Pai. Todos temos que desempenhar nossos papéis da melhor forma possível, voltados sempre para a HONRA de estarmos vivos. Se alguns de nossos irmãos, pois os criminosos hediondos TAMBÉM SÃO NOSSOS IRMÃOS EM DEUS, agem de forma a nos causar danos, por vezes até mesmo a morte, devemos ter por eles um sentimento de culpa, um sentimento de respeito, um sentimento de amor, pois eles não souberam HONRAR sua vida, talvez até por não lhes termos dado esta chance, e somente Quem lhes deu esta dádiva pode julgá-los. Se passamos por momentos de dor, causados por esses irmãos, não serão eles agentes involuntários de uma situação que DEVERÍAMOS passar em nossa caminhada? Conhecemos nossas vidas passadas? Não fomos, em qualquer tempo, iguais a eles e não nos foi dada outra chance de nos redimir? A redenção é a vingança? Quem somos nós para julgar os desígnios de Deus?

Se olharmos em nossa volta, verificamos que o caos está cada vez mais presente em nosso mundo. O homem parece ter conseguido despedaçar a harmonia em todo o planeta. Tudo o que hoje estamos colhendo é fruto de nossa própria sede de poder, ganância e descaso com nossos semelhantes, em última análise, com nosso Criador. NÃO SOUBEMOS HONRAR A DÁDIVA DE ESTARMOS AQUI! Esta é a grande verdade, doa a quem doer. Se os animais procuram, através de seu instinto, manter o equilíbrio em seu habitat, se os animais EXPULSAM seus irmãos de espécie que praticam algum crime, nós, os seres ditos humanos, querendo ser maiores do que Deus, nos tornamos piores do que os animais, pois pensamos em MATAR nossos irmãos de espécie. Como somos pobres!

Se hoje vemos o desamor e o total descaso pela vida, no sentido mais elevado, manifestados pela grande maioria da raça humana terrestre, devemos entender que é por nossa única culpa, por havermos nos afastado de nossas origens, as quais olvidamos em passado longínquo e tentamos buscá-las sem sucesso por séculos e séculos. O homem criou seitas e religiões baseadas em algo que ele conhecia, mas não sabia explicar. Afinal, como explicar através do raciocínio leis transcendentais? A própria ciência humana hoje se contradiz a cada instante!. As próprias seitas e religiões, cujos fundamentos são únicos e verdadeiros quaisquer que sejam seus nomes, também se afastaram de suas origens e não souberam aplacar a Grande Dúvida: POR QUE ESTAMOS AQUI? POR QUE TEMOS QUE MORRER? O QUE É, AFINAL, A MORTE? A falta de sucesso no aplacamento de tal dúvida, que seria, em última análise, a verdadeira FÉ, a certeza interior e inquebrantável, levou o homem a desistir e se transformar em um verdadeiro parasita para o planeta e para seus próprios semelhantes.

Da mesma forma que hoje o homem procura "remendar" o planeta, destruído por suas próprias ações, também hoje procuramos "consertar" nossos semelhantes através de penas desumanas, irracionais ou bestiais. Mais uma vez o ser humano estará satisfazendo seus instintos animalescos, deturpados pela sua própria história. Estará satisfazendo a vontade do Pai? Se assim o fosse, o próprio Pai se incumbiria dessa tarefa macabra! Porém, sem sombra de dúvida, Ele é muito maior, muito mais sábio!

O que fazer? Como lidar com os ditos criminosos hediondos? Evidentemente não será matando-os que estaremos contribuindo para a reversão do caos. Soluções humanas existem. Através da educação, da saúde, do RESPEITO AO PRÓXIMO, e do amor à vida, podemos construir, ou melhor, reconstruir um mundo melhor. Mas a verdadeira solução está dentro de nós mesmos. Quando deixarmos de querer ser Deus através de nossa mente e de nossas emoções e passarmos a ser Deus através de nossa aspiração e nossa ligação espiritual com o Todo. Afinal, numa dimensão superior, transcendental, cósmica, aí sim, somos DEUS!

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O Enem 2014 e a Educação




A divulgação do resultado do Enem/2014 trouxe novamente à tona a discussão sobre a qualidade do ensino no país. A baixa nas notas, em comparação com o ano anterior, o crescimento assustador de notas zero nas redações vêm demonstrar que há algo de muito errado acontecendo, e não é de hoje. Alguma novidade nisso? :/

O problema é que a Educação, como um todo, precisa mudar. E a mudança tem que ser desde a base, de forma a proporcionar, de fato, aprendizado aos alunos, a todos eles, respeitando a diversidade, tornando-se inclusiva de verdade. Impossível? Claro que não. Mas requer vontade de mudar, disposição em todas as instâncias e, acima de tudo, coragem. ;) 

A cada dia que passa surgem novas experiências, não só por aqui, mas no exterior também, de formatos completamente diversos deste que conhecemos, e que vêm funcionando muitíssimo bem. Por que não olhar em volta? :D Esse modelo de alunos sentados nas carteiras com o professor à frente explicando a matéria, para depois serem avaliados através de notas, provas, podia até funcionar antigamente, hoje não mais. Bom, na minha opinião, há muito tempo que não. E os alunos são, hoje, muito mais "ligados", "conectados", ativos mesmo. Como é possível querer que fiquem sentados, ouvindo o "blá-blá-blá" dos professores passivamente? Perde-se o interesse fácil!

Quando eu estava na escola, e isso já faz um tempinho, nunca consegui enxergar a prova como sendo instrumento de avaliação. Para mim, era muito mais um instrumento de tortura! Quem nunca se sentiu assim? Eu chegava a ter crises de asma em véspera de prova, isso não pode ser saudável! :(

As provas retratam, no máximo, um momento do aluno, não necessariamente o seu conhecimento. Até porquê ele pode "colar" do colega... ;) Se ele não dormiu bem à noite, se a avó está doente, se o pai brigou ou, até mesmo, se estiver muito nervoso, pode tirar uma nota baixa apesar de saber a matéria. Quem nunca teve um "branco" na hora de uma prova? Eu já, e foi terrível! :( Fora erros "de distração", que eram o meu terror na matemática. Era a matéria que ia melhor, mas vira e mexe fazia umas besteiras... que nem eu mesma acreditava quando via a correção do professor! :/ E, na verdade, não é assim sempre? Ou você nunca teve algum dia de não se sair bem no trabalho por alguma questão externa? Por "não estar bem" ou "não estar com cabeça" para aquilo ou... "estar meio devagar"? Natural que sim! Não somos robôs!

Apesar desse meu sentimento desde sempre, a comprovação veio quando a escola onde minha irmã estudava fez uma experiência com ela, que estava se saindo mal em matemática, e a professora não entendia o motivo, porque ela parecia saber a matéria. O que fizeram então? Passaram uma folha de exercícios, para a sala toda resolver, e no final a professora corrigiu o exercício de minha irmã como se fosse prova. Ela teria tirado 8,5 ou 9,0. No dia seguinte, aplicaram a mesma folha, mas mudaram o nome para "prova". A nota dela caiu para 3,5! o.O Ela não sabia a matéria ou simplesmente tinha pânico de prova? E o que fazer? Reprovar porque ela não tinha nota ou aprovar porque ela sabia a matéria? Percebe?

Sem contar que a maior parte das provas é feita sem que o aluno possa consultar seu material. Por quê? Para consultar (e não "colar" ou simplesmente copiar), o aluno tem que saber o que está buscando, e onde encontrar. Teria muito mais tranquilidade para responder se soubesse que tinha o suporte de poder olhar o material, caso fosse preciso. E, em muitos casos, este suporte nem seria usado, apenas estaria ali, dando maior segurança. Afinal, o professor não consulta seu livro quando está explicando a matéria? Não faz anotações, lembretes? Um palestrante não tem fichas para guiar sua apresentação? Um empresário não tem seu discurso impresso quando vai falar em público? Ah sim, nem todos! Há os que falam de improviso, há os que fazem palestra sem precisar de apoio, mas estes têm um talento nato ou, pelo menos, um treino absurdo, não é o padrão! Então porque se exige dos estudantes que saibam tudo "de cor e salteado"? Para quê tanta pressão? É massacrante isso! :(

Eu lembro de uma prova de Física que fiz no Ensino Médio, e que exemplifica isso tudo. Eletricidade. Estudei com meu pai, que era engenheiro eletrônico, até ele me mandar parar e relaxar porque estava mais do que preparada para a prova, até para tirar dez! No dia seguinte, na hora em que peguei a prova, eu não lembrava NADA! Nada! :'( Foi me dando um pânico... tinha certeza de que ia zerar, porque não conseguia lembrar. E quanto mais nervosa ficava, mais difícil da memória funcionar, óbvio. O que me salvou foi o professor, que percebeu meu mal estar, passou por mim perguntando se estava tudo bem, e eu respondi que não. Aí ele me soltou uma parte de uma das frases que usava para que decorássemos as fórmulas. Eu lembrei aquela, anotei correndo e fui procurar a questão onde ela poderia ser usada. E ele fez isso algumas vezes, passava por mim, soltava alguma coisa e, com isso, cheguei a tirar uma nota seis. Mas, se o professor não me conhecesse ou não tivesse sensibilidade, eu teria tirado zero mesmo tendo domínio da matéria. Seria justo? Agora, se fosse permitida a consulta, eu não teria passado o nervoso que passei, porque uma olhada rápida no caderno seria mais do que suficiente para eu ter resolvido a prova inteira, sem nenhuma dificuldade, e minha nota teria sido até melhor.

Então como avaliar o conhecimento? No dia-a-dia, a partir da interação aluno x professor. Usando a chamada avaliação formativa, que é contínua, e que compara o aluno com ele mesmo, e não com o todo. Que valoriza o tamanho do passo dado pelo aluno, mais do que o ponto atingido. Que consegue detectar pontos que não ficaram bem esclarecidos, permitindo um eventual reforço logo que surge a necessidade. É uma avaliação que ajuda a valorizar as competências ao invés dos déficits, e usar os pontos fortes para superar os eventuais pontos fracos. É uma forma de avaliação que favorece a inclusão também, porque o ritmo do aluno é respeitado, as conquistas são valorizadas, os pontos "falhos" são trabalhados. Desta forma, ao invés de esperar que todos atinjam um mesmo patamar ao mesmo tempo, espera-se que todos cresçam, verdadeiramente, de forma contínua e consistente. :D

Sem contar que, em muitos casos, o que se ensina na escola não tem aplicação prática depois! Muita coisa é ensinada sem um contexto próximo que dê significado daquilo ao aluno. Não se usa a realidade do aluno, o interesse dele. Usando de sinceridade: quanto da matéria que aprendeu na escola você se lembra? Ou, pior, faz uso no dia-a-dia? Você lembra mesmo a tabela periódica, os íons, prótons, elétrons, combinações, cálculos, que aprendeu anos a fio em Química? É relevante para você saber se no texto que está escrevendo tem uma oração subordinada "não sei das quantas"? Você lembra como calcular um circuito elétrico? Lembra as datas de todas as batalhas da História? Melhor ainda: lembra todos os afluentes do Amazonas? :/ Ah, então nada disso deve ser ensinado? Claro que deve! Mas de forma coerente, trazendo para o cotidiano do aluno a sua finalidade, dando significado para o que está sendo ensinado. Mais do que isso: deve-se estimular a curiosidade do aluno, para que ele queira saber mais, queira pesquisar, descobrir. ;)

É como aquelas "provas do livro" que eu tinha em menina, e que devem existir ainda. Você lia um livro, escolhido pelo professor, e depois tinha que fazer uma prova sobre ele. Eu o-di-a-va! Sério! E olha que eu sempre li muito! Era frequentadora voraz da biblioteca da escola, minha mãe era sócia daquele "Clube do Livro" e vivia comprando novidades para todos em casa, eu inclusive (claro!). ;) Mas eram livros que me interessavam, que eu "devorava", e sobre os quais eu poderia falar a respeito, tranquilamente. Agora... ler forçada? Já lia de má-vontade! :/ Ainda mais se o professor não soubesse "vender" a ideia. O melhor exemplo disso é o "Anarquistas Graças a Deus" da Zélia Gattai, que fui obrigada a ler como parte da disciplina de OSPB (nossa... alguém lembra disso???) quando estava na 8ª série. Eu odiava a matéria, a professora, e li o livro com taaaaanta vontade, que detestei desde a primeira página. :( Algum tempo depois, a minissérie foi lançada na Globo, e eu nem assisti (eu,hein? o.O). Mas minha mãe viu, e se interessou em ler o livro. Amou. E falou tanto, com tanta vibração, que eu resolvi reler, agora com outros olhos. Conclusão? Virei fã ardorosa da Zélia, li todos os livros que ela escreveu, diversas vezes! Aliás, preciso reler novamente, faz tempo que não faço isso!!! :D

E isso já é visto em escolas no exterior, e em algumas "escolas alternativas" aqui no Brasil. Nestas escolas pioneiras, os alunos são os senhores de seu aprendizado. São o elemento principal. Os professores são mediadores, instigadores, orientadores. As classes, turmas, séries, não são tão importantes em muitos casos, porque um aluno mais velho, ou com maior domínio de alguma disciplina, pode auxiliar aquele que está começando. E pode aprender com este também, porque não? Os saberes são tantos! :) Nestas escolas, as salas de aula inexistem no formato que conhecemos, muitas vezes nem têm paredes, e ao invés de carteiras tradicionais encontramos outros formatos, agrupamentos, além de sofás, poltronas... o conhecimento é obtido pela pesquisa, que parte do interesse dos próprios alunos, e o professor ajuda no direcionamento, questiona, abre novos pontos de vista, relaciona outras disciplinas àquela que estiver servindo de eixo principal. Ah, mas assim o aluno só vai aprender o que quer! Não! Ele vai querer saber cada vez mais, vai ser desafiado o tempo todo, vai ficar curioso, vai ter que "botar a cabeça para funcionar". :D Não vai ser um elemento passivo, mas ativo. E muito ativo. Mesmo alunos com deficiência intelectual são favorecidos em uma estrutura assim. Porque eles passam a ter voz, a serem desafiados. Precisam sair da "zona de conforto" e ir em busca, tornar-se mais independentes. ;) Os exemplos mais conhecidos talvez sejam as escolas com a metodologia Waldorf, e a Escola da Ponte em Portugal, mas existem muitas outras trilhando estes caminhos, distanciando-se da educação tradicional. 

Sem contar que muitas destas escolas têm usado a tecnologia a favor da Educação. Ao invés de proibirem o uso de tablets e celulares, estimulam. Sem que sejam usados às escondidas, os alunos aprendem a extrair dessas ferramentas, conhecimento. Fazer pesquisas, compartilhar informação. A música pode sair do fone de ouvido para ter relação com a História, com a Língua Portuguesa, e até com a Matemática! :D Num mundo globalizado como o de hoje, onde está se tornando mais fácil encontrar um aluno sem tênis do que sem celular, não há mais como fugir da tecnologia. E como negar que aprender usando computador, tablet, celular, internet, fica muito mais divertido e interessante? ;) Havendo interesse no aprendizado, as distrações deixam de fazer sentido! Há tempo para tudo! 

O que essas escolas têm feito, na verdade, é aproveitar as inteligências múltiplas descritas por Gardner! Porque cada um tem uma forma de aprender, de processar as informações. Não à toa, cada um tem mais facilidade em determinadas disciplinas do que em outras. Mas se souber usar suas habilidades, acabará por conseguir superar as dificuldades a aprender de tudo! :D 

E as escolas que têm mudado sua visão estão observando melhoras no rendimento dos alunos, e em muitos casos são estes alunos justamente que se sobressaem em avaliações do governo (como seria o Enem) frente aos alunos ensinados ainda pelo método tradicional. Como assim? Se não estão habituados a fazer provas, a serem cobrados? o.O Sim, mas eles SABEM as matérias de fato, então torna-se tranquilo demonstrar isso. Não carregam o peso de terem sido cobrados o tempo inteiro, de terem que provar a todo momento se estão realmente aprendendo. Os alunos têm confiança em si mesmos, têm segurança naquilo que conhecem, porque aprenderam de verdade, de maneira consistente. Responder sobre aquilo torna-se natural e, até mesmo, desafiador. E eles já aprenderam que desafios estão aí para serem encarados e superados! ;) Como diz José Pacheco, da Escola da Ponte: "o que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares." E ainda completa: "dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão." Preciso dizer que sou fã de carteirinha desse sujeito??? :D

Ah, mas você está falando de uma utopia! Não!!! Como disse, há diversas escolas, em diversos países, experimentando essas mudanças. Não é algo que ocorre de um dia para o outro, claro que não. Até porquê mudar a mentalidade das pessoas é muito difícil. Estes dias mesmo vi uma reportagem falando que a França está debatendo a abolição das notas nas escolas. De onde está vindo a maior resistência? Dos pais! o.O Como cobrar os filhos sem o boletim??? É complicado para eles perceber que neste sistema não há porque haver tanta cobrança, porque o aprendizado irá acontecer de forma gradual e muito mais tranquila. É outra forma de lidar com as coisas. Então, não é só mexer com a estrutura das escolas, com a formação dos professores, é uma mudança que irá refletir na sociedade como um todo. Mas é necessária, cada vez mais. E aí? Será que você está disposto? ;)

Eu volto.

Andrea

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