Oremos...


"Duas tragédias causadas pelo homem. Uma pela ganância, outra pela ignorância. Uma aqui e outra lá. Ninguém é obrigado, como estão dizendo por aí, a escolher uma para orar, escolher uma para ajudar. Ajude os que estão aqui, reze pelos que estão lá. Ignorar não ajuda aqui e não ajuda lá. E que Deus ajude os que estão sofrendo, e os de bem que ainda resistem por aqui."
(retirado da página "Life on a Draw! Desenhos" do Facebook)



Parece incrível, mas a tragédia em Paris ontem acendeu uma nova "competição"... quem comenta ou lamenta o ocorrido é atacado por estar "esquecendo de Mariana". o.O Como se uma tragédia pudesse simplesmente apagar a outra. E as pessoas nem sequer estão lembrando das outras tantas que ocorreram também nos últimos dias... o terremoto no Japão com risco de tsunami, os atentados ocorridos no Líbano, o avião abatido na Rússia, a guerra civil (e os refugiados) da Síria... fora as tragédias de menores proporções, que atingem pessoas individualmente (ou em menores grupos) todos os dias. Nosso planetinha vive um verdadeiro caos, essa é a verdade! :'(

Gente... tiremos de nossos corações o ódio, a intransigência, o desejo de vingança, o sentimento de "bem-feito, foi merecido" ou de "isso não me diz respeito". Tratemos de cultivar o AMOR em sua plenitude. Tratemos de olhar o próximo como um irmão que é digno de nosso amor e nossa compaixão. Deixemos de tentar medir a dor do outro como se fosse possível mensurar quem merece mais. Deixemos de nos importar com fronteiras, querendo saber se tem algum brasileiro ferido na França, como se o fato de ser "dos nossos" o fizesse mais merecedor do que todos aqueles que lá estavam! :(

Oremos pela paz, pela harmonia, pelo AMOR, para tentar elevar a energia do astral coletivo. Oremos por todos aqueles que estão vivenciando momentos críticos, independentemente de onde ou porquê. Oremos por quem precisa, sem pensar na nacionalidade, na etnia, na religião. Oremos. Apenas isso. Por nossos irmãos e por nosso planeta tão maltratado. Seja qual for a crença de cada um, não importa. Apenas... oremos. 

E busquemos fazer o bem a quem nos for possível, da forma como pudermos, como estiver ao nosso alcance. Um prato de comida para um pedinte na esquina, um pacote de fraldas para um bebê sem recursos, um abrigo para um animal abandonado, um dia em um orfanato (ou asilo, ou hospital), arrecadação de doações para quem precisa, o auxílio em um local atingido por uma tragédia, o engajamento numa missão humanitária. Não importa o "tamanho" da ação, mas sim que ela seja feita com todo seu coração. O valor do ato não está na sua dimensão, mas no AMOR que lhe for dedicado.

AMOR. E muita oração. É isso que nosso planetinha anda precisando.

Eu volto.

Andréa

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Mais amor por nossas crianças, por favor!


Esta semana um vídeo "viralizou" na internet, mostrando um garoto em crise, detonando uma sala de aula. Uma criança de seus seis ou sete anos, completamente fora de controle. A equipe da escola, então responsável por ele, ao invés de tentar acalmá-lo, contê-lo, ao contrário o estimulava a continuar naquele comportamento. Eram diversos adultos ali, supostos EDUCADORES, que ao invés de fazer algo de positivo, diziam que não podiam "bater, segurar", que precisavam chamar os bombeiros, a polícia, a assistente social... e além de nada fazer, ainda filmaram e expuseram uma criança na internet. :(

Assistindo ao vídeo não consigo deixar de ficar triste, angustiada, por pensar no quanto este garoto está sofrendo. Ele não tem culpa de estar assim. Se chegou a este ponto algo de muito sério aconteceu e acontece em sua vida. Maus tratos? Abusos? Falta de limites? Falta de uma família estruturada? Presença de algum distúrbio neurológico? Falta de AMOR? Algumas ou todas as anteriores? Não há como saber. :/

Temos apenas um vídeo, que não compartilharei, pois o garoto já foi por demais exposto, mostrando alguns minutos de uma situação extrema. Não se sabe o que aconteceu. Não se conhece a história desse menino. Certamente não é mera "falta de surra" como tantos vêm falando. É muito simples culpar a criança. Mas como é fácil julgar os outros! Como é fácil julgar uma CRIANÇA! o.O É muito simples responsabilizá-la. Evita-se, assim, a necessidade de investigar o caso a fundo. Evita-se a necessidade de AJUDAR o garoto (e ele precisa de muita ajuda, é evidente). Evita-se a necessidade de compreensão, de compaixão. Mais fácil surrar do que abraçar. Mais fácil atacar do que ouvir. :'(

Vendo o vídeo acabei lembrando de um trabalho que participei com crianças e jovens com Down. Havia uma menina de 12 anos, Andrea, por coincidência, que os voluntários evitavam, porque era "difícil" (leia-se agressiva, teimosa, indisciplinada, jogava as coisas longe se fosse contrariada). Ainda por cima era grandona, forte. Ninguém se atrevia sequer a levá-la para dar uma volta no quarteirão. Ficava sempre dentro da casa com uma das voluntárias enquanto os outros passeavam.

Em determinado momento houve uma reestruturação e meu horário coincidiu com o dela. Cheguei apreensiva, confesso. Tinha uns 20 anos na época, e as coisas que ouvia a respeito dela eram assustadoras. Só que eu comecei a observar... ela brincava de escolinha (sendo ela a professora) gritando com as bonecas e colocando-as de castigo. Brincava de casinha (ela no papel de mãe), gritando, ameaçando e batendo nas bonecas. Alguma dúvida de como era a vida dessa menina em casa e na escola? :( Conversei com as voluntárias que iam à casa dela, mostrei que precisavam uma atuação mais firme junto à família, que a mãe tinha de questionar a escola também.

E, pelo meu lado, comecei a buscar uma aproximação, mas ela era muito resistente. Devagarinho, falando baixo, ela foi baixando a guarda. Quando se descontrolava, eu buscava contê-la, abraçando-a por trás. Se ela tentava "ganhar no grito" eu me mantinha firme. De repente ela descobriu que tínhamos o mesmo nome e isso ajudou à beça, porque criou uma identificação. Ela não era mais uma "estranha", havia alguém com o mesmo nome dela! :D

Aí eu decidi que naquele dia íamos passear no quarteirão. Expliquei antes que ela teria que obedecer, senão voltaríamos. Lógico que o começo foi difícil. Ela me testou várias vezes. Mas ao perceber que me mantinha firme foi aprendendo a se controlar.

Aos poucos, ela foi melhorando. Revelou-se uma menina carinhosa, amável. Só precisava que alguém olhasse para ela, prestasse atenção. Alguém que a levasse em consideração, que a considerasse importante. Sem precisar de gritos. Sem precisar de agressões físicas. Uma menina que me ensinou muito e de quem até hoje sinto saudades. :D

De encontro ao meu depoimento, uma mãe postou um vídeo corajoso, defendendo o garoto, e falando do seu próprio filho, que tem TDAH e que já agiu da mesma maneira! Esse vídeo eu faço questão de compartilhar, pois vale a pena ser visto por todos, em especial aqueles que defendem que o problema é meramente "falta de surra".


Outro exemplo que acabei recordando foi quando minha mãe morreu, porque as meninas eram pequenas. Como já comentei diversas vezes, foi devastador, porque ela teve um enfarte, ninguém esperava. Ficamos sem chão, realmente. Uma das melhores coisas que aconteceu foi ouvir da diretora e de toda a equipe da escola: "cuidem da cabeça de vocês que com as meninas a gente ajuda". Samara, então com 7 anos, teve diversos momentos de carência durante a aula, e o professor a pegava no colo, dava aula com ela ali. As professoras da Thabata (que tinha 5 anos) fizeram uma "roda de conversa" sobre o tema, ajudaram não só a ela mas a toda a turminha. Ajudou-as e nos ajudou, num momento dificílimo, que poderia ter sido ainda mais penoso sem este suporte. Sou grata a cada um deles, e eles todos sabem disso.

Sei que essa história toda mexeu muito comigo... primeiro me chocou a divulgação do vídeo, que considerei de extremo mau gosto por expor uma criança daquela forma, e ainda apontou um despreparo absurdo dos envolvidos naquela situação. Depois, grande parte das pessoas que o divulgaram, fizeram atacando o garoto, chamando de bandido, defendendo surras, "prevendo" que no futuro ele andará armado, e daí para pior. A frase "se fosse no meu tempo" foi recorrente, defendendo a punição física como a "salvação da lavoura". o.O Pois se fosse no MEU tempo, esse menino seria tratado com todo o amor, pois meus pais sempre souberam nos ouvir, cuidar, ajudar. Davam limites sim, mas sabiam enxergar que crises existem e devem ser superadas. E, se para um adulto nem sempre é fácil fazer isso, para uma criança, que não tem domínio da sua expressão, não tem discernimento suficiente, não tem maturidade, experiência, é muito pior! Para que elas superem as crises, precisam de ajuda, dos pais, dos educadores e, em alguns casos, de atendimentos especializados. O que elas menos precisam é de surra! Eu, apesar dos meus 44 anos, não fui criada na base da violência, graças a Deus!!!

Lembrar da experiência vivida com minha querida xará só me deu mais certeza de que esse menino precisa é de muita ajuda. De muito AMOR! Ele é só uma CRIANÇA, caramba, com toda a vida pela frente! Não o julguem por causa de 3 ou 4 minutos de um vídeo que nem deveria ter sido publicado. Não o julguem sem conhecer a sua história, os seus motivos, as suas DORES. Não o condenem a uma fatalidade de crimes e fracassos sem lhe dar a OPORTUNIDADE de ser feliz e se desenvolver da maneira correta. 

Na faculdade eu comentava que o problema da violência nas escolas é só a pontinha de um iceberg que está sendo ignorado. Ninguém se torna violento por nada. Tem muita coisa envolvida, MUITA. O problema é gravíssimo, mas muitas vezes pode, sim, começar como esse garoto. Se ele não for ajudado, sabe-se lá como a sua situação vai se desenrolar... mas se cuidarmos dele, se cuidarmos das nossas crianças... se lhes dermos atenção, cuidados adequados, AMOR, principalmente, talvez consigamos mudar a situação. 

Esse menino, ainda que não tenha nenhuma deficiência, serve também de alerta para a necessidade de as escolas estarem abertas à diversidade, à inclusão de todos os alunos. Há que se estar preparado para as eventuais crises, sejam pontuais ou persistentes. Há que se ajudar os alunos, e mesmo os pais (que não obrigatoriamente têm o conhecimento necessário), a buscar caminhos para um desenvolvimento saudável, pleno, feliz. E tudo começa com AMOR.

Eu volto.

Andréa
(a essência deste texto foi publicado em meu Facebook, mas queria registrá-lo aqui também, e acabei por estendê-lo um pouco. Aliás, criei lá uma página de divulgação do blog, o link está na barra superior.)

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Vivendo em polaridades



Tem me chamado a atenção como estamos, cada dia mais, vivendo em polaridades. Não existe mais meio termo, apenas os extremos. Não existe uma terceira opção. Ou é ou não é. Ou é bom ou é mau, ou ama ou odeia, ou concorda com a opinião do outro e é o melhor amigo do mundo ou não concorda e passa a ser considerado quase que um inimigo mortal. Pois é, as polaridades trazem, muito proximamente, a intolerância com todo aquele que ousa pensar ou ser diferente. Sério, a coisa está ficando até chata...

As últimas eleições acentuaram esse sentimento ainda mais, como se o país fosse dividido entre PT e PSDB. Até comentei isso no meu Facebook na ocasião. As discussões se tornaram de tal forma acaloradas, inflamadas, que eu me abstive de emitir opinião! A quantidade de "amizades" (???) que vi desfeitas pelo simples fato de se PENSAR DIFERENTE foi imenso! o.O Um absurdo total! Quer dizer, só podem ser amigos aqueles que pensam igualzinho? Ninguém tem direito à sua própria opinião? O pior de tudo é que o problema não cessou com o resultado das urnas. Acho até que se agravou! Porque quem apoia o PT continua postando montes de matérias depreciando o PSDB e elogiando o governo da presidente, e quem apoia o PSDB continua postando montes de matérias atacando o PT. E ai daquele que OUSAR contestar, ou emitir uma opinião contrária! Como se o fato de não apoiar o PT ou, até, o simples fato de perceber os erros do atual governo e criticá-los, transformasse a pessoa automaticamente em eleitora do PSDB (ou vice-versa, tanto faz). Como se não se pudesse querer algo totalmente diferente, como se só existissem estes dois partidos. Um extremismo horrendo! 

E o pior de tudo é que isso vale para outras áreas. Peguemos, por exemplo, os protetores dos animais. Eles têm, de fato, um trabalho lindo e muito nobre. Mas se tornam intransigentes, sectários até, com aqueles que pensam diferente ou que agem de forma diversa àquela que consideram correta. Por exemplo, se alguém pede ajuda para doar um cão ou um gato, ao invés de conseguir ajuda acaba recebendo montes de mensagens lhe atacando, sem que alguém sequer se preocupe de apurar os motivos! Oras, eu mesma, depois que passei pelo problema das enchentes, precisei doar dois cachorros que tinha! Não tive escolha! Havia perdido tudo, pela segunda vez, e acabei me afundando em dívidas. Precisei sair da minha casa (que depois vendi por qualquer preço) e ficar dois meses morando de favor em casas de amigos, até conseguir alugar outra que coubesse (e mal) no meu sobrecarregado orçamento! A casa que arrumei, com muita luta, não tinha espaço suficiente para os dois, infelizmente. Eu devia fazer o quê? Levá-los de qualquer forma, deixá-los confinados em um espaço ridiculamente pequeno, apenas para poder bancar a mártir e dizer "apesar de tudo eu fiquei com eles"? :/ Ah sim, e correndo o risco de ser denunciada por maus tratos, já que eles não teriam espaço decente MESMO para ficar? Foi uma situação extrema, concordo, mas ACONTECE! Da mesma forma, se alguém compra um cão de raça é atacado ferozmente por "alimentar o comércio", por "compactuar com criadores irresponsáveis" numa generalização absurda! Claro que existem estes criadores mercenários, sempre existiu. Mas existem também criadores conscientes, como foi meu pai um dia. Criadores que criam por amor à raça, que nem visam tanto o lucro, mas ao menos cobrir os custos da própria criação, que não sobrecarregam as fêmeas com uma cria atrás da outra, que não abandonam os cães que deixam de "servir" à procriação. Basta fazer uma pesquisa antes. E a escolha é pessoal, cada um sabe seus motivos. Eu tenho, hoje, dois viralatas, mas SONHO em ter novamente um boxer. Porque simplesmente AMO boxer, seu jeito, suas características, sua cara bochechuda. Ponto. Se vou comprar ou se conseguirei adotar (como foi a minha Milla), não sei, o tempo dirá. ;)

Em campo mais "espinhoso" encontramos as religiões, e aí a coisa "pega" de verdade... apesar de vivermos num Estado laico, o respeito à crença alheia é algo bem difícil de se encontrar. O que mais se vê por aí é um querendo impor sua religião ao outro, como se a Verdade fosse de seu domínio exclusivo. Como se apenas o "seu" templo, o "seu" livro sagrado, o "seu" Deus fosse capaz de salvar a alma de alguém. :/ Por outro lado, encontramos ateus que, em sua descrença, desdenham da crença alheia também. É só passear um pouquinho pelo Facebook para encontrar absurdos por todos os lados! Uma vez vi a postagem de uma pessoa que tinha uma frase mais ou menos assim: "diz que é cristã mas posta mensagens de Chico Xavier". Oi??? o.O Qual o problema, gente? Uma mensagem bonita, verdadeira, independentemente de quem a proferiu, deveria poder ser usada por quem quer que fosse! Até porquê Chico jamais foi "propriedade" da doutrina espírita, mesmo tendo sido um de seus maiores divulgadores. ;) Também outro dia vi uma postagem de ateus sugerindo que Deus "esqueceu" o cromossomo extra das pessoas com síndrome de Down! Uma mensagem tremendamente preconceituosa, para começar, pois colocou as pessoas com síndrome de Down como "erros", ou como "menos" do que os outros. Mas também uma mensagem altamente desrespeitosa com a crença de todos que não são ateus. Para quê isso??? :( Religião deve trazer, primordialmente, conforto ao coração de quem a segue. Se este conforto vem através do catolicismo, protestantismo, espiritismo, budismo, hinduísmo, ou mesmo do ateísmo, é com cada um. Ninguém tem o direito de dizer que o outro está certo ou errado. É uma questão de foro íntimo, não pode ser imposto! 

Só que o que acontece é exatamente o oposto. Algumas pessoas, imbuídas de um fanatismo imenso por suas crenças, acabam se achando no direito de dar palpite na vida alheia, em determinar o que o outro pode ou não fazer. Se juntar religião e política então... vixe! Sai de baixo!!! Sim, estou de novo falando do "Estatuto da Família", cuja aprovação vem sendo tentada através, principalmente, da chamada "bancada evangélica" da Câmara. Vejam: DE-TES-TO generalizações e nada tenho contra os evangélicos, ao contrário. Tenho diversos amigos que o são e, nem por isso, se tornam fanáticos ou intransigentes com quem não é, são pessoas íntegras, boníssimas, com as quais tenho o maior prazer de estar junto. Mas esta é a forma como a própria imprensa se refere ao grupo de deputados que vem orquestrando esse movimento. 

O "Estatuto da Família", além de querer interferir na vida das pessoas, ainda mexe com direitos já adquiridos. E, ao contrário do que muitos pensam, não vai combater apenas o casamento homossexual (o que por si só já seria motivo para eu não ser favorável à sua aprovação, cada um sabe de si e do que lhe faz feliz), mas combate também todas as formas de família que diferem do padrão. Não sei se leram o texto que publiquei anteriormente, mas lá eu citava uma enquete criada pela própria Câmara, que foi vencida pelo NÃO e cujo resultado foi sumariamente ignorado pelos deputados! Será que ignorariam também se o SIM tivesse vencido? Ou alardeariam o resultado por todos os cantos? Só para fins de reflexão, leiam esta matéria e verão que a coisa é MUITO mais complexa, MUITO mais séria do que uma "simples" intolerância à relação homossexual. 

Aliás, essa intolerância à orientação sexual alheia é algo que já cansou! Não é preciso necessariamente concordar com a escolha do outro, cada um é livre para pensar o que quiser, mas RESPEITAR a escolha do outro é fundamental! Ninguém vive em uma redoma de vidro, ninguém vai conseguir viver sem enxergar casais do mesmo sexo. Eles existem (sempre existiram, aliás), estão aí, nas ruas, nos bares, nos teatros, nas escolas, nos locais de trabalho, nos ônibus, nas praças de alimentação dos shoppings... do seu lado! E ninguém vai mudar isso, esqueçam! Querer aprovar um "estatuto" para boicotá-los, querer impedir que o cônjuge desfrute, por exemplo, do mesmo plano de saúde, querer tirar os direitos do cônjuge em caso de separação ou viuvez, querer impedir um casal de adotar, porque ambos são do mesmo sexo, é absurdo! No caso da adoção, estes casais, justamente pela compreensão que têm das minorias, muitas vezes aceitam aquelas crianças que ninguém quer, aquelas que são mais velhas, ou têm irmãos, ou alguma doença, deficiência... então seria melhor que essas crianças e jovens continuassem em abrigos, muitas vezes maltratadas, ou em péssimas condições? Basta uma pesquisa rápida para ver que casos assim não são tão incomuns assim! É melhor isso? É melhor essas crianças e jovens serem impedidos de terem uma família, impedidos de serem amados, respeitados, de terem melhores oportunidades, pelo simples fato de que VOCÊ não concorda com esta estrutura? Não é muito egoísmo? Não é muita hipocrisia? :(

Hipocrisia... pois é. BINGO! Essa é a palavra! Recentemente estava vendo montes de comentários sobre o final daquela novela/série, sei lá o que foi, "Verdades Secretas"... elogios e mais elogios à trama... caramba! A menina queria ser modelo, se prostituiu, se tornou amante do padrasto, e todo mundo bate palmas? Isso é legal??? o.O Agora, quando a Fernanda Montenegro e a Natalia Thimberg deram um beijo, numa cena linda, delicada, mostrando uma relação estável de sei lá quantos anos, foi um alvoroço! Quando o Boticário fez uma campanha do Dia dos Namorados com casais se ABRAÇANDO (e foi apenas isso), foi um "auê"! Ambos os casos geraram inúmeros protestos, campanhas de boicote... mas a menina amante do padrasto é super bacana e todo mundo aplaude só porque o casal é hetero? o.O Fala se isso não é hipocrisia? Aliás, será que aquele núcleo formado pela mãe, o padrasto e a menina (filha dela e amante dele) seria considerado como FAMÍLIA pelo tal Estatuto??? Fala sério! 

Mas voltando às polaridades, além dos temas "polêmicos" que citei, ainda existem aquelas pessoas que se acham no direito de dar palpite na vida alheia, quando não concordam com algo que as pessoas postam nas próprias páginas! Qualquer coisa pode virar "terreno minado", "campo de ataque"! Pode ser a mãe que continua amamentando o filho que já tem mais de um ano, ou aquela que desabafa porque não consegue amamentar, pode ser alguém falando da sua alimentação vegana, pode ser a foto de um menino brincando de bonecas, pode ser uma foto no Sea World (nem todo mundo tem a mesma consciência sobre a captura e o confinamento de animais), pode ser alguém que defenda o uso de homeopatia em determinado caso, ou até a simples emissão de uma opinião sobre um programa de TV... enfim... TUDO é motivo para começar uma guerra! :( Não se trata de não concordar com o que foi postado, não se trata de uma discussão saudável, mas de atacar ferozmente quem postou, querendo mostrar o quanto a pessoa está errada em sua posição (porque o dono da verdade assim determinou). Cansa... cansa muito! Eu várias vezes deixo de publicar algo ou comentar uma postagem para evitar esse tipo de stress desnecessário, não tenho paciência. Mas tem cabimento precisar agir assim? :/

Será que não está na hora das pessoas se respeitarem mais, aceitarem as escolhas do outro, pararem de dar palpite na vida alheia? Será que não está na hora de ter um pouco mais de compaixão, de amor ao próximo e parar de se achar melhor que o outro seja porque motivo for? Será que não está na hora de deixar de ser o "dono da verdade", deixar de tanto "mimimi", deixar de querer um mundo em que todos pensem exatamente igual a você? Será que não está na hora de entender que as pessoas pensam e agem diferente de você, mas nem por isso deixam de ser pessoas legais, interessantes, com inúmeras qualidades (e defeitos, claro, você também os tem, mesmo que pense o contrário) e que podem ser amigas de verdade? Para quê complicar tanto? ;)

Não existem apenas dois caminhos separados, eles podem se esbarrar em vários pontos, podem convergir em um terceiro, desviar para outro... por que não se pode caminhar junto com quem pensa diferente? Mais AMOR, gente... tenho repetido isso sempre aqui, mas é o que está faltando, de fato. AMOR ao próximo e RESPEITO à diversidade! ;)

Eu volto. 

Andréa

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Cadê a inclusão???


Vamos chamar a faxineira, que esse espaço aqui está mega abandonado? :D Desculpem, mas ando numa fase tão corrida que não tenho conseguido tempo/inspiração para nada! Não é por falta de assunto não, porque isso tem de sobra, mas tempo mesmo, cabeça para colocar as ideias fluírem. Só que hoje acordei com o vídeo de um desabafo, que me fez PRECISAR escrever! É o desabafo de uma mãe (Silvia Quintan) que quer, apenas, poder oferecer Educação de qualidade para sua filha com deficiência. Assistam:



Este vídeo é tocante e, ao mesmo tempo, revoltante. :\ Não é o único caso, longe disso! São muitas, muitas, muitas crianças com deficiência que têm suas vagas negadas diariamente em escolas regulares. Escolas que não querem ter trabalho, que querem robôs no lugar de alunos, crianças que fiquem quietinhas, sentadas em suas carteiras, ouvindo passivamente seus professores, sem questionar (e sem pensar, provavelmente). Qualquer comportamento fora do esperado torna-se um problema e a criança já não é bem-vinda ali. Não à toa, meu amigo Fabio Adiron comenta que o verbo mais conjugado nas escolas é o "encaminhar": encaminha para a psicóloga, para o neuro, para a fono, para a psicopedagoga... qualquer coisa, mas tira este problema de minha frente! :'( Eu conheço de perto essa realidade pois, ainda que não tenha nenhuma deficiência, fui uma garota extremamente tímida, não fazia amizades facilmente, então era considerada "aluna-problema" pela escola!

Acham que estou exagerando? Então deem uma lida no documento divulgado pelo SINEPE/SC (Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina):

Srs. Pais e Responsáveis , Paz e Bem!SINEPE/SCSINDICATO DAS ESCOLAS PARTICULARES DE SANTA CATARINACARTA ABERTA À COMUNIDADE ESCOLARO QUE É PRECISO SABER SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA ESTATUTO DO DEFICIENTERECENTEMENTE SANCIONADA, A LEI13.146/2015, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 7 DE JULHO PASSADO, INSTITUIU A LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA (ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA).O ASSUNTO É COMPLEXO. NÃO PODE SER TRATADO SUPERFICIALMENTE E COM SENSACIONALISMO, COMO VEM OCORRENDO.
O QUE É PRECISO SABER
As soluções seriam muito mais simples se as deficiências fossem apenas de natureza física, uma questão de engenharia e de “layout” de mobiliário, de prédio ou de próteses. A maior nação do mundo teve um presidente cadeirante e a Inglaterra, um rei gago. Só de outros transtornos e síndromes - com natureza, grau e profundidade diferentes, próprios e individuais - arrolam-se mais de cinco mil. O portador de necessidade especial precisa de educação, tratamento e acompanhamento também especiais, por instituições capazes de proporcioná-los com sucesso e não charlatanismo.
Causa-nos estranheza um país que não reconhece, não contempla e não premia os valorosos serviços que, abnegadamente, por anos, vêm sendo prestados pelas APAES e outras instituições altamente especializadas.
Quem nasceu e mora em Santa Catarina conhece de perto – através de familiares, amigos e colegas portadores – os resultados positivos, alguns verdadeiros milagres, obtidos através das Associações de Pais e Amigos de Excepcionais, pelo Instituto Diomício Freitas, em Criciúma, Abludef e Abada, em Blumenau, AMA de Joinville, CAPP em Chapecó, Coepad, Iatel, ACIC e Aflodef, todos em Florianópolis, além da Orionópolis, em São José.
Essas instituições não se limitam apenas a atender os deficientes físicos, mas estendem esse trabalho aos portadores dos mais diversos transtornos. A nosso ver, melhor se faria reconhecendo o trabalho de tais entidades, privilegiando-as, amparando-as, fortalecendo-as e lhes dando recursos suficientes. Poderiam ser mesmo suporte especializado para trabalho conjunto com famílias e com as escolas comuns, não apetrechadas, não preparadas suficientemente para atender os portadores de necessidades especiais, conseguindo-se real, verdadeira e efetiva inclusão social. Seriam um núcleo especializado à disposição de todos. Os poderes públicos têm condição de transformá-los em verdadeiros centros de atendimento altamente qualificados e especializados. Impostos, aliás, não faltam!
Algumas perguntas inquietantes podem levar a uma visão mais equilibrada e holística do melhor atendimento e inclusão dos portadores de necessidades especiais. Apenas, como exemplos, é possível formular algumas, capazes de provocar uma avaliação mais atenta da situação. Como uma escola comum, competente para cumprir com a missão para a qual foi criada, mas não equipada e sem pessoal especializado, pode agir diante de um adolescente com 13 ou 14 anos, ainda não alfabetizado, que, por sua própria condição e idade, se isola dos demais ou por eles é isolado? Será que, a título de inclusão social:
a) alguém pode ser ministro do S.T.F. sem preencher os requisitos previstos no artigo 101 da Constituição da República?b) há condições de um autista ou alguém com idade mental reduzida e psicológica ser Presidente da República?c) é possível a um cego ser cirurgião ou piloto de avião?d) para um cardiopata ou vítima de câncer é suficiente o tratamento por um clínico geral ou posto de saúde de primeiro atendimento? Ou seriam apenas os encaminhadores aos especialistas?e) alguém sem braços ou sem pernas poderia jogar basquete ou futebol (nas paraolimpíadas são classificados ou agrupados conforme o tipo e grau de deficiência)? Por que simplesmente não inseri-los nos meios e disputas dos atletas que não têm limitação?f) Uma clínica especializada em oftalmologia está obrigada também a atender patologias na área de cardiologia?g) O Serviço Militar (Marinha, Exército e Aeronáutica) está preparado para aceitar nas suas fileiras toda e qualquer pessoa portadora de deficiência? Aliás, eles aceitam?h) o que uma dessas escolas poderia fazer por um aluno que, em razão de atraso mental de idade, não se integra com os colegas, que têm interesses diferentes, porque estão em idade mais avançada?i) o que uma dessas escolas pode fazer por um aluno que, em razão de deficiência, abre a braguilha e expõe a genitália para as colegas ou agride os menores?j) que procedimento pode adotar a direção de uma escola comum quando uma jovem professora, aos prantos e ferida física e psicologicamente, anuncia que pede demissão e desiste da profissão, porque foi espremida com uma carteira contra a parede por um hiper-ativo, ao impedi-lo de agredir uma outra criança paraplégica, num de seus descontroles em que inopinadamente e sem motivos bate em todos os colegas?k) como proceder diante de um aluno que, sem capacidade de discernir, armado, ameaça agredir os colegas?l) há real inclusão social, carinho e amor ao deficiente, colocando-o numa escola comum, entre alunos comuns, simplesmente para satisfazer a um possível sentimento de culpa injustificável?m) pode, honestamente, uma escola comum certificar promoção, conclusão de nível ou grau de ensino, para quem foi impossível alcançar tal nível? Isso não seria uma enganação individual e coletiva? É bom lembrar que grande parte dessas escolas têm leigos como professores.
A resposta a essas e outras perguntas seria, a título de inclusão social, colocar à força tais pessoas e alunos juntamente com os diferentes deles, em escolas comuns, PÚBLICAS e PRIVADAS, sem estrutura e despreparadas.
Educação, ensino e preparação não se resumem a mera socialização e convivência. Pensar e agir assim seria apenas prejudicar os deficientes e seus familiares, prometendo-lhes uma inclusão que verdadeiramente não ocorrerá.
Nós não nos opomos à Lei 13.146/15, mas à pretensão de que milhares de escolas comuns, PÚBLICAS e PRIVADAS, que não se propuseram a ministrar educação especial por falta de competência para fazê-lo, tenham obrigatoriamente que atender com garantia de sucesso os deficientes, de qualquer natureza, grau, variação ou profundidade.
Será que, com bom senso, equilíbrio e visão realista, se pode ter mais consideração e respeito com o deficiente, para proporcionar-lhe o atendimento e tratamento que merece?
Será que é possível ao Estado transferir uma responsabilidade constitucional que lhe pertence aos ombros e orçamento de entidades privadas ou de seus demais alunos e pais?
São justos os custos adicionais para manter estrutura adequada e pessoal especializado para atender alunos portadores de necessidades especiais - recaírem sobre os custos e preços dos demais?
Não se inclui simplesmente colocando alguém no meio de uma maioria diferente, com que acabará não se interagindo e se integrando. O próprio portador da necessidade poderá se sentir isolado, podendo até reagir agressivamente.
Tudo se resume a uma questão de bom senso, equilíbrio, isenção e visão realista.
Registre-se que muitos dos apoiadores, mentores e autores da lei, que têm portadores de necessidades especiais em casa, se recusam a matriculá-los numa escola pública mesmo altamente especializada e capacitada ou em unidade da APAE. Será por preconceito, este, sim, a maior deficiência de uma pessoa?
Essas são algumas ponderações que ousamos propor para que sejam examinadas com isenção, com olhos e visão voltados equilibradamente para o bem-estar dos portadores de necessidades especiais. E, assim, com um bom debate sobre a matéria, contribuir para a sociedade.
Florianópolis, setembro de 2015.
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO (CONFENEN)SINDICATO DAS ESCOLAS PARTICULARES DE SANTA CATARINA (SINEPE/SC)

Ficou com o estômago embrulhado? Eu fiquei. Preconceito extremo, para dizer o mínimo. Acabei me lembrando de conhecidos de meus pais que, ao tentarem matricular a filha adotiva na escola ouviram a pergunta: "mas ela não é de cor, é?" Eles obviamente viraram as costas e foram embora sem responder, afinal não era aquele o ambiente que pretendiam para a filha que, aliás, era branca. Mas porque seria preterida se fosse negra? :/

O preconceito é algo que me enoja, de verdade. Porque é cruel, é mesquinho. Quem tem preconceito se acha melhor que o outro, seja por que motivo for. Acha que tem mais direitos, que tem mais valor. Vale para tudo, para a cor da pele, para as características físicas (gordo, magro, com óculos), para o sexo (as mulheres que o digam), para as religiões, para as orientações sexuais, para as deficiências. E quando se trata destas, vemos uma crueldade ainda maior. :(

Sim, porque além de tudo que as pessoas com deficiência passam, de olhares, comentários, piadinhas, violências, que são comuns a todas as formas de preconceito, ainda existe a negação dos direitos mais básicos a estas pessoas, como os direitos civis, de mobilidade, e o direito à Educação! É sobre este, especificamente, que vou falar hoje, motivada pelo vídeo da Silvia e este texto absurdo do SINEPE.

Diz a nossa Constituição, em seu artigo 205: "Educação, direito de TODOS". Todos quem? Segundo o comunicado do SINEPE, que reflete a mentalidade de boa parte das escolas regulares, todos aqueles que "não incomodam" ou que possam ser considerados (sei lá de que forma) "aptos a aprender". Mas Constituição é a lei maior do país, e como tal deve ser respeitada. Não bastasse ela, temos diversos outros documentos que corroboram o que já deveria estar tão claro em seu texto, como a Declaração Universal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da ONU (ratificada pelo Brasil em 2008 e com peso de Constituição Federal) e a recente Lei Brasileira da Inclusão, passando ainda pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96), apenas para citar alguns.


Falando em LDB, muitas escolas agarram-se a ela dizendo que o ensino de crianças com deficiência em escola regular não é obrigatório, apenas deve ser PREFERENCIALMENTE oferecido nesta rede. Mas alguém já analisou exatamente o que diz a LDB em seu artigo 4º, inciso 3º?

Atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino.

Ou seja, se formos interpretar corretamente, ela cita o atendimento educacional ESPECIALIZADO (voltado ao atendimento da criança com deficiência ou superdotação), não o ensino de português, matemática, ou coisa que o valha. Ela se refere (me parece bastante óbvio, no que diz respeito aos alunos com deficiência) à sala de recursos, ao reforço psicopedagógico, à tutoria, etc., que deveriam ser oferecidos preferencialmente na rede regular, até para facilitar e diminuir o desgaste.

Negar o acesso de alunos com deficiência à Educação regular, além de ferir diversas leis, como comentei acima, é extremamente CRUEL. Não há outra palavra que possa definir melhor. Afinal, determina que aquela criança, aquele jovem, não é bem-vindo no ambiente escolar. Não tem direito a conviver com os "ditos normais". Não tem direito de aprender junto aos demais. Ele incomoda. Ele tira os educadores da "zona de conforto", fazendo com que tenham que buscar soluções para ensinar estes "seres estranhos". É mais fácil recusar... ou, pior ainda, "fingir" que aceita e não fazer nada por aqueles alunos. E, neste caso, além de infringir as leis, ainda presta um desserviço, atrasando o aprendizado e o desenvolvimento dos alunos que não são levados em consideração, não são desafiados. São atitudes que devem ser denunciadas ao Ministério Público. Mesmo que se opte por outra escola, a denúncia precisa ser feita, para que as escolas vejam que não estão acima da lei. É preciso coibir o preconceito, a discriminação.

Os casos mais sérios dizem respeito aos alunos com deficiência intelectual. As deficiências física, auditiva, visual, ainda são um pouco mais aceitas, mas a deficiência intelectual complica. Os alunos com deficiência intelectual têm ritmo de aprendizagem diferente dos demais, precisam por vezes de adaptação dos materiais utilizados, precisam de uma explicação um pouco diferenciada, precisam de uma dedicação mais individualizada. Nem vou entrar aqui na questão de que todos os alunos podem ter essa necessidade em um ou outro momento, ou que esse formato tradicional de Educação precisa ser modificado para atender melhor a todos, como já comentei em textos anteriores. Vou focar apenas no fato de que os alunos com deficiência intelectual podem aprender (e aprendem). Podem seguir nos estudos. Basta que tenham estímulo, oportunidade, que sejam desafiados como os demais. Até onde chegarão? Quem sabe? Quem pode determinar até onde vai o outro? Cada indivíduo é único! Quantos jovens sem nenhuma deficiência largam os estudos pelo caminho ou optam por não cursar uma faculdade por motivos diversos? Agora, se o aluno chega na sala e o professor já olha para ele como alguém que não vai aprender, como será capaz de ensiná-lo? Para ensinar é preciso, primeiro, acreditar no potencial do aluno! Aliás, não cabe na minha cabeça um professor que se recusa a ensinar quem quer que seja! Se recusa a TENTAR, se recusa a buscar uma forma daquele aluno aprender! Como pode isso? o.O

Ter uma especialização para lidar com crianças com deficiência é interessante, óbvio, mas não imprescindível. Até porquê a quantidade de síndromes existentes, jamais permitirá que tenhamos especialistas para tudo, e mesmo que isso fosse possível, cada indivíduo é único. Cada criança com Down aprende de uma forma, cada criança com autismo aprende de uma forma, cada criança sem deficiência aprende de uma forma. ;) É preciso, acima de tudo, vontade, disposição, empenho. 

Não se pode mais nem dizer que é falta de informação, porque hoje isso não existe, ainda mais com a popularização da internet. Pode existir falta de interesse em conhecer, mas a informação existe e está ao alcance de todos. Recentemente mesmo tivemos a série do dr. Drauzio Varella no Fantástico, falando sobre a síndrome de Down (os links estão no menu à direita). Um programa que foi muito positivo em diversos aspectos, que valorizou as capacidades dos indivíduos com Down, mostrando que eles podem, sim, ir bastante longe. Afinal, se aquelas pessoas mostradas na tv, ainda que nascidas em gerações que tinham menos informação e onde o preconceito era ainda maior, conseguiram, o que dirá das que estão crescendo agora, com ainda mais recursos? CLARO, o programa deixou algumas brechas, não agradou a todos, porque muitos pais acharam que foi brando demais, não exibindo as dificuldades por eles enfrentadas. Mas era um programa para o grande público, para derrubar preconceitos, e eu acredito que cumpriu seu papel, da mesma forma que a série sobre autismo no ano passado (coloquei os links à direita também). No caso dos professores, existem diversos blogs, sites, com atividades adaptadas. Sem contar uma revista bimestral chamada "Mundo da Inclusão", que é excelente!

A recusa das matrículas ainda causa outro problema, pois os alunos com deficiência, em especial a intelectual, têm ainda a dificuldade da socialização. Devido ao déficit intelectual, a diferença destes para as crianças que não têm deficiência tende a ser ampliada com o passar dos anos. E como as crianças "ditas normais" não são educadas para a aceitação, o respeito e a inclusão do "diferente", não são sequer habituadas a conviver com crianças com deficiência, conforme crescem passam a excluir cada vez mais. A não convidar para festinhas, para idas ao shopping, a deixar aqueles alunos isolados no recreio... :( e, no entanto, se a convivência fosse estimulada desde sempre, em todos os ambientes, certamente esta exclusão seria bastante reduzida.

Difícil reverter essa situação? Nem tanto, mas precisa que as pessoas mudem suas atitudes, e isso leva tempo. Basta que as pessoas passem a ter respeito pelo seu próximo, passem a aceitar a diversidade. O que falta, na verdade, é tolerância, é pensar no outro e não só em si. Falta é AMOR AO PRÓXIMO. Aliás, esta é uma constatação que tenho feito em muitos aspectos no dia-a-dia, infelizmente.

Eu volto. (espero que logo...)

Andréa


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Um brinde aos amigos!!!



Hoje é o Dia Internacional da Amizade e eu tenho MUITO a celebrar com cada um de vocês! :D É muito bom ter amigos, de todas as cores, de todos os credos, de todas as épocas, espalhados por todos os cantos! Amigos que surgiram do contato pessoal ou virtual, amigos virtuais que já tive o prazer de conhecer pessoalmente, amigos que permanecem virtuais, esperando uma oportunidade de dar um abraço ao vivo... AMIGOS, simplesmente! :D


Em tempos de tanta intolerância, em que as amizades são desfeitas a um simples "clique do mouse", em que vemos diariamente pessoas anunciando que estão "fazendo faxina nas amizades" por qualquer divergência de pensamento, ter tantos e tão diferentes amigos, é uma bênção ainda maior! :) Uma alegria, de fato.

Eu escrevi recentemente a respeito, e continuo me impressionando a cada dia com a facilidade com que as amizades são descartadas atualmente. Não consigo entender isso! o.O Antigamente as pessoas eram amigas, mesmo pensando diferente do outro. Havia respeito pela diferença, havia tolerância. Hoje não precisa muito para se excluir pessoas do círculo de amizades. Círculo de AMIZADES? Será isso mesmo? Claro que os níveis de amizade variam de acordo com uma série de fatores, e isso influirá no grau de intimidade com o outro, mas é o termo usado de maneira global. 

Agora, há os amigos que são e permanecerão virtuais, porque não há tanta afinidade assim. Há os que se conhece por motivos de estudo, trabalho, mas que não se estreita a amizade por um motivo qualquer. Independente disso, de alguma forma, há uma conexão. Ainda que haja alguma divergência, em algum aspecto os pensamentos coincidem, os caminhos se cruzam. São conhecidos, colegas, que de repente até podem sumir sem que a gente se dê conta de imediato, mas em algum momento sentiremos sua ausência. 

Agora, o AMIGO de verdade, para mim, é aquele que está do lado, para o que der e vier. É aquele que, mesmo que não seja sua "alma gêmea", não pense igualzinho sempre, tem afinidades, tem bom coração, tem caráter. É aquele que, ainda que não se conheça pessoalmente, se pode contar a qualquer momento, está "ali". É aquele que é boa companhia para quando você está a fim de falar besteira e dar risada, ao vivo, por whatsapp, messenger, telefone. Ou para ir ao cinema, ao teatro, ao shopping. Amigo de verdade é aquele que não some da sua vida quando você tem algum problema ou passa alguma dificuldade. Ainda que não seja bom ouvinte (nem todo mundo é), ou mesmo que não fale muito, você sabe que ele está presente, e que conta com ele, nem que seja para enviar uma energia positiva, fazer uma oração. Os outros podem até ser amigos... mas não AMIGOS! ;)

Mas o que percebo, cada dia mais forte, entretanto, é uma fragilidade dos laços tão absurda que, mesmo amizades de anos, com pessoas que já se conhecem até pessoalmente, às vezes entre parentes, são desfeitas com a maior facilidade e sem o menor critério. :( Deleta-se da lista sem o menor remorso, por qualquer motivo.


Que amizade é essa que exclui o outro porque ele gosta de jogar no Facebook e o jogo envia solicitações aos seus contatos? Nem sempre ele pode controlar isso, mas quem recebe pode, sim, bloquear o recebimento das solicitações de forma bem simples! Que amizade é essa que exclui o outro porque ele, inadvertidamente, clicou num link com vírus e acabou reenviando a mensagem para sua rede? Ao invés de avisar o amigo e tentar ajudar, simplesmente se elimina o amigo! Fácil! Que amizade é essa que exclui o outro porque vota diferente, porque tem outra religião, porque tem uma orientação sexual diferente da sua? Que amizade é essa que exclui o outro porque ele não abraça as mesmas causas? Que amizade é essa que exclui o outro porque não gosta do que ele posta na própria página? É amizade mesmo? Acho que não. É número, no máximo. E que não resiste a tanta intransigência... :/

Ao longo da vida, algumas vezes vi amigos se afastarem por motivos diversos. Também eu e meus pais nos afastamos de algumas pessoas por uma ou outra coisa. Mas é tudo detalhe... e detalhe, cada um, tão pequeno que, de coração, não lembro de nenhum! Alguns destes amigos eu pude resgatar através da internet, e foi como se tivéssemos falado há alguns dias apenas! Aquilo que aconteceu lá atrás não teve o MENOR significado! ;) Imagina, então, esses "motivos" de hoje em dia!!! Há!

E é por isso que eu brindo aos amigos! Porque tenho a sorte de ter muitos, de fato! Já tive diversas oportunidades (mais até do que gostaria) de constatar isso! Muitos ainda não tive o prazer de conhecer "ao vivo e a cores", mas hei de conseguir um dia! Muitos já tive essa sorte e foi muito bom!!! Muitos se perderam ao longo da vida mas foram reencontrados com a ajuda da internet! Muitos estão presentes desde sempre e para sempre, se Deus quiser! :D

Este ano mesmo tive algumas oportunidades de abraçar amigos de todas as épocas, de conhecer amigos virtuais, de rever amigos que havia perdido contato e que a internet trouxe de volta... é tão bom!!! 


AMIGOS! :D É por vocês e para vocês esta postagem! Obrigada, de coração, por fazerem parte de minha vida! Eu não precisaria de um dia para celebrar a amizade de vocês, mas já que ele existe, brindemos! Vocês mais que merecem!!!

Feliz Dia Internacional da Amizade para cada um de vocês!!! Tim! Tim!



Eu volto!

Andrea

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Promessa furada...


Pois é... prometi e não cumpri... :/ mas os tempos estão complicados. Essa bendita crise que assola o país também me assombra, e aí... a tensão toma conta. São contas demais, com aumentos demais, e dinheiro de menos. :( Não está NADA fácil!!! Mas eu não desisto, nem tenho medo de trabalho, então tenho buscado alternativas. Prestei dois processos seletivos para lecionar à noite no EJA, um pelo município de Itatiba, outro pelo SESI, e passei bem classificada em ambos. Falta SÓ aparecer vaga! :P Também já mandei currículo para faculdades, tentando atuar na área da Pedagogia voltada para a inclusão. Algo vai surgir em breve! Fora que minha trava no banco já caiu, então já estou concorrendo à gerência de contas em um bando de agências, é questão de tempo para surgir uma vaga. Mas é aquela coisa... preocupação na cabeça abala o ânimo, atrapalha o sono, o cansaço aumenta. E, com isso, tenho passado menos por aqui. Vocês me conhecem... prefiro me retirar a ficar falando de problemas. ;) Sem contar que sou essencialmente otimista. Não deixo a depressão tomar conta, reajo, mudo o foco, e lembro (de novo) de meu pai: TENHA FÉ! :)

Então, para ajudar a desanuviar a cabeça, resolvi aceitar a "cutucada" de um amigo dos tempos de Orkut! :D Nós participávamos, com mais algumas pessoas, de uma comunidade de desafios de lógica, Acabamos formando um grupo de amigos, de diversos lugares, e eu abri uma comunidade própria, com um desafio criado por mim. A coisa foi longe, três desafios, cheguei a conhecer pessoalmente três amigos desse grupo, mas depois acabou esfriando por motivos diversos, principalmente a correria do dia-a-dia. Em tempos de Facebook não tinha ainda tentado me aventurar, até que esse amigo se mostrou saudoso... e eu resolvi encarar! Já tinha um segundo perfil criado, com o simples propósito de me mandar relatórios de Criminal Case (viciada, eu???), e resolvi utilizá-lo para o desafio. Está sendo ótimo! O grupo é muito animado, então a risada rola solta por ali! :D Ajuda MUITO a levantar o astral, era tudo que eu estava precisando!!! ;)

E, dando continuidade ao tema "religiosidade" uma poesia de minha mãe! :)

Eu volto!

Andrea

DEUS
(Solange Tikhomiroff - out/1986)
Deus...
Amplie, por favor, minha coragem
Restaure minha força em amplitude
Fazei com que eu prossiga a viagem
E que minha passada nunca mude
Deus...
Guie meu olhar pra natureza
Derramando em mim Tua emoção
Para que possa enxergar toda a beleza
Do equilíbrio da Tua criação
Deus...
Faça a modéstia me abraçar
Em seu abraço de serenidade
Faça minha mente alcançar
Além daqui, por toda a eternidade
Dê-me o conforto da Tua doçura,
Caminhe comigo em meu calvário
Para que eu possa, então, sem amargura
Cumprir aquilo que é necessário
Deus...
Permita que eu conheça o perdão
Que vai aliviar o meu sorriso
Para que eu tenha paz no coração
E siga o caminho que preciso!

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Passadinha ligeira, deixando um texto para reflexão! Essa semana passo com mais tempo! Espero... ;)

OS NOVOS TEMPOS
(Ronaldo Tikhomiroff) 
De tempos em tempos o fato se repete. Novas pessoas, sem saber porque, sem saber como, surgem com a mesma história. Uma história de busca incômoda mas insistente, que trás uma série de questionamentos, pois não sabem o que buscam e o que as incomodam. Não atentam, por não conhecerem os processos de encaixe dentro desta nova realidade, que o que sentem nada mais é do que o chamamento interno para um novo posicionamento. Não se trata de nenhum fenômeno mediúnico, de nenhum desequilíbrio emocional ou mental. Apenas está sendo oferecido a essas pessoas a oportunidade de redirecionarem suas vidas.
Cada um de nós, enquanto seres viventes no sistema evolutivo terreno, possui o dom do livre- arbítrio. Neste momento em que o chamamento interno se manifesta, a decisão final está entregue ao livre- arbítrio. É chegada a hora de decidirmos entre nossas emoções,  nossa  razão, puramente materiais e nossa intuição, aquela voz interna para a qual nunca demos maior atenção e que agora se manifesta com maior vigor. Esta manifestação, traduzida pelos questionamentos que agora nos incomodam, é o despertar de nosso Eu Interno, nos convocando para os novos tempos.
Durante dezenas, centenas ou mesmo milhares de vidas passadas, foi-nos dado oportunidades de crescimento interior. Em cada uma delas sempre aprendemos um pouco, mesmo que inconscientemente. Peculiaridades não bem resolvidas foram-nos reapresentadas, para que tivéssemos nova oportunidade para crescermos. Assim é o processo evolutivo no âmbito terreno. Ainda que nossa mente material não traga esses registros, nossa consciência cósmica está sempre registrando cada momento de nossas existências. Como alunos da “Escola da Evolução”, chega o momento em que devemos tomar a decisão sobre o que aspiramos para nosso futuro. Afinal, desejamos continuar no “curso básico” ou queremos participar de cursos mais avançados?
Se estamos sendo “incomodados” por este chamamento é porque atingimos a “média mínima” para nos graduarmos. Cabe a nós tomarmos a decisão. Afinal, os novos tempos estão aí.
O desabrochar de nosso Eu Interno precisa ser auxiliado por nossa intenção de nos conectarmos com o Plano Superior e renunciarmos aos apelos de nosso ego. Se não fizermos um movimento de atenção ao chamamento interno, este continuará a insistir, nos apresentará sinais indicativos de sua presença, provocando nosso livre-arbítrio a tomar sua decisão.
Ao sentirmos a presença de nossa voz interna, devemos nos aquietar, deixar que ela se manifeste e nos indique o passo a tomar. Não devemos nos deixar seduzir por nosso ego, nem deixar que nossos pensamentos sejam poluídos pelo desânimo provocado pelas dificuldades que se apresentam em nosso cotidiano. As forças involutivas aí estão para nos desviar. No entanto, se REALMENTE desejamos nos coligar com o Plano Superior, devemos nos entregar com toda a fé a este objetivo, ditado pelo nosso íntimo com tanta força. Não devemos nos esquecer que até Sidarta, o Buda e mesmo Jesus, o Cristo, foram tentados pelas forças negativas. Eles nos deram o exemplo de perseverança e fé. Porque não seguirmos seus exemplos?

Eu volto.

Andrea

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A necessidade de mudança na Educação

No início do ano, após a divulgação do resultado do Enem/2014, escrevi um post falando sobre a questão do ensino em nosso país. E, a cada dia que passa, mais tenho a certeza de que é urgente promover uma mudança global na estrutura existente. Não é tarefa simples, longe disso, mas extremamente necessária.

De um lado, encontramos as queixas dos professores, que além da má remuneração ainda aguentam a falta de educação dos alunos, cada vez mais mimados, desacostumados a ouvir “nãos”, ou desatentos, mais interessados nos celulares do que nas aulas. :/ Pior: encontramos os relatos assustadores dos mestres acuados em sala de aula, vítimas de agressões por parte de alunos e, até mesmo, pais de alunos, que cobram atitudes condescendentes, notas boas nos boletins, ainda que sem merecimento.

De outro lado, encontramos as queixas dos pais, por uma escola “como antigamente”, onde os alunos eram alfabetizados de forma consistente, sabiam a tabuada “de cor e salteado”, onde havia interesse por parte dos professores em se aprimorar e ensinar, de fato, os alunos, não apenas “passar matéria”. Os pais clamam por uma escola que aceite todo e qualquer aluno e que os desafie de fato, mas respeitando seu ritmo de aprendizado. Inclusão, sabem? Assim... de verdade? ;) Mas está difícil encontrar... Vemos pais sonhando com uma escola que trate os alunos como PESSOAS, antes de mais nada, que pensam, têm sentimentos, histórias, interesses próprios.

Encontramos, ainda (e talvez principalmente) alunos, muitas vezes desmotivados, desatentos, desinteressados no aprendizado como é transmitido hoje, levando a escola “na flauta”. Outros, claro, empenhados, preocupados com seu futuro, muitas vezes estressados em demonstrar seu potencial através das boas notas obtidas nas provas, literalmente “se provando” diariamente.

Sem contar os sistemas apostilados, verdadeira febre atualmente, que proporcionam a industrialização do que deveria ser artesanal: o aprendizado. Através destes sistemas, o ensino é dividido em unidades, que são tratadas muitas vezes em uma sequência onde não há preocupação com a ligação entre os temas. Acabou uma unidade? Passa­-se para a seguinte, como se a anterior não tivesse relevância mais. Aluno ficou doente, faltou, perdeu uma unidade? Problema dele e dos pais, estude em casa agora, o professor não tem nada a ver com isso. Não entendeu da forma que foi explicado? Ah, amigo... se esforçasse mais, né? A falha é sua, não do método ou do professor! Agora já foi, o assunto já mudou! CLARO que estou falando de forma generalizada, nem todos são assim. Mas vejo reclamações constantes, então não é tão raro também.

Onde está a razão? Em todos, eu diria. E suprir todas as queixas só será possível buscando uma real transformação da Educação. Como diz José Pacheco, estamos em pleno século XXI ensinando como se fazia no século XIX! Não pode dar certo!!! O mundo mudou radicalmente nestes anos todos, em todos os sentidos! Mas a escola não acompanhou estas mudanças... de que adianta termos hoje computadores nas escolas, lousas digitais, livros sendo substituídos por tablets, mas continuarmos querendo que os alunos fiquem enfileiradinhos ouvindo o professor e seguindo a sua orientação soberana? Não é à toa que eles buscam distração nos celulares, da mesma forma que a minha geração fazia com jogos de “stop”, velha, forca, ou troca de figurinhas! (Não que eu fizesse isso, claro... :P ) É muito chato aprender assim!!! :( E será que precisa ser chato? Aprender não pode ser prazeroso, divertido? Claro que pode! :D E sendo prazeroso aprende-se mais rápido e melhor, com toda a certeza!!!

A falha vem ocorrendo desde o princípio! A base dada aos pequenos precisa ser bem construída, para permitir o progresso contínuo e consistente dos educandos. O construtivismo, para a alfabetização, pode ser interessante e funcionar para algumas crianças, mas não para todas, isso está mais do que claro. O número de analfabetos funcionais é gigantesco, e se reflete no desempenho global dos estudantes! Sem ler e escrever de forma adequada, como podem aprender as outras disciplinas, pesquisar, se informar... como podem se expressar corretamente? :/ Há crianças, sim, que aprendem pelo construtivismo, mas há outras para quem o método fônico é mais eficiente ou, até mesmo, as “ultrapassadas” cartilhas! O importante é que aprendam a ler e escrever com fluência, sem erros, não importa o método!

A colocação de rótulos, como se a escola fosse obrigada a lançar mão de um método exclusivo, só atrapalha! É mais importante a escola dizer “aqui nós trabalhamos com o construtivismo” (e depois vermos crianças com 10, 11, 14 anos sem saber ler e escrever direito) ou “aqui todas as crianças são alfabetizadas pelo método que cada uma responder melhor” (e de fato todas serem alfabetizadas a contento)? A ausência do rótulo permite a flexibilidade da ação, permite mudar de caminho quando um não está funcionando como se esperava. ;)

Mesma coisa a tabuada! Ok, sou favorável que a criança entenda o processo, de que forma que aquelas tabelas são construídas Primeiro porque é importante desenvolver o raciocínio lógico das crianças e, até mesmo, porque se em algum momento ela não lembrar um resultado, saberá chegar a ele por outro caminho. Deixa de ser mera "decoreba". Mas a criança vai ter que, em algum momento, memorizar as benditas! Não tem jeito! É isso ou ficar escravo de calculadoras e “colas”... não dá! É chato? Até é, mas nem precisa ser... transformar a tal “decoreba” em algo lúdico não é tão complicado assim! ;) E é necessário, quanto antes as crianças forem estimuladas a isso, melhor para elas mesmas, vai facilitar em todo o aprendizado da matemática, da física...

Tenho ficado, cada vez mais, convencida de que a educação pautada na autonomia do aluno é o melhor caminho. Recentemente participei de um curso sobre a Escola da Ponte, e mais especificamente sobre o Projeto Âncora, no Brasil, que segue seus preceitos. É fascinante! E tão mais lógico, tão mais fácil...

(nessa foto o Samuel, filho do Fábio Adiron, faz uma apresentação na feira de Ciências da escola)

É o aluno como senhor de seu processo de aprendizado, tendo o professor como seu guia, mentor, instigador, oferecendo todo o suporte que for necessário. É proporcionar oportunidade para que o aluno vá em busca do conhecimento, em livros de diversos autores e métodos, revistas, internet, o que lhe trará um aprendizado muito mais consistente do que aquele adquirido numa aula expositiva. Ainda mais nos dias atuais, em que a informação está aí, ao alcance das mãos, nos celulares, tablets, computadores. Desafie o aluno e ele aprenderá, de fato, e não para “tirar nota na prova”, esquecendo tudo em seguida. Você nunca passou por isso? :/

Claro que a autonomia não é adquirida “da noite para o dia”, é ensinada também. Permitindo que as crianças saiam da "redoma de vidro", experimentem, tentem fazer as coisas. Com segurança, claro. Os pais ou os responsáveis devem estar sempre atentos e prontos a intervir caso necessário, principalmente com os pequenos. Até porquê, ser autônomo não significa fazer (ou aprender) sozinho, mas saber buscar as respostas, saber pesquisar, perguntar, experimentar e, até mesmo, pedir ajuda quando necessário, seja ao colega, aos pais, ou ao professor. Ser autônomo proporciona ao aluno maior independência, maior segurança, maior autoestima, maior confiança em si mesmo. E não é isso que os pais (deveriam querer) querem para os filhos? ;)

A Educação vem mudando no mundo. Cada vez é mais frequente lermos notícias de países abolindo notas, disciplinas, alterando a forma de ensinar. Além, claro, de experiências pontuais, como a Ponte, como o Projeto Âncora, e como diversas outras escolas aqui mesmo, no Brasil. :D Mas precisamos mais! Muito mais!!!

É claro que, mudando­-se a forma de ensinar, é essencial mudar também a forma de avaliar os alunos! Eliminar, de uma vez por todas, esse esquema falido de provas, notas, reprovações, e partir para a avaliação formativa, avaliando o aluno constantemente, a cada passo dado. :) Na Ponte, por exemplo, o aluno determina o momento de ser avaliado, quando se sente confortável com aquilo que estudou. Ele tem um plano quinzenal, com todos os tópicos que deve aprender naquele período e, quando está satisfeito com o seu aprendizado coloca seu nome e o tópico em questão numa tabela chamada “eu já sei”, para que o professor possa lhe avaliar. E se ele não responder a contento? Não há problema! O professor direcionará aquilo que não ficou bem claro, permitindo ao aluno preencher as lacunas e, quando o este entender que pode ser avaliado novamente, volta a colocar o nome na tabela. Simples, sem cobranças excessivas, sem estresse! ;) Ah, passaram-se os quinze dias e ele não deu conta de tudo? Tranquilo! O que ficou para trás vai para a próxima quinzena, há tempo suficiente! Vai dizer que você nunca precisou postergar uma meta porque abraçou coisa demais ao mesmo tempo? ;)

Quando fiz o curso, uma colocação chamou minha atenção por resumir a diferença entre essa “nova Educação” proposta pela Ponte, e a que praticamos: a Educação, como é praticada no Brasil (e em outros locais ainda) determina um tempo fixo para o aprendizado, permitindo disparates na qualidade do que é aprendido. O objetivo acaba se tornando o ano letivo em si, ao invés do aprendizado efetivo. Na Ponte, determina-­se que TODOS devem aprender TUDO, não importando o tempo que levam para isso. O objetivo é o aprendizado de excelência, e tempo é todo o período de duração do Ensino Fundamental. :D

Não havendo a divisão por séries, nem classes preestabelecidas, cada aluno vai aprendendo no seu ritmo, caminhando de acordo com as suas possibilidades. Pode avançar mais rápido em uma disciplina, ir mais devagar em outra, mas sabe que tem que cumprir o currículo estabelecido pelo governo. E, de modo geral, os nove anos “disponíveis” para o Ensino Fundamental mostram­-se mais do que suficientes para tal meta, possibilitando, inclusive, estudos à parte do currículo oficial! :)

Mesmo alunos com deficiência saem ganhando neste formato. Alunos com deficiência intelectual, já se sabe, podem avançar nos estudos se lhes forem dados tempo e oportunidade. Num formato como o proposto pela Ponte, além de tudo ganham a autonomia e a segurança tão necessárias para uma vida independente. :D Elimina-se, desta forma, as barreiras tão disseminadas nas escolas regulares: falta de preparo, necessidade de um tutor em tempo integral (salvo exceções, claro, em caso de limitações mais severas de mobilidade)... permite-se a inclusão escolar de fato, a Educação para todos, sem exceção, que é meu sonho e de muita gente! ;)

Outro detalhe importante, é que a Educação, na Ponte e em qualquer outro local onde exista a busca por excelência, ocorre em período integral, e não em turnos, como aqui. Deixa de existir, quase totalmente, a estressante “lição de casa”, tirando dos ombros dos pais a obrigação de “fazer a lição”com os filhos, “tomar a matéria” na véspera da prova para se certificar que estão preparados. Algo que é complicado muitas vezes, visto que os pais não têm o conhecimento necessário para ajudar aos filhos. Para casa só vão tarefas muito pontuais, como uma entrevista com os pais ou avós, uma pesquisa a ser realizada no bairro em que moram, etc. O restante é visto na escola, há tempo de sobra para isso! E tempo, ainda, para atividades de artes, música, esportes, etc. Escola em tempo integral para uma Educação Integral. Muito mais coerente, muito mais funcional. ;)

Mudar a cultura, a mentalidade das pessoas é complicado, claro. Mas é preciso mudar. Urgentemente. Pelo bem das nossas crianças, pelo bem das novas gerações deste país.

Para reflexão deixo aqui um vídeo. Deliciem­-se! :D


Eu volto.

Andrea

Só um adendo... depois de escrever, reescrever, escrever de novo este texto, descobri essa entrevista do José Pacheco à Revista Fórum e percebi colocações muito semelhantes. Mera coincidência? ;) Acho é que a "pupila" aqui tem aprendido direitinho a lição! :D

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14 anos de saudade...


Caramba... quando penso nem acredito que já faz tanto tempo... 14 anos!!! 14 anos do maior susto da minha vida! De repente, do nada, cadê? Já tinha pegado carona na cauda do cometa, e nos deixado aqui, "falando sozinhos"! :/ 

Que loucura foi aquilo... tudo muito rápido, de uma hora para a outra me vi sem meu esteio, minha melhor amiga... e ainda tendo que segurar a onda de um pai com coração dilacerado, e duas crianças que não entendiam como que a vovó Solange podia não estar mais em casa... :( Não que eu tenha me rebelado, ao contrário. Sempre fui grata por não ter lhe visto sofrer. Sempre fui grata por saber que você teve merecimento para ir assim... como passarinho.

Aos poucos fui percebendo que você sabia... ainda que não fosse consciente, você SABIA! E tentou nos preparar, como se isso fosse possível. Foi delegando as tarefas que costumava centralizar, dividindo-as entre nós. Falou para o papai que sabia que ele não conseguiria ficar sozinho, mostrando que entendia a necessidade dele, de ter companhia. ;) Falou que se preocupava comigo, de eu precisar, de repente, cuidar das meninas, porque Alessandra não tinha cabeça... nesse dia eu senti, e desabei, mas você me tranquilizou dizendo que não pretendia ir embora tão cedo... (humpf!)

Foi sua partida que me aproximou dele. Afinal, éramos as duas tão inseparáveis, tão iguais, tão parceiras, que ele acabava ficando "de lado", Era sempre "voto vencido", já que pensávamos da mesma forma. Ele chegava a me chamar de sua "advogada"!!! :D

Mas a nossa proximidade era algo muito forte! Tanto que nunca tive dificuldade alguma de lhe comprar presente, era só eu gostar que, certamente, você gostaria! (Já meu pai... chaaaaaato...) Como esquecer as noites regadas a música, filmes, Rummikub, Trívia? Os "xingos" diferentes buscados no dicionário para implicar uma com a outra??? :D Como esquecer as "Solangites", que até hoje me divertem imensamente cada vez que lembro??? Você foi É única! Inesquecível, insuperável!

Com você aprendi a ter Fé, com os dois pés à frente. Confiar, porque "tudo vai valer a pena"! (e é bom falar aí para capricharem, porque estão abusando... ;) ) A sua espiritualidade era algo imensurável. Bom, filha de "seu" Elmo e "dona" Haydée, a leoa... nem podia ser diferente!!! Uma base que me deu uma força que eu desconhecia, que duvidava possuir. Uma base que se mostrou sólida o bastante para não me deixar desabar, nem nos piores momentos!

Eu só tenho a agradecer. Agradecer pela mãe incrível que Deus me deu. Agradecer pela mulher íntegra, exemplo de caráter, que me estruturou para a vida. Agradecer pela amiga maravilhosa que esteve junto a mim SEMPRE. Agradecer pelas risadas, pelas conversas, pelo carinho, Agradecer pelo anjo da guarda que ganhei há 14 anos.

O único problema é a saudade... que apesar de mais "tranquila", continua imensa, e cresce diariamente há 14 anos...

"Eu sei que vou te amar... por toda a minha vida eu vou te amar..." :D

AMO MUITO VOCÊ, mãezinha!!! E sonho com o dia que poderei lhe dar um SUPER abraço!!!

Andrea



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Recentemente venho tocando no tema "espiritualidade" com certa frequência. Publiquei faz pouco tempo um texto de meu pai a respeito. Falei um pouco de nossa própria busca na postagem sobre o Dia Internacional da Síndrome de Down também. 

Aí, olhando o caderno de poesias de minha mãe, para escolher uma para trazer para vocês, encontrei uma escrita antes daquele período que falei. Uma poesia sobre a busca de minha mãe pela sua Verdade.

Interessante como, ainda antes dos acontecimentos que relato no texto citado acima, minha mãe já percebia que estava no caminho certo. Estava chegando ao que buscava. Deliciem-se!

Eu volto.

Andréa

Busca(Solange Tikhomiroff - 08/06/1987)
Na busca da verdade absoluta
Penetrei por caminhos fantásticos
Agucei ouvidos para a escuta
Tornei os olhos elásticos
Quanto mais percorria o enigmático
Na tentativa de um ponto de chegada
Menos validade tinha o prático
E a técnica não mostrava nada
Mas fui colecionando informações
E afundando na meta que buscava
Aprendi a lidar com a s emoções
E a refletir aonde eu atuava
E meu anseio, hoje controlado,
Já tem noção da estrada a perseguir
Sem a angústia e o receio alucinado
Que me impediam de evoluir
Concluo, certa, de que estou a caminho
Com um vagar que não procura correria
Pois só com paciência e com carinho
Chegarei ao ponto que queria!

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